!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

A imobilidade urbana regional e a velha política

Posted in Pedro Marinho by ImprensaBR on 30/05/2011

*Por Pedro Marinho

É sintomática a situação dos transportes em nossa região. Quem tem de ir e vir – temos que lembrar que isto é um direito garantido pela Constituição – sofre com uma crescente imobilidade urbana. Nada de novo para as grandes cidades, entretanto essa realidade não está mais restrita a esses grandes centros urbanos. Ao contrário, está cada vez mais presente do interior do Estado, nas pequenas e médias cidades, que atraem cada vez mais pessoas impulsionadas pela ineficiência dos grandes centros.

Já se tornaram corriqueiras as notícias sobre os problemas relacionados com o tema, sendo comuns manchetes de jornais e telejornais como: “Caos no transporte público em Macaé – ônibus superlotados e longa espera são algumas das dificuldades enfrentadas”[1]; “População reclama da linha Rio das Ostras – Macaé”[2]; “Transporte público em Petrópolis continua gerando reclamações – atrasos e quebras de ônibus, problemas antigos ainda não solucionados”[3] ou “Campos – passageiros reclamam do serviço de transporte público e se arriscam nas vans. Veículos com o pneu careca e lataria solta, parabrisas trincados… Como o serviço das vans é clandestino, até os pontos de parada são improvisados.”[4] Apesar de cada município ter suas particularidades, há também muito em comum nessa situação.

Alguns problemas ou situações parecem se repetir como: a situação precária e insuficiente da frota, o alto valor das tarifas, a insatisfação dos funcionários das empresas de transporte, os congestionamentos e o desrespeito com a população. Devemos observar, frente à situação, o caráter do problema. Como o transporte público é de uso coletivo e indispensável à manutenção do direito constitucional de ir e vir funciona na forma de concessão pública? Ou seja, o Poder Executivo (Prefeituras e Governo do Estado) concedem o direito para que empresas explorem esse serviço. Para além, cabe ao Executivo fiscalizar o bom préstimo do mesmo.

Entretanto, o interesse dos políticos parece não ser o mesmo da população quanto a esse serviço de utilidade pública. É preciso observar, que os ônibus lotados, mal conservados e motoristas com salários insatisfatórios não é uma situação ruim para todos. O dono da empresa de ônibus ganha muito dinheiro com essa situação, pois tem seus gastos reduzidos com baixos salários pagos aos funcionários e a não conservação da frota, enquanto seus lucros são ampliados com a super lotação dos ônibus. Mas para que isso tudo funcione é preciso ter a conivência do grupo político que está no poder.

Essa situação é um sintoma do adoecimento do sistema político de nossa região, marcado pela conivência entre maus políticos e empresas inescrupulosas. Tal situação funciona para a manutenção desses atores públicos no poder à medida que essas empresas financiam campanhas políticas e articulam trocas de favores. Nesse cenário é nocivo o estreitamento entre empresas e políticos, a ética política significa o não conflito de interesse entre as partes. Não devemos compactuar com tal situação por um lado evidenciando tais problemas a fim de pressionar o Poder Público a salvaguardar o interesse coletivo (democracia) e não votar em candidatos e partidos que aceitem financiamentos privados, pois estes ferem a ética colocando seus interesses a frente do bom funcionamento da democracia, do Estado e do bem comum.

   


[1] Publicado em 22/12/2009 e disponível no sítio da internet: http://in360.globo.com/rj/noticias.php?id=6913
[2] Publicado em 15/01/2010 e disponível no sítio da internet: http://in360.globo.com/rj/noticias.php?id=7428
[3] Publicado em 20/01/2010 e disponível no sítio da internet: http://in360.globo.com/rj/noticias.php?id=7526

[4] Publicado em 12/11/2009 e disponível no sítio da internet: http://in360.globo.com/rj/noticias.php?id=6210

* Pedro Marinho é Geógrafo, Professor da rede privada de Ensino Médio em Rio das Ostras 

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