!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Profissionais de imagem cobram destino de fotos da Bloch

Posted in Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 24/03/2011

Para discutir a compra do leilão do acervo fotográfico da Bloch, repórteres fotográficos e cinematográficos vão participar da assembleia de ex-empregados da empresa, sexta (25), 11h, no Sindicato – Rua Evaristo da Veiga 16, 17º andar. Os ex-empregados continuam reivindicando que a massa falida seja mais transparente com relação aos seus atos administrativos.

Exemplo da pirataria

Foi no terraço da casa de Vinicius de Moraes, em agosto de 1967. Os maiores nomes da MPB se reuniam para planejar uma campanha de valorização e resgate das marchinhas de carnaval. A foto é exclusiva, foi feita pelo fotógrafo Paulo Scheuenstuhl para a Manchete. É uma das mais pirateadas – no sentido de ser publicada sem o devido crédito – da MPB. Os veículos publicam a famosa foto com um vago e indevido crédito de “Divulgação”.

O fato serve de alerta a profissionais e instituições preocupadas com o direito autoral. Remete também ao leilão em que o fabuloso acervo fotográfico que pertenceu à extinta Bloch Editores foi arrematado em maio do ano passado por R$ 300 mil. São mais de 12 milhões de fotos, cromos e negativos que chegaram a ser avaliados por R$ 1,874 milhão para lance inicial. O arrematante foi identificado como Luiz Fernando Fraga Barbosa, com residência em Teresópolis e que alegou interesse familiar na transação.

Repórteres fotográficos que trabalharam para Manchete, Fatos & Fotos, Amiga, Desfile e outras revistas gostariam de saber com quem está o acervo – cujos direitos autorais lhes pertencem –, em que condições está guardado e o que o comprador pretende fazer com mais de 10 milhões de cromos, negativos e reproduções que são patrimônio cultural e jornalístico do Brasil.

Por esse motivo, o Sindicato, a Arfoc-Rio (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos) e a Associação de Ex-Empregados da Bloch Editores já enviaram correspondência ao comprador para obter informações sobre o acervo, mas não obtiveram resposta.

Essas entidades, com apoio dos profissionais de imagem, também se mobilizam para que o Ministério da Cultura, Museu da Imagem e do Som, a Prefeitura do Rio de Janeiro, Arquivo Nacional e outras instituições ajudem a desvendar o paradeiro de um dos maiores arquivos fotográficos do mundo.

Outras reivindicações

Os ex-empregados da Bloch estão descontentes com o fato de a administradora da massa falida se recusar a prestar contas das receitas e das despesas mensais para manter a sua estrutura em funcionamento. Em todas as assembléias, os integrantes da Comissão de Ex-Empregados são pressionados para prestar esclarecimentos. A Comissão já encaminhou pedido de esclarecimentos à massa falida, mas assegura não ter recebido informações aos itens cobrados.

Quanto à Fazenda São Bento, em Itatiaia, com 322 hectares, o leilão está marcado para o dia 19 de abril, no átrio do Fórum, com lance inicial de 7.279.541,82. Eles não querem que se repita o que ocorreu com a venda do arquivo fotográfico, que estava avaliado em R$ 1,8 milhão e foi arrematado por R$ 300 mil. Lembram também que o prédio do Russel, arrematado em leilão por R$ 64,5 milhões, foi repassado um ano depois a uma administradora de imóveis por R$ 260 milhões.

Defendem que a Comissão de Ex-Empregados consiga informações sobre o andamento dos  processos relacionados com pedido de indenização na Justiça do Trabalho, metade deles em fase de habilitação para pagamento. Mesmo quem já recebeu a indenização principal concorda que qualquer receita deve ser destinada a quem não recebeu nada, mas ninguém abre mão de receber os juros e a correção monetária relativos a 10 anos.

Reivindicam ainda que a massa falida se empenhe para evitar que a Receita Federal fique com os R$ 25 milhões que disputa na Justiça com os trabalhadores. Esse total representa o que a empresa deixou de recolher de Imposto de Renda, mas que descontou dos empregados. Querem também um posicionamento quanto à indenização de R$ 5 milhões destinada a Jiri Biller, que foi ex-diretor da gráfica em Parada Lucas, que pertence ao falido.

Fonte: SJPMRJ

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