!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

“ REI DO CONGO/ REI DE MARACATU OU A FORTE DINAMICA DE IMANENCIA POLITICA AFRICANA NO ESPACO DO ATLANTICO »

Posted in Brasil, Cidadania by ImprensaBR on 07/02/2011

O espaço do Atlântico registou, nesses últimos séculos, a instalação forcada e massiva, no Golfo de Guiné, na Península ibérica, nas Américas e nas Caraíbas, de centenas de milhares de escravos africanos ; provocando, assim, um importante movimento  migratório de civilizações.

Perpetuando naturalmente, vários aspectos importantes das suas culturas de origem, as comunidades negras,  deslocadas, conservaram, nomeadamente, numa constância histórica e antropológica, previsível, a sua inteligência de organização política.
 
Com efeito, essas populações criarão estruturas de configuração religiosa,
civil, social,  cultural ou étnica, que se cristalizarão, invariavelmente, em
organizações tais como nações, sociedades, confrarias, congregações ecompanhias saídas de diversas obediências étnicas, (male, adra, carabalie, malembo, cabinda, ngola, mundongo, cassanje, benguela, mocambique, etc.).

Essas construções associativas permitirão aos bozales, ladinos e crioulos de
reforçar os seus laços de fraternidade, de melhor definir o seu destino social,
os diferentes eixos da sua luta de emancipação e os seus engajamentos pela
liberdade e de bem fixar a coordenação assim que  a harmonização das suas acções sociais.
 
Conscientes da eficácia da sua prática política de origem, as madeiras de ébano, atlantizados, reconstruirão a sua armadura de chefia de poder, a exemplo dos “ filhos dos inquices “, elegendo, nos dois continentes e nas ilhas, Reis e Rainhas Congo, Reyes del Congo, Kings and Queens of Kongo, etc.
 
Prova da forte incrustação desta herança política na consciência histórica além
– Atlântico, o cantor afro-brasileiro de Pernambuco, Luís Gonzaga, reivindicará
a sua ascendência real congo, concomitantemente, ao seu estatuto de Rei do
maracatu, manifestação cultural, de obediência vindo, visivelmente,  dos
Planaltos dos Ntotela.
 
Por Simão SOUINDOULA
Vice-Présidente do Comité Cientifico  Internacional
do Projecto da UNESCO « A Rota do Escravo »
C.P. 2313 Luanda  (Angola)

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