!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

ALINHAVOS DE PALAVRAS…

Posted in Cultura, Roberta Abranches by ImprensaBR on 13/12/2010

Por Roberta Abranches*

 “(…)O que pudemos ver acontecer no dia 4 de Santa Barbara de 2010 representa muito mais do que uma festa comemorativa. Marco de História vivida e revista por muitos que ao longo destas 3 décadas acompanharam os enredos sociais, políticos e culturais desta Cidade, deste Estado, deste País, trouxemos à luz o que significou e significa fazer e ser parte de um movimento eminentemente de resistência, de beleza, de brasilidade e de amor à arte, à vida e à paz”.(Equipe Tearteira- InstitutoTear)

 Fiquei em dúvida de como iniciar essa narrativa, se contando a história do Tear (essa escola de artes tijucana e brasileira que acolhe tantas pessoas e linguagens), ou se declarando meu recente amor pelo Tear, como ex-aluna do curso de Artes integradas. Então decidi falar sobre as 30 luas de Tear, com olhar de quem mal se apaixonou e já quer amar pra sempre! Sabe como?

Após ter feito um curso no Tear, no início de 2010, onde aprendi um pouco mais sobre arte-educação, podendo mergulhar na essência do trabalho das artes integradas e da valorização de nossa cultura, mantive o elo com a equipe de professores, e continuei aprontando artes pela vida, até me considerar uma tearteira de verdade, quando convidada a fazer parte dessa grande celebração (as 30 luas de tear!)

Quem foi tearteiro nesse dia passou por um processo de doação anterior, indo aprontar os materiais a serem utilizados nas oficinas de artes… tintas, pincéis, sucatas, papéis, colas, panos, caixas pra dar e vender! Toda a programação foi feita com encantamento, já que o dia prometia ser mágico, tendo como cenário os jardins do Museu da República, no Catete…

Nos preparativos da véspera, compareci na sede, à rua Pereira Nunes, e tive a grata surpresa de ver jovens da Companhia Cirandeira (alunos de comunidades) se revezando entre pinturas de cartazes, ensaios de danças, cantos e batuques para oficinas, e eu, que caí lá de para-quedas prá arrumar materiais de oficinas, agradeci pela cena vista e vivida: jovens mobilizados e entusiasmados, com adultos coordenando, mas com uma paixão sem fim, incansáveis. Um espetáculo a parte, que não poderia guardar só pra mim, precisava compartilhar. Quando dei por mim, estava cantarolando os sambas, embalada pelo ensaio dos meninos!

Cia Cirandeira

Chegou o grande dia, 30 luas de Tear começou com pingos de chuva, e ficamos apreensivos, já que precisávamos de sol.  Até desenhos do astro-rei desenhamos pelo chão! O tempo começou a abrir, todas as formiguinhas trabalhadeiras (umas 100) começaram desde cedo a arrumar os espaços, e transformar aquele parque numa cena de festa encantada, colorida, com direito a foto de lambe-lambe na ponte, shows como os da Carroça de Mamulengos, auto do boi pelos jovens, cortejos, roda de côco, além das 50 oficinas, direito do povo de ver e sentir, colocar a mão na massa.

Carroça de mamulengos abrindo a festa!

Trabalhei o dia inteiro nas tendas de contação de histórias, que os ventos tornaram “tendas voadoras”, recebendo artistas das palavras, alquimistas das letras e imagens, como escritores e ilustradores. Tivemos a visita do mestre e contador de histórias Gregório, que foi ao parque tomar uma fresca e nos prestigiar. Irradiante presença!

Ana Elisabeth e Domingo na tenda de histórias e ilustrações

Mas dentre as visitas mais ilustres, posso contar que tivemos alunos da Prefeitura de Queimados, adultos recém alfabetizados do EJA, que tiveram quiçá sua primeira conversa com um autor de livro, no caso Fátima Miguez (livros infantis). Vi o brilho em cada olhar, enquanto Fátima contava histórias que são voltadas pro público infantil, mas que tocam todas as faixas etárias, e travava um curto papo com os alunos, muitos tirando fotos do momento marcante. Pra finalizar o papo, a autora lembrou que a leitura é muito mais que decodificação de letras, mas sim leitura de mundo, e todos os alunos concordaram, balançando a cabeça, compreensivos, e descobrimos através da professora deles, que esta conscientização se dá através dos estudos de Paulo Freire, a metodologia pela qual elas aprenderam a ler a vida. Muito bom estar ali, acho que meus olhos também brilharam… E pena, foi um dia só (de festejo), e as 30 luas se acabaram, mas em grande estilo, ao som do grupo Olá, com canções de Maria Mazetti. Até a 31ª lua!

 “O Polifônico” divulgou em suas páginas as “30 luas de tear”, e acredito ser importante pra todos que estudam, trabalham e se interessam pela arte-educação saber um pouco mais sobre iniciativas que acontecem nessa área. 30 luas são 30 anos, é sinal de que tem muita gente envolvida e ainda acreditando em transformação através da arte e da cultura”.

*Roberta Abranches é carioca, arte-educadora e pedagoga e passa a fazer parte do corpo de articulistas d’O Polifônico a partir de hoje. Seja bem vinda, Beta!

 

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