!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Primeira Conferência de Juventude de Rio das Ostras

Posted in Articulistas, Cidadania, Cidade, Matheus Thomaz by ImprensaBR on 15/09/2011
No próximo sábado, 17 de setembro, acontecerá em Rio das Ostras a primeira conferência de Juventude do município. Ao participar de uma Conferência é muito importante ter a clareza exata do que se trata aquele espaço ali. Para dissipar incompreensões apresentaremos duas leituras analíticas, que se transformaram em mito e que aparecem com freqüência sobre o espaço da Conferência.

O primeiro mito diz que as conferências são manipuladas, que o poder público determina de antemão o que vai acontecer. Essa sentença é falsa, embora muitas vezes até possa ter um fundo de verdade.
As Conferências são espaços institucionais, ou seja, são de responsabilidade do Estado. A sociedade civil organizada não tem o poder de instaurar uma Conferência, no máximo ela pode (e deve) pressionar para que o poder público a realize. Nesse sentido o governo, seja ele municipal, estadual ou federal é responsável pela Conferência. Tanto é assim que a Conferencia Municipal de Juventude somente pode se realizar com a nomeação do Coordenador pela prefeitura em decreto publicado em Diário Oficial. O Coordenador além de coordenar o espaço é também o representante da prefeitura.
Análises superficiais deste primeiro fato geram a conclusão de o espaço ser manipulado. E por serem superficiais não alcançam de fato o espaço das conferências serem permeadas de contradições, que um número considerável de participantes acredita naquele espaço como um canal de expressar suas reivindicações. Além de ser uma conquista democrática do povo brasileiro.
Segundo mito, todos ali estão com o mesmo interesse e o mesmo objetivo. Dessa forma seria a Conferência um espaço de buscas de consensos. Esse mito é derrubado com um olhar mais cuidadoso da sociedade, que, na sua essência, é formada por interesses confusos e conflituosos. A própria história da humanidade é construída e contada por exploradores/explorados e opressores/oprimidos. E a busca por liberdade tem como objetivo acabar com essas desigualdades. Por isso não estão todos com os mesmos objetivos, alguns estarão ali brigando para manter seu status de dominador/explorador/opressor. Mas estarão sempre dissimulados.
Nesse sentido precisamos observar as forças estabelecidas em nosso município e Estado. O governo do Estado é encabeçado pelo PMDB, assim como Rio das Ostras também é governado pelo PMDB. Vamos analisar a política do Estado do Rio de Janeiro: o professor ganha um salário de fome, bombeiro é desvalorizado, o transporte público é uma vergonha, não nos esqueçamos da tragédia do Bondinho de Santa Teresa, a saúde do Estado, que é uma piada. Agora, passemos ao município de Rio das Ostras: a saúde é péssima, o trato com os servidores municipais é aterrorizante com perseguições e ameaças, o transporte também é desorganizado. Enfim, com um olhar cuidadoso podemos perceber o que significa o “modo” PMDB de governar.
Em Rio das Ostras o PMDB está com a alma ferida. Após a humilhação pública imposta pela população, especialmente jovem, ao prefeito, representante maior do partido na cidade. Aqui o PMDB segue a linhagem dos Picciani, família exemplar em fazer fortuna com a política[1]. Nas últimas eleições alguns militantes do partido na cidade correram escolas, eventos oficiais e espaços afins com o Picciani mais novinho em frenética campanha.
Numa rede social já é possível ver a movimentação da Juv. PMDB. Algumas caravanas de cidades vizinhas já anunciam presença e aqui na cidade eles também se movimentam. Precisam dar uma resposta à manifestação ocorrida no desfile de 07 de setembro.
Na mesma rede social já apareceram elementos do segundo mito, de que o objetivo é a UNIÃO (é assim que escrevem) que é preciso superar as posições A ou B em prol da juventude… E ainda fazem uso de chavões soltos que agradam a juventude, “vamos mudar isso” ou “vamos nos libertar de governos manipuladores”. O mais interessante é essa pérola ser dita por um membro da juventude do PMDB… Observem os que comungam do poder são mestres na dissimulação. Com seus rostos talhados em madeira, pregam a mudança. Há sete anos temos um governo do PMDB em Rio das Ostras, se alguma coisa tem que mudar a primeira é tirar o PMDB do comando do poder municipal.

É preciso estar atento e forte, já diz o refrão. Se o segundo mito for derrubado e ficar claro para todos os interesses em jogo, se a juventude entender que os projetos que se apresentarão ali são distintos pode-se potencializar ao máximo o espaço da conferência. Entender que a juventude de um partido que está em todos os círculos de decisão desde a ditadura militar, como está o PMDB, não pode nunca significar nada de novo e tampouco de transformação.

Alcançado isso, pode-se também derrubar o primeiro mito, o da manipulação. Não tenham dúvidas que eles estarão representados em maioria na comissão de organização, que provavelmente um membro da juv. PMDB será o coordenador nomeado pelo prefeito. Só com extrema clareza das disputas e enfrentamentos que ocorrerão na Conferência poderemos livrá-la do mal da manipulação.
Nesse contexto, se expressarão na conferência de juventude duas, ou mais visões de mundo. O professor Florestan Fernandes em sua análise sobre nosso país afirmava que, aqui o “arcaico” se vestiu de “moderno” para a manutenção do poder, as oligarquias se travestiram de democráticas para manterem sua acumulação de capital, por isso não nos enganemos com falas dissimuladas. O pensamento arcaico permanece, mesmo que dito por jovens.
A juventude sempre está associada ao novo ao futuro. Historicamente a juventude sempre esteve nos movimentos de contestação, sempre foi a vanguarda da transformação.
Vamos nos remeter à década de 1960, a juventude deu início a um processo de enfrentamento e crítica que contagiou toda Europa. O que começou com chamado Maio de 1968[2] francês, contaminou a Europa e parte do mundo. Os estudantes foram a ponta da lança das manifestações e da ousadia que desafiou os costumes, armou barricadas e bradou por liberdade. Frases como “Sejam realistas, exijam o impossível” ou “É proibido proibir” foram pintadas e estampadas em muros, cartazes e camisas. Podemos dizer que essa geração influenciou e tocou a humanidade.
E no cenário atual, a juventude acampou, desafiou e derrubou ditadores e com isso abalou o mundo árabe. Na Espanha, os Indignados também acamparam nas praças e deram sinais de que não suportam mais essa ordem injusta. Aqui pertinho de nós, na América Latina, a juventude chilena está enfrentando e vencendo o governo na luta por educação pública, gratuita e de qualidade. E aqui no Brasil os estudantes estão ocupando reitorias e conquistando vitórias.
É isso que a humanidade espera de sua juventude, que ela seja contestadora, inovadora, que nela esteja contida a semente da transformação. A rebeldia juvenil quando canalizada para a mudança pode fazer estragos no status quo. Por isso o capital age e faz a cooptação de parte da juventude, compra seus sonhos, tolhe seu ímpeto e domestica seus instintos.
Assim, temos a possibilidade de na primeira Conferência de Juventude de Rio das Ostras começar a escrever uma nova página política na cidade, de encampar propostas contestadoras e transformadoras. O resultado dessa conferência pode ser um marco para a cidade e também um impulso para afastar a juventude do que existe de pior e mais corrupto na política. Não queremos ser a juventude do Sarney, do Jader Barbalho, do Sergio Cabral, do Eduardo Cunha, do Picciani e de nenhum destes maus exemplos do PMDB.
Nunca deixem que digam que é loucura acreditar em um mundo sem desigualdades ou que os jovens só pensam assim por que vivem no mundo da lua. Não deixem que matem os seus sonhos, sonhos não são impossíveis. Podem nos chamar de loucos e lunáticos, podem até querer nos diminuir ao dizerem quem somos sonhadores. Que bateremos no peito e diremos: “Somos revolucionários!”
Para terminar uma reflexão de Lênin.
“É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos: acredite neles” Lênin.
[1] Ver aqui: http://lutaeducadora.blogspot.com/2011/07/exclusivo-uma-viagem-fantastica-aos.html e aqui: http://odia.terra.com.br/portal/brasil/html/2010/7/picciani_e_o_candidato_ao_senado_mais_rico_do_rio_94483.html
[2] http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396750.shtml
Por Mathues Thomaz
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