!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

61 políticos eleitos são proprietários de rádios ou TVs

Posted in Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 26/10/2010

Reeleitos, Antônio Bulhões e Arolde Oliveira atuam em comissão que regula concessões

Felipe Bachtold e Sílvia Freire

Folha de S. Paulo

Afiliadas da Globo, da Record, do SBT e da Band e uma série de pequenas rádios são de propriedade de 61 políticos eleitos no último dia 3. O patrimônio declarado em empresas de rádio e TV é de cerca de R$ 15 milhões. Na campanha, esses meios de comunicação podem, em tese, ajudar a promover a imagem de seus sócios.

Levantamento da Folha com declarações de bens localizou 91 participações em rádio e TV. Entre elas, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) e as famílias de Jader Barbalho (PMDB-PA), Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-MA).

A lei permite que ocupantes de cargos no Executivo ou Legislativo sejam sócios de empresas de rádio e TV e proíbe que estejam à frente da gestão das emissoras, o que é pouco fiscalizado.

O maior patrimônio declarado é de Júlio Campos (DEM-MT), eleito deputado federal: uma rede de TV de R$ 2,9 milhões. A seguir, vêm os irmãos Roseana (DEM) e Zequinha Sarney (PV).

Dos 61 eleitos, pelo menos dois deputados participam da Comissão de Comunicação da Câmara, que aprova as renovações de rádio e TV: Antônio Bulhões (PRB-SP) e Arolde Oliveira (DEM-RJ).

Também fazem parte Jader Barbalho e Beto Mansur (PP-SP), que ainda dependem da decisão da Justiça sobre a Lei da Ficha Limpa para ter novos mandatos.

No Maranhão, as quatro maiores TVs estão nas mãos de políticos.

A Globo local pertence à família Sarney. A família do senador Edson Lobão é ligada ao SBT. A Record é da família do deputado Roberto Rocha (PSDB), e a Band, ligada a Manuel Ribeiro (PTB), eleito deputado estadual.

O ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB) tem participação na rádio Cabugi do Seridó, no Rio Grande do Norte, ligada à família dele. No site da emissora, antes da eleição, havia notícias elogiosas a ele, que se reelegeu.

Para Celso Schröder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o lado fiscalizador fica enfraquecido com a ligação com políticos.

Outro lado
Arolde Oliveira, sócio da rádio Mundo Jovem, diz que a Justiça Eleitoral fiscaliza de forma eficiente o possível uso de emissoras de rádio e TV nas campanhas. “Não existe uso político”, disse.

Procurado pela Folha, Garibaldi Alves disse que apresenta programas de rádio, como “prestação de contas” à população.

O deputado Antônio Bulhões disse que já se desfez dessas propriedades.

O deputado eleito Júlio Campos não foi encontrado para falar sobre o assunto. A assessoria de Roseana Sarney não comentou.

 

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