!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Somos filhos da mãe? (Natureza)

Posted in Articulistas, Bárbara Revelles by ImprensaBR on 08/01/2010

Bárbara Revelles

Permanece ainda a dualidade homem-meio. Antropologia e Biologia. Cultura e Natureza. Mas por que mesmo hein? Essa suposta ruptura, a queda do éden, espiritual, simbólica ou concretamente não tem feito bem nem a uma parte nem à outra.

Estou falando da maneira como têm sido administrados os parques Nacionais e estaduais, e Unidades de Conservação em geral. Do Parque Estadual de Ibitipoca em específico, sabendo que o caso encontra paralelo em outros exemplos Brasil afora.

O fato é que a tendência é transformar as UCs em ‘ilhas’ de conservação, desconsiderando completamente seu entorno, e o impacto da ‘atividade humana’ na área do entorno. No caso específico de Ibitipoca, o parque é muito bem preservado, sinalizado, conta com um centro de visitantes bem completo, boa infraestrutura – até demais segundo alguns – e recebe-se muito boa  orientação tanto dos guias quanto fiscais do IEF. Tudo muito razoável.

Acontece que chegando ao arraial, área onde os apreciadores desta natureza tão exuberante se concentram, e que exige muito mais em termos de infra-estrutura, não encontramos uma lixeira pública sequer. Como em 99,9% dos municípios brasileiros o saneamento que deveria ser básico é feito mal e porcamente. Engenharia de tráfego é matéria desconhecida. A política de ocupação e zoneamento não fica muito clara. Não vamos nem comentar coleta seletiva, que exige que haja quem recicle o que for reciclável afinal. Aí os resíduos são inevitáveis, os incômodos constantes, os danos, irreversíveis; e no final da conta, continuamos com o matricídio.

Acho que isso começou no dia em que disseram que nós éramos uma coisa, e ela outra.  

 

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