!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Quem esse feijão com arroz alimenta?

Posted in Brasil, Cidadania, Cidade by ImprensaBR on 26/07/2011

Áreas que deveriam servir ao plantio de feijão de centenas de agricultores estão sendo monopolizadas por grupos fechados comandados por gestores públicos

 Leonor Bianchi

Rio das Ostras está no site de busca mais clicado da internet, o google, com uma matéria publicada no site do Globo Rural, divulgando a maravilhosa safra de feijão que o município colhe no momento. Balela! As terras que deveriam servir para o cultivo do famoso feijão maravilha-riostrense são terras assentadas pelo INCRA onde cerca de 200 famílias deveriam estar sendo beneficiadas pela agricultura familiar e os pelos avanços que a política para o setor vem atingindo nos últimos anos (mesmo que, diga-se em itálico e negrito, a passos muito lentos).

O fato é que ao invés disso, essas mesmas terras vem ao longo dos anos sendo negociadas entre um grupo de assentados que, comandados por políticos da cidade e em troca sabe-se lá do quê, privilegiam arrojados investimentos na lavoura para lá de arcaica que tentam desenvolver no município, deixando a mingua centenas de pequenos agricultores. Estes, sem máquinas para arar o solo, ou seja, o básico, chegam a passar fome, pois o feijão que plantam já não rende nem para a subsistência da família.

o cenário e o mesmo de milhares de outros municípios neste imenso país. A política agrária não sustenta de forma plena a demanda do pequeno agricultor, que se não for homem de bem, honesto, se deixa levar pelo poderio dos gestores públicos e acaba servindo de laranja para muitos deles. Em Rio das Ostras, alguns vendem suas terras para empresários (políticos), colhem a mega safra entre si, e os demais que não compactuam com essa prática, olham a tudo temerosos inclusive de denunciar o que veem com medo de serem mortos.

O que sabemos é que é as áreas produtivas de Cantagalo onde essa maravilhosa plantação de feijão começa a ser colhida, estão em mãos de ninguém, ou melhor, nas de quem as quer para lucro individual. Pelo fato de serem trabalhadores simples, sem dinheiro muitas vezes para pagar transporte e ir à sede do município, acabam os assentados de Cantagalo esquecidos pelo poder público, que não disponibiliza uma base da administração na localidade e tenta amansar a comunidade local e despistar a opinião pública com iniciativas reducionistas como a de colocar computador na escola da comunidade para um ou dois alunos usarem para acessar o Orkut… sim, porque de que adianta equipar uma escola com computadores senão são ensinados aos estudantes os objetivos de um computador com acesso a maior rede de comunicação do mundo?

Daqui a pouco a prefeitura anunciará a festa da colheita do feijão maravilhoso plantado em terras assentadas pelo INCRA e vendidas por assentados mal intencionados e cooptados por gestores da cidade. Daqui a pouco, começam a anunciar mais uma mega safra de feijão aproveitada neste ano. Ano de começar a costurar alianças políticas para as eleições do ano que vem… mas que alianças, se agora se quer teremos oposição na disputa eleitoral para o executivo municipal?

O mais louco é que ainda esta semana recebi um release da SECOM da PMRO anunciando que agora, além de feijão, Rio das Ostras está plantando arroz!!!!!!

O polifônico quer saber dentre tantas outras coisas, quem este feijão com arroz alimenta?

Leia a matéria do Globo Rural

Começa a colheita do Projeto Feijão Maravilha na cidade de Rio das Ostras (RJ) Expectativa é obter produtividade de 1,25 mil quilos por hectare com as variedades preta e vermelha por Globo Rural On-line O pequeno agricultor José Araújo apostou no pingo de ouro, um feijão vermelho Já começou a colheita do Projeto Feijão Maravilha, em Rio das Ostras, cidade localizada na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. O programa de incentivo ao plantio, liderado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, deve render mais uma alta produtividade do grão, repetindo o sucesso dos últimos seis anos. Em 2011, foram plantados 84 hectares e a expectativa é que o rendimento chegue a 1,25 mil quilos por hectare, mais que o dobro da média do estado, em torno de 600 quilos por hectare. Neste ano foram plantadas duas variedades: o feijão preto xodó e o vermelho pingo de ouro. Criado em 2005, o projeto oferece todo o maquinário necessário para preparo do solo, semeadura e colheita , sementes e adubo aos agricultores, além de assistência técnica. Ao produtor, cabe a responsabilidade pelos cuidados com a lavoura. Ao todo, 72 agricultores são beneficiados pela iniciativa. Em contrapartida, o produtor retorna parte do que foi investido pelo município em grãos de feijão, que servirão de sementes para o próximo ano. O secretário Max José de Almeida explica que o objetivo é oferecer o necessário para que os agricultores possam ganhar autonomia, gerando renda para as famílias e fixando o homem no campo. O pequeno agricultor José Araújo, que participa do programa desde o início, prevê boas vendas. Ele plantou a variedade vermelha, mais valorizada que a preta na feira do centro da cidade, onde comercializa o produto. “Compensa porque temos apoio da prefeitura, com as máquinas e ajuda dos técnicos”, afirma. Até setembro, toda a safra deve estar toda colhida.

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