!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Rio das Ostras: A cidade que mais cresceu no Brasil ainda incomunicável

Posted in Cidade, Infraesturutura by ImprensaBR on 15/01/2012
Leonor Bianchi
Além do precário serviço de acesso a internet, ainda privado e concentrado na mão de poucos pequenos empresários locais, que atendem abaixo do razoável o público usuário, os Correios e Telégrafos até hoje não conseguiram prestar um atendimento digno ao título que Rio das Ostras sustenta; o de cidade progresso.
Na redação d’O Polifônico, por exemplo, em Jardim Mariléa, não há atendimento dos Correios, exceto para Sedex. Vale ressaltar, que a redação está a 50 metros da principal via do bairro, a rua Niterói e a menos de um quilômetro do Centro de Distribuição dos Correios, instalado em Jd. Mariléa depois de forte pressão da população, que dependia do Centro de Distribuição de Barra de São João.
Em 2011, fomos solidários à categoria durante a greve de mais de um mês e sentimos na pele o atendimento dos Correios em Rio das Ostras. Durante a pré-produção (antes da greve começar) da 8a Mostra Cinema Popular Brasileiro precisamos recorrer a um amigo para podermos receber os filmes inscritos, ou ficávamos na fila da Posta Restante. A questão é que diariamente chegavam mais de 10 filmes! A Mostra é um projeto consolidado, que recebe há 8 anos filmes de todo o Brasil. Em 2011 recebemos mais de 300 filmes. Imagine perder três horas por dia de deslocamento até a posta restante… Tive um prejuízo enorme para ‘arredondar’ a logística da produção em função de todos os contratempos, ou seja, a greve, que atrasou muito o meu trabalho, mas claro, apoiei a ação da categoria. E não fosse ela, o atraso no recebimento dos filmes, já que ainda sem a greve, como os Correios não entregam cartas na rua da redação, tínhamos que nos deslocar até a base onde essas correspondências eram entregues com segurança.
Fico imaginando como devem fazer os empresários da ZEN com relação ao recebimento de correspondências… tudo bem… existem os malotes… mas será que afora essa opção, eles também precisam alugar uma caixa postal, ou será que mandam os boys diariamente no postinho dos Correios de Mar do Norte? Um postinho que, diga-se de passagem, está abandonado como todo Mar do Norte…
Faltam servidores no quadro de Rio das Ostras
Em Rio das Ostras faltam cerca de 30 carteiros na distribuição, fora os servidores de atendimento interno nas agências, e não há previsão de quando a empresa comece a convocar os aprovados no concurso que promoveu ano passado.
Também é preciso um destaque para a área de abrangência da entrega, que não cobre nem metade da cidade, privilegiando o Centro. Isso desestimula a presença de investidores (e da população mesmo!!!!) em outros bairros da cidade.
Há rumores de um movimento da categoria em nível nacional para chamar atenção para as precariedades enfrentadas por eles no serviço público dos Correios. O jornal O Polifônico apóia a causa e se coloca à disposição de todos que queiram fazer parte de uma campanha em prol do bom funcionalismo dos Correios em nossa cidade… (e em todo o Brasil). Vamos nos solidarizar às demandas dessa categoria fundamental para o desempenho de nosso trabalho.
O trabalho prestado pelo servidor dos Correios é mais importante do que podemos imaginar. Quando você começa a perder dinheiro, lembra disso. Em Rio das Ostras, pagamos todas as nossas contas com multa em função do atraso na entrega das mesmas…
Aqui, se a carta não chega não é por um erro do carteiro… é na gestão… vem antes dele chegar à sua porta…
Em 2011, os Correios e Telégrafos realizaram o maior concurso público de sua história
Foram oferecidas 8.346 vagas para Atendente Comercial (2.272 vagas), Carteiro (5.060) e Operador de Triagem e Transbordo (1.014) e formação de cadastro de reserva para o cargo de Agente de Correios, de nível médio. A remuneração base desses servidores será de R$ 807,29 mais benefícios.
Contudo, em todo o Brasil é visível o sucateamento do serviço, haja vista a contratação de funcionários ao invés da convocação dos concursados e a precariedade na prestação dos serviços oferecidos. Serviços esses, que não são baratos!
Há um mês precisei postar um livro para o Canadá. Moradora de Rio das Ostras, fui à agência dos Correios da rua do Mirante do Poeta, do antigo mercado Triângulo. Porém, ao ser informada pelo servidor detrás do balcão que postagens para o exterior só poderiam ser feitas na agência de Macaé, precisei mudar todo o meu dia e ir à busca de uma agência dos Correios que fizesse minha correspondência chegar até o Canadá. Consegui, mas só em Macaé mesmo. Lá, inclusive, vi um antigo servidor dos Correios de Rio das Ostras, que fora transferido para aquela agência… por que seria? Problemas na gestão? Pelo péssimo atendimento que prestou a mim em duas ou três situações em que precisei recorrer ao Centro de Distribuição de Jardim Mariléa para resgatar alguns filmes que chegavam para a mostra, acredito que tenha sido pelo seu mau humor, mas enfim… isso já é outro problema, o de falta de pessoal preparado para gerir a equipe…
E, nesta brincadeira de casinha que diverte tanto os gestores públicos de Rio das Ostras, quem perde é o cidadão, o trabalhador, o empresário que investiu na cidade, que perde tempo na fila da posta restante.
Hoje, se você quer morar num bairro com média acessibilidade (comunicação/ infraestrutura) em Rio das Ostras, precisa antes perguntar para o corretor de imóveis quais ruas têm serviços de telefonia, de internet, de abastecimento de água, saneamento e recebimento de cartas. Caso contrário, você acaba se colocando numa fria. Precisará alugar um serviço privado dos Correios de Caixa Postal… já que sem isso terá que enfrentar uma fila diária na posta restante do posto dos Correios no Centro de Cidadania (e nem o courier do pequeno empresário tem mais tempo pra perder nessas filas…).
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Em Rio das Ostras cartas são entregues nos domicílios*
Correios obrigados por liminar têm prazo para atendimento
Em dezembro de 2007, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça ordenou, em decisão liminar, que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos passasse a fazer entregas de correspondências nos bairros de Rio das Ostras ainda não atendidos.
Naquela época, os Correios não prestavam esse serviço em locais que não atenderiam às condições previstas na portaria 311/1998, do Ministério das Comunicações, como a denominação das ruas e a numeração dos imóveis.
A 1ª Vara Federal de Macaé deu prazo de 30 dias para os Correios começarem a distribuição, cobrada pelo MPF em ação civil pública movida em outubro. A entrega domiciliar somente não será obrigatória, onde houver risco à integridade dos carteiros e das correspondências por falta de condições de acesso e segurança. Se a liminar for descumprida, haverá uma multa de R$ 500 por correspondência indevidamente distribuída.
Segundo estimativa dos Correios, cerca de 22.700 moradores de Rio das Ostras vinham buscando as correspondências no denominado sistema de posta restante, sendo que aproximadamente 11.500 iam à agência central para receber suas cartas e encomendas, o que causava longas filas. A Justiça determinou ainda, acolhendo a pedido do MPF, um prazo máximo de 20 minutos para os cidadãos serem atendidos nas agências. O descumprimento dessa ordem implica multa de R$ 100 para cada caso e de R$ 100 para cada novos 20 minutos de demora na fila. Além disso, os Correios deverão divulgar essa decisão judicial com destaque em suas agências no município, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.”
*Texto de Rafael Ramos (Jornalista)
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Moradores do Âncora recebem caixas postais comunitárias
Parceria entre a prefeitura de Rio das Ostras e a empresa de Correios e Telégrafos pretende agilizar entrega de correspondências na cidade
Por Leonor Bianchi
Em uma cerimônia simbólica, realizada na tarde de ontem, no Centro de Cidadania, 432 moradores do Âncora tomaram posse das chaves das novas caixas postais comunitárias, por onde passarão a receber suas correspondências. O projeto de viabilizar caixas postais comunitárias e gratuitas para a comunidade do bairro já vinha sendo estudado há alguns anos, mas só agora, através de uma parceria feita entre a prefeitura de Rio das Ostras e a empresa de Correios e Telégrafos, pode ser executado com sucesso. A moradora Alair Gonçalves, 68, se inscreveu para receber uma caixa postal e foi contemplada. Ainda sabendo que o serviço de recebimento de cartas ficará melhor com a iniciativa, ela espera que as correspondências sejam entregues em casa. «Por que nossas cartas não chegam em casa e os impostos municipais chegam», indagou a senhora, que disse sempre receber contas de luz e telefone com atraso, tendo que pagá-las com multa, pela falta de agilidade dos Correios.
Cidade vai ter seu próprio Centro de Distribuição
Agilidade esta, que poderá sim, ser questionada, caso o atendimento da empresa não melhore depois de dezembro. É que no fim do ano, Rio das Ostras ganhará um centro de distribuição de correspondências – hoje localizado em Barra de São João -, para atender com mais presteza a população da cidade.
De acordo com Itamar Neves, gerente do Centro de Distribuição Domiciliar dos Correios, que participou da entrega das caixas comunitárias, além de agilizar o recebimento das correspondências, pelos moradores – o que antes era feito apenas através da posta restante -, o projeto pode ser ampliado no bairro e levado para outras localidades da cidade. «Sabemos que são necessárias mais caixas, por isso há uma proposta de ampliação do projeto não só para este bairro, como para outros, como Mar do Norte e Cidade Praia, onde devemos, em breve, abrir uma pequena agência para atender àquela comunidade», informou.
Com relação à entrega domiciliar de correspondências, ele explicou que a portaria 311/98 do Ministério das Comunicações regulamenta a mesma, desde que haja ordenamento de logradouros e identificação de números nos prédios (casas). Justificando a impossibilidade de executar o serviço em Rio das Ostras, ele disse que antes, a cidade precisa estar ordenada neste sentido, para que o serviço seja possível de ser realizado.
Diariamente, cerca de 12 mil correspondências são destinadas a Rio das Ostras. Com três agências, os Correios operam com 14 carteiros na cidade, fazendo entregas domiciliares em diversos bairros.
Atenção voltada para o Âncora
Presente à cerimônia, Leomar de Souza, presidente da Associação de Moradores do Âncora (AMBRA), lembrou que as caixas comunitárias eram uma reivindicação antiga da comunidade local, desde o governo anterior. «O ex-prefeito apresentou um projeto para o Ministério das Comunicações, que foi negado. Quando a gestão mudou, a secretária de Planejamento, Rosemarie Teixeira, tentou essa parceria entre a prefeitura e os Correios, e agora estamos recebendo essas caixas postais», disse o líder comunitário, que ressaltou, na ocasião, o término das filas na agência dos Correios do Centro de Cidadania, como um dos pontos positivos do projeto.
Afirmando que, mais do que nunca, precisa da participação comunitária para estabelecer uma nova maneira de administrar a cidade, onde todos sugiram e digam o que está precisando mudar, ou melhorar, o prefeito Carlos Augusto, que foi pessoalmente entregar as chaves, com a secretária de Planejamento e a equipe de funcionários dos Correios, lembrou que no último censo realizado no município pelo IBGE, em 2000, o bairro Âncora não existia, e hoje é um dos mais populosos da cidade, merecendo atenção redobrada para que possa continuar se desenvolvendo de forma ordenada. «Temos feito um governo de valorização do cidadão, e quero continuar contando com vocês para construir uma cidade cada vez mais feliz, com uma população que tenha preservada a sua auto-estima», disse.
Matéria feita originalmente para o Jornal Primeira Hora, publicada em 10/11/2006.
Texto e Foto: Leonor Bianchi

 

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