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Jornalista piauiense, morto em Rio das Ostras, é sepultado com profunda comoção popular

Posted in Cidadania, Cidade, Política, Segurança Pública by ImprensaBR on 29/09/2011
Polícia investiga possível assassinato
Por Leonor Bianchi
Rio das Ostras – Foi sepultado, na tarde desta quarta-feira, 27, no cemitério do Palmital, o jornalista piauiense, radicado no Rio de Janeiro, (Niterói e Rio das Ostras), Benoni Alencar. Familiares, amigos, vizinhos, comerciantes e companheiros de militância política, prestaram a última homenagem ao grande homem.
Encontrado morto em sua casa, no Palmital, no dia 27, o corpo do jornalista foi levado para a perícia médica em Macaé com suspeitas de estrangulamento, indício que foi comprovado segundo o Laudo.
A possibilidade de um assassinato chocou a comunidade e amigos, clamam por justiça
O sepultamento não contou com a presença de nenhum político da cidade, que mesmo sabendo que sua morte se deu sob condições suspeitas, sequer foi se solidarizar com os familiares. Ah, sim, o enterro de um homem como o grande Benoni não seria espaço para barganhas políticas como fora o de outro cidadão riostrense, dois dias antes. O sepultamento do cristão Itamar, morador antigo, porém sem a expressão política de Benoni, fez lotar o salão do Iate Clube da cidade e foi palco de cenas inacreditáveis promovidas por personagens da cena política local. Terrível! Talvez por isso, não tenham esses ratos, comparecido ao velório do jornalista Benoni. Sinceramente, achei até melhor assim. Em vida nunca o apoiaram, para que aparecer por ali. Ao menos houve bom senso, o que é inédito vindo da parte desses projetos de gestores públicos (projetos muito mal elaborados, diga-se em negrito e itálico!!!).

Parentes e amigos velaram o corpo do jornalista na biblioteca pública feita por ele, no Palmital.

Quem deu as caras no sepultamento de Benoni Alencar foi outro morador de Rio das Ostras, mais antigo na cidade do que o próprio Benoni, e tão ou mais do que o Itamar cujo velório fora um palanque; o advogado Cláudio Amanado. Por que seria? ‘Eles’ sempre veem os momentos de comoção como uma excelente oportunidade para se aproximar dos populares, da família… A mais nova função dos políticos é esta também, você não sabia? São os chamados ‘políticos consoladores’.
O fato é que, independentemente dessa falta de respeito das autoridades públicas de Rio das Ostras (legislativo e executivo), que preferiram fingir desconhecer sua morte, lotaram o local do velório dezenas de amigos, parentes, pessoas simples, que visitavam sua casa, crianças que gostavam de ler na biblioteca que Benoni fez em seu bairro, no ‘quintal’ de sua casa, no Palmital. Vale o friso: Funcionários do poder judiciário, que trabalhavam com Benoni, no Fórum da cidade, prestaram a última homenagem ao amigo servidor, e servidores e sindicalistas do judiciário do Rio e Niterói também estiveram presentes.

A filha Clarissa Thomé, jornalista do Estado de São Paulo, pediu que o crime não fique impune e clamou por justiça. Emocionada, ela leu um poema feito pelo pai.

Os amigos dos tempos de militância em Niterói também vieram dar um abraço consternado nos familiares do jornalista e levar consigo a última lembrança do velho amigo. Relembrando alguns momentos de sua amizade com Benoni, Celso Sá, companheiro de lutas ao lado de Benoni nos tempos em que o jornalista morou um amigo de Niterói se emocionado. Sua irmã mais nova contou rapidamente, também bastante emocionada, como viveram crianças na antiga cidade onde nasceram – Inhuma, no Piauí – o início da militância na ainda pré-adolescência, quando com a prima Maria da Paz distribuíam folhetos falando sobre justiça social, igualdade dos direitos dos homens… há mais de 50 anos…
Enganam-se os que pensam que os caminhos se tornaram escuros e que daqui pra frente será mais difícil. Benoni nos faz agir, nos faz gritar! E esta voz nunca se emudecerá.

Cantando versos da Internacional Socialista, amigos prestaram a última homenagem ao jornalista, que durante toda a vida lutou por um mundo mais justo.

Pois bem… o homem que fez sua História, uma História de bem e para o bem, não será lembrado em notas de rodapé, simplesmente. Seu símbolo, sua bandeira, sua obra, sua vida… seu exemplo são motivos de orgulho para mim. Creio que pelo amor que vi e senti vindo dos corações de todos os que estiveram ontem no sepultamento deste irmão, este sentimento, eu o compartilho com muitas, mas muitas outras pessoas que têm e sempre terão orgulho de terem podido conviver com uma pessoa tão especial como Benoni.
Benoni, amigo, em teu nome faremos justiça! Jornalismo, sempre!

O amigo Paulo Eduardo Gomes (PSOL/RJ), bastante emocionado, dividiu com outro amigo de Benoni, Celso Sá, a responsabilidade de escrever sob a lápide a identificação de que ali jazia um homem exemplar para o Brasil.

Celso Sá...

Jornalistas, peço a gentileza de citar os créditos do site ao usar nosso conteúdo. (Texto e Fotos: Leonor Bianchi, jornalista, Editora d’O Polifônico). Obrigada. 

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