!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

A Prefeitura de Rio das Ostras tentou discrição, mas a ronda jornalística d’O Polifônico denuncia: Gigogas invadem Lagoa de Iriry.

Posted in Cidade, Infraesturutura, Meio Ambiente, Saúde, Turismo by ImprensaBR on 27/01/2012
Mas… teriam vindo com as chuvas de verão essas pragas, ou colocadas pela própria prefeitura na lagoa para filtrar os poluentes da água? Como não temos acesso aos responsáveis pela Secretaria de meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Rio das Ostras, pois a Secretaria de Comunicação Social veta qualquer contato do jornal com os gestores públicos da cidade, não temos um depoimento do secretário de Meio Ambiente para saber mais informações sobre a operação de coleta de gigogas na lagoa de Iriry, esta semana.

O que vimos aconteceu na manhã da última quarta-feira, dia 25 de janeiro.
Ficam algumas perguntas… sobre essas gigogas… uma delas é a que mais me intriga: estariam ali essas espécies se multiplicando à custa dos microrganismos despejados diretamente na lagoa, ou em português claro, cocô? Sim, sabemos que as gigogas se alimentam de matéria orgânica e se multiplicam muito rádido quanto mais comem. E, na medida em que engordam, morrem, ficando sem sua função de filtro dos poluentes da água, tornando-se uma praga no ambiente onde está. Além disso, essa espécie aquática abriga em torno de si uma série de espécies de incetos e mosquitos, que impactam o meio ambiente que havia naquele habitat antes dela chegar.
Sabemos que a manutenção periódica dos canais do município, a fim de conter a proliferação de gigogas acontece sempre que essas plantas tomam conta dos canais, mas no caso das gigogas da lagoa de Iriry, elas podem ter aparecido ali com as chuvas e se proliferaram rapidamente dada a grande quantidade de poluentes na água. Ou, o que seria ainda uma lástima, a PMRO teria colocado as gigogas na lagoa justamente para que elas funcionassem como filtros naturais dos poluentes despejados in natura na lagoa.
Não é de hoje que moradores dos bairros Bela Vista, Recreio e Ouro Verde denunciam o despejo do esgoto in natura nas águas da lagoa. Em janeiro de 2010, após crianças passarem mal depois de banharem-se nas águas da lagoa de Iriry, uma equipe do INEA veio à cidade para coletar amostras da água. Os técnicos do Instituto Estadual do Meio Ambiente selecionaram dois locais diferentes para fazer a coleta das amostras e as duas análises feitas; uma para aferir a presença de esgoto na água e a outra para identificar se as algas encontradas na lagoa eram consequência da poluição, deram laudo positivo para as águas da lagoa e o banho foi liberado pelo documento emitido pelo INEA.
Ainda assim, frequentemente recebemos denúncias de que obras no entorno da lagoa despejam seus esgotos na lagoa.
Gigogas = hepatite e diarréia
Em Rio das Ostras, na lagoa de Iriry, vimos uma quantidade enorme de gigogas sendo retiradas da lagoa de Iriry. Não posso afirmar em números essa quantidade, mas em duas horas que permaneci no local, vi mais de seis caminhões como os que estão no vídeo que fiz, saindo da lagoa lotados de gigogas. Para onde foi esse ‘lixo’ também não sabemos.
Enquanto isso, a prefeitura vem, há duas décadas, autorizando novos licenciamentos para obras no entorno da  APA de Iriry sem ter o local nenhuma rede de coleta e tratamento de esgoto.
A lagoa de Iriry se transformou num imenso vaso sanitário a céu aberto e é um dos cartões postais mais belos de Rio das Ostras. Semana passada (22 de janeiro) a prefeitura promoveu ali a Caminhada na Natureza. O evento faz parte do Circuito Internacional de Caminhadas da Anda Brasil com vasta divulgação da imprensa local, regional e com direito a uma notinha até no suplemento ‘Bairros’ do jornal O Globo. No mínimo, o que a PMRO deveria fazer diante dessas imagens que você está vendo abaixo, era enviar uma nota esclarecendo a origem dessas gigogas na lagoa de Iriry neste verão 2012. Afinal, trazer turista para a cidade é uma necessidade econômica, mas lotar pronto-socorro em mais um verão com casos de crianças que passaram mal depois de nadarem na lagoa de Iriry é trabalhar contra o turista, contra os moradores, contra a cidade.
Macaé opta por não fazer um sistema de tratamento de esgoto e coloca gigogas na lagoa de Imboassica para filtrar poluentes despejados no local. Lá, a prefeitura tentou pôr em prática um projeto no mínimo irreverente  e às avessas. Veja você, que ao invés de construir um sistema tratamento de esgoto na cidade, os gestores da capital do petróleo resolveram colocar gigogas na lagoa de Imboassica para que essas plantas fizessem o serviço de despoluição de suas águas, já que muito esgoto é despejado (ainda) na lagoa.
Leia matéria publicada no RJ Intertv em 10/10/2011
Gigogas são utilizadas para filtrar esgoto na Lagoa de Imboassica
A expectativa da ação é melhorar a qualidade da água enquanto o tratamento de esgoto não é concluído na região.
O projeto de fitorremediação na Lagoa de Imboassica, em Macaé, começou há uma semana e tem o objetivo de utilizar gigogas para filtrar o esgoto lançado na água. A expectativa da ação é melhorar a qualidade da água enquanto o tratamento de esgoto não é concluído na região.
O trabalho é feito por um grupo de pescadores voluntários, eles retiram as gigogas das margens da lagoa, colocam as plantas nas canoas e transportam o material até um ponto, onde é despejado o esgoto sem tratamento de um bairro próximo. A área está delimitada por uma corda flutuante para assegurar que as plantas fiquem concentradas.
As gigogas tem o papel de filtrar a água, funcionam como uma esponja absorvendo o material poluente. O projeto deve ter continuidade até a instalação do sistema de esgoto na lagoa, que ainda não tem previsão para ser feito.
O uso da gigoga como alternativa para diminuir os efeitos da poluição não é uma unanimidade. Segundo alguns especialistas, essa planta de origem amazônica, pode se tornar uma praga. O engenheiro ambiental, Júlio César Leitão, explica que a planta se prolifera com muita rapidez e pode provocar um desequilíbrio ecológico se não tiver um rigoroso acompanhamento.
A secretaria de Ambiente informou que é feito o controle para evitar o desequilíbrio ambiental. Além de análises para acompanhar a qualidade da água.
Vídeo: http://intertvonline.globo.com/rj/noticias.php?id=21293

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