!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Prefeitura de Rio das Ostras faz propaganda eleitoral antes do tempo

Posted in Sem categoria by ImprensaBR on 22/08/2011
Prefeitura de Rio das Ostras faz propaganda eleitoral antes do tempo
Suposto ‘líder’ local com forte pretensão a se candidatar mais uma vez a vereador em 2012 aparece em comercial pago pela prefeitura, em horário nobre

Pode? A Secretaria de Comunicação Social da PMRO lançou, na noite deste último domingo, sua mais nova campanha publicitária. Durante os intervalos do Fantástico, na afiliada local da Rede Globo foi transmitido, várias vezes, um comercial da Prefeitura de Rio das Ostras enaltecendo as obras de pavimentação feitas recentemente nas imediações da praia de Itapebussus, bairro de um morador, que além de ser o presidente da associação de seu bairro (até aí, normal), atua como presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Rio das Ostras (até aí, normal…).  

Para quem não sabe da trama, o morador que aparece no comercial falando que morar em Rio das Ostras é sinônimo de qualidade de vida, ainda que não assumidamente – já que as prévias eleitorais não começaram legalmente -, será mais uma vez candidato ao legislativo da cidade apoiado pelo atual prefeito, como fez na última eleição municipal, em 2008. E isso não sou eu que estou inventando. No site de vídeos mais visitado da Web, o Youtube, há um vídeo mostrando claramente sua candidatura e quem anuncia a preferência e pede votos para o amigo Maia é nada mais nada menos que o prefeito de Rio das Ostras. Esse vídeo foi postado mês passado, coisa recente. Vale lembrar, que dependendo da manobra política que o ‘morador do comercial’ faça com um partido pequeno, leva um cargo no legislativo apenas míseros 400, 500 votos. Veja (http://www.youtube.com/watch?v=-W1s2rhMpKY).
Se isso não é fazer campanha política para um candidato da base do governo, que atua nas frentes comunitárias da cidade, não sei o nome que pode ter o que a prefeitura está fazendo. Alguém, por favor! Uma luz! Como posso designar esta prática? Sou ignorante, desconheço… isso pode? E com dinheiro público?
Enfim, hoje cedo, pela Internet, tentei contato com a secretária de Comunicação de Rio das ostras através do gtalk; ela estava disponível para conversa… mas para mim parece que não estava, pois não deu retorno a minha pergunta, quando tentei saber diretamente dela do que se tratava esse comercial, que por sinal acaba se ser veiculado de novo, agora, no intervalo do jornal Hoje.
Assim como ela, uma jornalista da Secom cujo nome não vem ao caso ser citado, também não soube explicar de maneira plausível o que estava fazendo em uma matéria sobre o bairro do Jorge Maia, o ‘morador do comercial’ feita pela Globo local e transmitida também neste final de semana. Leia mais…
Imprensa oficial a trabalho da construção de mais uma personagem… e lá vamos nós desconstruir esse discurso…
Uma outra observação com relação à ‘aparição’ deste ‘líder’ comunitário na TV local aconteceu esses dias, se não me engano, numa matéria de sábado veiculada no jornal local da tarde da mesma emissora que repetiu diversas vezes o novo comercial da PMRO, na noite de domingo, durante o Fantástico.
Tudo bem com a bela fotografia do cinegrafista da afiliada local e com o texto da jornalista que narrava a paisagem da bela praia de Itapebussus. Surpresa fiquei ao ver o Maia na matéria, cercado por uma meia dúzia de pessoas, dentre elas uma profissional de jornalismo da Secretaria de Comunicação da prefeitura, que fazia elemento de cena no vídeo como se fosse parte da paisagem.
Sem querer parecer estar sendo desleal com os amigos jornalistas, o que, aliás, em Rio das Ostras é raro (ter amigos na profissão) já que sou tida como uma praga daninha pelos assessores de imprensa da PMRO (risos… é patética essa relação que eles tentam impor… e olha que atuo na imprensa local desde 2003, em Rio das Ostras, desde 2005), não dá pra ficar calada diante desta notória e explícita prática do famoso jabá, ainda mais quando o jabá está dentro da própria Secom.
O Jabá
O jabá muitas vezes acontece de maneira capciosa, de maneira disfarçada (uso as rádios como exemplo, mas o jabá é praticado em todos os veículos de comunicação) nas rádios locais, que geralmente são dos políticos locais ou de grupos de apoio à base governamental. Por isso, não percebemos quando eles – os jabás – acontecem… e mais, para um ‘spot’ (peça publicitária para rádio) ser levado ao ar por uma rádio, ele antes precisa ser produzido por uma agência de publicidade. Esta por sua vez, contratará a rádio para fazer a veiculação do anúncio. Essa agência tem a conta do órgão público e em Rio das Ostras, sabemos que a agência que detém as contas da Secom, além de ser praticamente detentora de todas as campanhas publicitárias feitas pela prefeitura, exerce um monopólio explícito, mas que não é mencionado por ninguém, principalmente por esta imprensa vendida, que se alastra em Rio das Ostras.
O termo ‘jabá’ deriva da palavra jabaculê, e significa: negociata, armação, suborno. Para ver como a prática tem sido uma praxe na atividade jornalística, infelizmente, sugiro a leitura de dois breves artigos de um companheiro de militância:
(http://jabanao.wordpress.com/2011/02/01/editor-da-globo-quem-diria-agora-agradece-aos-ceus-e-pede-mais-jaba/), (http://jabanao.wordpress.com/tag/jornalismo/).
Os medíocres cavam a própria cova
Se eu não tivesse lido o clássico ‘Assim falava Zaratustra’, diria que a frase do intertítulo está escrita em uma de suas páginas pelo nu e cru, Nietzsche. Mas não, é citação e invencionice minha mesmo, desta reles jornalista… que pensa ser tão deprimente quanto à prática do jabá, do monopólio dos meios de produção em comunicação social na cidade, do assédio moral a jornalistas que apresentam uma postura crítica diante da roubalheira e desmandos da administração pública e noticiam a farsa que há por trás das propagandas do governo, ‘plantar matérias’ e naturalizar esta prática.
Se os jornalistas que atuam dentro de uma assessoria de comunicação governamental seja ela qual for, pensam que aqui fora nas ruas, no “mundinho” normal de qualquer cidadão comum, eles não perdem a credibilidade, estão ilesos a comentários de todo o tipo como os que recebo rotineiramente de meus leitores (até porque só recebe crítica quem se mostra e se expõe…), enganam-se. O leitor dos tablóides semanais de Rio das Ostras sabe que as matérias que leem são produzidas por uma equipe de jornalistas, servidores. Se eles não sabem listar os nomes de cada um dos jornalistas da Secom que as redige é porque isso não é propagado pela secretaria e porque até hoje nenhum jornalista da cidade se deu ao trabalho de postar a relação na internet, visando dar nome aos bois; o que tentarei fazer posteriormente, informando além dos nomes dos jornalistas servidores da Secom, quais pastas (secretarias de governo) cada um deles cobre. Embora os textos não tenham uma identidade pelo fato de precisarem comunicar uma mensagem homogênea, de fácil acesso e entendimento do maior número de leitores, são considerados textos informativos e jornalísticos, os produzidos pelos servidores da Secom. E como geralmente os governantes costumam tirar por baixo a capacidade interpretativa, educacional e criativa dos eleitores, seus leitores semanais através dos jornais locais, eles não expressam nenhum elemento que leve o leitor a elaborar uma crítica ao texto apresentado ali naquele jornal. Texto este, que por sinal é replicado incansavelmente pela imprensa impressa local sem nenhum pudor… até pelos editores que defendem uma oposição ao governo atual em Rio das Ostras. Eita coisa mais embaraçosa de entender, sô!
É… mais uma função deste veículo de comunicação regional é falar sobre discurso, jornalismo e comunicação… precisamos falar sobre essas metodologias de construção textual no jornalismo e deste jornalismo ante ao discurso do governo para que você entenda de que polifonia falamos. Aí reside a utilidade do jornalismo, sua função social.
É considerado um grave problema de falta de ética a prática – infelizmente ainda muito natural entre os jornalistas da região – conhecida entre os companheiros de profissão como ‘plantar matéria, ou cavar pautas’… tanto faz, dá no mesmo.
Agora, o que você não sabe é o que significa isso. Quem planta quer colher, não? Funciona assim: “Determinadas assessorias de imprensa negociam com jornalistas dos veículos de comunicação, a inclusão na pauta de determinado assunto que seja de interesse da instituição ou do indivíduo que elas assessoram. Nos casos em que o assunto, por conta própria, não tenha valor noticioso suficiente para ser publicado, diz-se que a matéria foi “plantada” na redação — ou seja, nascida no ambiente externo à redação, e não naturalmente, pelo “faro” dos repórteres. Quando, por outro lado, a pauta é indicada por um superior na redação, por um dos diretores, executivos ou até pelo dono do veículo, diz-se que a matéria é “recomendada”, termo que no jargão jornalístico é geralmente abreviado para reco” (Wikpédia).
 Também via gtalk, hoje de manhã, encontrei tal jornalista da Secom, online, e aproveitei para perguntar o que ela fazia na matéria sobre a linda praia de Itapebussus… rapaz, o que li através de seu retorno pela ferramenta de chat do gmail nem vale a pena ser repetido… eu estaria criando um desgaste falando abertamente o que penso sobre a entrega do diploma nas mãos do poder político. Seá que vale comprar esta briga? Acho que essa fala da servidora (contratada), eu posso reproduzir sem ser processada, não? Afinal, embora eu não estivesse em um momento de ‘entrevista oficial’, trata-se de uma fala pública já que a jornalista em questão é uma servidora pública. Ou não? Não interesso-me, como disse a ela pelo gmail, em entrevistá-la para especular o que ela sabe acerca dos superfaturamentos praticados pela secretaria onde trabalha, embora saiba que ela tem informações preciosas com relação a isso, assim como todos os demais servidores da Secom, que não as divulgam e ainda dizem que as desconhecem na maior cara lavada. Ora, se eles que trabalham com informação, não sabem… Mas voltando ao ponto, acho que posso reproduzir a fala uma vez que importa-me aqui mostrar, desconstruir o discurso que está por trás do que não fica dito no enunciado apresentado. Você sabia, por exemplo, que ao dizer alguma coisa deixamos de dizer outra? Sim, claro que sabe. E o espaço que fica nesta lacuna do que ficou por ser dito, mas que eu, em minha fala resolvi silenciar dizendo outra coisa, pode ter um significado mais importante até do que aquilo que de fato eu disse? Calma, leia de novo. É Análise do Discurso. Tem que parar pra interpretar e sei que não é todo mundo que tem paciência, é mais fácil consumir falas prontas, discursos prontos, palavras de efeito… mas o que precisamos é ler o por de trás do discurso. Esta é uma das funções deste jornal interventivo e polifônico. Sem pretensão de querer ensinar alguém a ler o mundo (vixi, quem sou eu?), quero apenas ‘clarear’ e ativar, potencializar a capacidade interpretativa e analítica dos leitores, tão aprisionados ao formato pastiche da imprensa praticada nesta cidade e em termos mais amplos, infelizmente, em todo o país
Polifonia em si… o diálogo
Será que por ter usado uma conversa online que tive com um servidor da Secom, hoje cedo, pelo gtalk, neste artigo, corro o risco de ser processada? É… em Macaé, o legislativo inteiro tentou cassar o vereador Funke porque um de seus assessores de comunicação transmitiu (de forma ainda inédita no Brasil, diga-se em negrito e itálico!) a votação de uma sessão da câmara onde era votado o Plano de Cargos e Salários dos professores de Macaé, através de uma rede social; o Twitter.
Ainda estou estudando para saber sobre a legitimidade do uso da fala de alguém que se declarou por vias de email, redes sociais e pelo chat do gmail em textos jornalísticos. Caso algum advogado de plantão leia este artigo e tenha mais informações sobre a pauta, gostaria de uma assessoria, pois quero publicar na íntegra o diálogo que tive com a jornalista citada no texto por acreditar que deve ser do conhecimento público o que ela pensa sobre o cargo que tem, com a responsabilidade que o mesmo exige e mais, a ausência da fala da secretária, que fingiu estar ocupada e não ter lido minha mensagem online.
Se você quiser saber mais sobre o conteúdo do diálogo é só se posicionar, afinal isto aqui se pretende uma polifonia e eu não estou à disposição para ser boi de piranha, levantando petecas que depois ninguém quer segurar.
Por Leonor Bianchi

Anúncios

2 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Renato Langoni said, on 23/08/2011 at 23:23

    Olá, Leonor.
    Você sabe que não é novidade para ninguém o quanto aprecio seu trabalho, desde que lancei meu primeiro jornal em Rio das Ostras, no ano de 2000, embora saiba que você só começou em 2005.
    Hoje, após completar 45 anos de vivência no jornalismo e quase 40 de profissionalismo, tenho acompanhado a prática da qual você trata acima e tenho que discordar pelo menos de um ponto, quando você generaliza a prática entre os tabloides que circulam na região, do jabá.
    Quando digo que discordo, estou falando diretamente do JORNAL DA CIDADE, que completa em dezembro próximo 09 anos de existência sem jamais ter feito uso de tal prática, fundado e dirigido por mim, aliás, prática que jamais utilizei em nenhum veículo que criei nos quatro estados onde fiz circular jornais e revistas, além de estações de rádio e agências de assessoria de imprensa.
    Isso posto, quero concordar com quase tudo que discorreu em seu texto, salvo a generalização do “jabá” e voltar a colocar nossas páginas semanais a sua disposição.
    Forte abraço,
    Renato Langoni
    Diretor do JORNAL DA CIDADE

  2. Leonor Bianchi said, on 24/08/2011 at 11:44

    é isso aí, langone. vamos fazer uma campanha ácida contra a prática do jabá na imprensa local!!! obrigada por sua participação na polifonia e por ser leitor d’o polifônico. isso mostra que estamos conseguindo dialogar com nossos leitores comuns e estreitando também os laços de luta com os companheiros de profissão. neste norte, podemos avançar para a conquista de um cenário verdadeiramente democrático para o fazer jornalístico. forte abraço, leonor.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: