!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Turismo de Rio das Ostras no fundo do poço

Posted in Cidade, Observatório da Imprensa Local, Turismo by ImprensaBR on 10/01/2012

Enfileirados, turistas aguardavam sua vez para lavar os pés no marco de construção da cidade.

Georreferenciamento de pontos históricos, monumentos e espaços públicos de Rio das Ostras: Uma sugestão criativa e didática em educação para o turismo
Pesquisando sobre patrimônio público na Internet, encontramos muita coisa interessante. Não sei o que fazem as pessoas que trabalham no Turismo, que nunca leram sobre como transformar a visita do turista num passeio histórico pela cidade, afinal quem viaja, além de entretenimento, busca conhecimento.
Em São Paulo, uma experiência me chamou atenção recentemente. Jornalistas e artistas catalogaram todos os monumentos artísticos espalhados pela cidade e depois montara um site onde eles pudessem ser acessados através de um sistema de georeferenciamento, ou seja com localização no mapa da cidade. Clicados da web ou do celular, pois o aplicativo permite acesso de celulares também, uma caixa de diálogo se abre na tela com o nome do escultor da obra, ano em que ela foi feita e quando foi inaugurada no local público, e uma série de outras informações sobre o monumento.
O site da prefeitura não saiu na imprensa local outro dia como sendo um dos mais acessados e bem feitos por aí? Poderiam pedir aos desenvolvedores do mesmo que fizessem um projeto semelhante para ajudar a educar quem procurasse informações sobre turismo na plataforma virtual. Mas esse site está ali pra nada também…
Outra sugestão é que a Secretaria de Comunicação Social ao invés de bancar um projeto de 550 mil reais para exibir blockbuster, poderia lançar um edital, agora em 2012, desafiando os munícipes (na UFF tem um grande contingente de alunos que estudam ciência da computação) a desenvolverem uma plataforma local de georreferenciamento dos pontos históricos e monumentos históricos de Rio das Ostras. Mas isso ela não faz…
Identidade e pertencimento
O Poço de Pedras, para os turistas, lava-pés pós-praia, foi construído no século 18 por escravos. Na época, o local era conhecido como Largo de Nossa Senhora da Conceição. Foi o Poço de Pedras o marco da construção da primeira vila que se formou na localidade.
O Poço que conhecemos hoje obviamente não é original. Com as obras de urbanização da praia do Centro nos anos 90, não sei se antes da emancipação de Rio das Ostras ou depois, o antigo Poço de Pedras foi destruído. No lugar, foi edificado poço que conhecemos hoje e as esculturas da senhora com a menininha e o cachorro. Detalhe da sandália avaiana que a senhora está usando nada condiz com a vestimenta típica do período retratar na cena ali apresentada, passada no século 18! A gafe foi feita pela equipe de incompetentes que atuava (alguns ainda não largaram o osso) na Fundação Rio das Ostras de Cultura, nos idos do ano 2000, gestão do senhor Sabino, que se diz tão preservador das memórias da cidade.
Lamentavelmente, sem incentivar pesquisas sobre a história da cidade, a prefeitura cita há anos os mesmos dizeres sobre o poço. Fala de sua funcionalidade, mas em momento algum dá ênfase a sua importância para todo o povoamento aqui instalado. Ele servia para abastecer o cantil de água dos viajantes que paravam para buscar remanso na tapera que era isso aqui. Só dizem isso. A significação do Poço de Pedra na comunidade jamais fora lembrada… quanto mais a contextualização desse monumento numa cidade moderna, onde nada faz referência ao século 18. Fica complicado!
Leia mais sobre o projeto de georreferenciamento de obras de arte em São Paulo:
http://www.jornalismodigital.org/2011/07/making-of-arte-fora-do-museu/
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