!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Um presente para os moradores da cidade que mais cresce no Brasil, mas que ainda não tem uma Comunicação séria

Posted in Editorial by ImprensaBR on 14/04/2012

Uma nova imprensa para além dos 20 anos de Rio das Ostras

O Polifônico inicia um novo rumo para a imprensa riostrense, há duas décadas a serviço da desinformação

O ano de 2010 nasce com perspectivas promissoras para os rumos da imprensa riostrense. Causou repugnância e assombro na cidade a falta de comprometimento de um tabloide semanal (que circula há 35 anos na região) com a comunicação, a notícia, o leitor e principalmente com o cidadão brasileiro. Um de seus colunistas exaltou e naturalizou a discriminação das minorias em uma nota publicada no final do ano passado deixando notório o preconceito e o posicionamento reacionário e elitista dos diretores e editores do veículo.

O caso foi o assassinato de um morador de rua morto a pauladas durante a madrugada, em Rio das Ostras. Um e-mail enviado para uma seleta lista de estudantes universitários do PURO, professores do Polo, servidores públicos, profissionais do serviço social, enfermagem, artistas e sociedade em geral acabou chegando a minha caixa de entrada e não pude deixar de expressar minha indignação ante o fato.

Neste contexto surge o jornal O Polifônico, que desponta como uma alternativa às minorias sufocadas, paralisadas, confusas e cada vez mais deseducadas com o conteúdo publicado pela imprensa regional e sua tamanha capacidade de desinformar, controlar e alienar o cidadão. Uma imprensa que serve à deseducação, direcionando o leitor para uma opinião simplista, sem profundidade, no mais pleno estilo ‘pasticcio’.

Na Internet desde 12 de dezembro de 2009 propondo-se a ser um instrumento de comunicação livre e democrático feito para o cidadão, O Polifônico nasce abraçando uma causa nobre: observar e analisar o discurso da hegemonia midiática que comanda nossa cidade há mais de duas décadas a fim de promover a crítica dos leitores a esses produtos editoriais, e claro fazer um jornalismo transparente e comunitário.

Viemos de um ano de vergonha para a imprensa e a política local, mas também de demonstrações de insatisfação e protestos da população diante desse cenário. Assistimos a cassação do prefeito Carlos Augusto e do vice, Broder, pela utilização indevida de um veículo de comunicação da cidade durante o período eleitoral de 2008.

Infelizmente essa é a imprensa da cidade. Jornais fabricados em fundo de quintal, sem revisores, repletos de falhas gramaticais, de sintaxe, com erros grosseiros de português, impressos com orçamentos mais do que superfaturados… Seus conteúdos, os quais não podemos chamar de matérias jornalísticas, mas sim de ‘press releases’ produzidos por jornalistas da Secretaria de Comunicação Social da prefeitura tentem a ser evasivos e não apresentam nenhuma abordagem crítica às notícias, tentando ilustrar uma administração onde tudo funciona muito bem.

O Polifônico surge dentro desse cenário de obscurantismo vivenciado pela imprensa riostrense. E 2010, ano de eleições, onde muitas inverdades ainda serão propaladas nas páginas dessa imprensa, vale indagar: será que os jornais que não circulam mais na cidade voltarão a circular este ano ressurgindo das trevas (como em todos os anos eleitorais) com verbas de fundos partidários, propinas, trocas de favores e com mais fotos de rostos que já conhecemos, para depois do voto depositado nas urnas desaparecer novamente?

Não há imprensa em Rio das Ostras. Não há jornalismo na cidade. Não há comunicação que sirva ao social feita de maneira livre e cidadã neste município. E, baseada nesta lacuna de diálogo entre o cidadão e o fato, a notícia, o poder público e a lei é que nasce esta polifonia. A etimologia da palavra explica o conceito: do grego poli (muitos), fonia (som)… muitos, vários sons, vozes… pois acreditamos que há uma massa querendo falar, mas não encontra espaço onde possa fazer ecoar sua voz nessa estrita e corrompida imprensa local.

O Polifônico, através da maior rede de comunicação do mundo – a Internet -, leva não só para o morador da cidade, para o veranista de Rio das Ostras, para os visitantes desta linda cidade, mas para todos os continentes, informação de qualidade produzida por profissionais de comunicação e por um staff – ainda em fase de formação – composto por pessoas habilitadas em diversas áreas como educação, meio ambiente, saúde, assistência social, direito, cultura, geografia, letras, filosofia, cinema, segurança pública, cultura, enfim… por pessoas qualificadas e com vontade de soltar o verbo nesse coletivo polifônico. Contamos com o suporte e a experiência de ‘amigos conselheiros’, que acumulam em seus currículos longos anos de estrada na atuação em comunicação corporativa e na mídia alternativa nacional e local e, principalmente com você leitor, que a partir de hoje terá aqui o seu canal de comunicação local.

Agora, dois anos depois o Número Zero d’O Polifônico chega impresso as suas mãos depois de muito trabalho.

Este foi o primeiro editorial do jornal publicado no site d’O polifônico em dezembro de 2009.

Intervenha. Não deixe que falem por você. Leia O Polifônico, acompanhe diariamente o site do jornal e contribua com a polifonia. Aqui você tem voz.

Um abraço, Leonor Bianchi, jornalista, Editora d’O Polifônico.

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