!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Moradores de Rio das Ostras farão ato pela liberdade

Posted in Brasil, Cidadania, Cidade, Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 02/05/2012

No próximo dia 18, sábado, a partir das 14h, na praça José Pereira Câmara, Centro, moradores de Rio das Ostras realizarão um ato pacífico em prol da liberdade. 

Segundo os organizadores da Marcha da Liberdade de Rio das Ostras “a idéia é reunir vários segmentos sociais na praça, num ato pacífico contra as opressões e a favor da LIBERDADE”.

Calma, você não está lendo uma notícia errada. O Ato aconteceu em 2011 e agora, quando faz um ano da Marcha da Liberdade em Rio das Ostras,  publicamos a nota para não deixar a mobilização cair no esquecimento.

Fica a sugestão para a organização de um novo Ato este ano. O jornal O Polifônico apoia a Marcha pela Liberdade!

Texto coletivo dos Organizadores da Marcha da Liberdade de Rio das Ostras

Estamos vivenciando um período de duras repressões aos movimentos sociais, a determinadas categorias profissionais (saúde/ educação/ segurança etc) e a segmentos da sociedade que defendem seus direitos (LGBTT/ negros/ índios/ quilombolas etc). Ao mesmo tempo, o sentido de coletividade vem impulsionando a força popular de mobilização e as pessoas estão indo às ruas expressarem suas reivindicações. A internet torna-se um veículo importantíssimo de comunicação e articulação entre os grupos, transmitindo idéias e promovendo ações que representam estes anseios. Mas isso não basta. Temos que ir para as ruas!

Neste dia 18, Rio das Ostras vai acompanhar o Brasil inteiro promovendo a Marcha da Liberdade. Brasileiros de todos os cantos do país estão convidados a irem para as ruas e, juntos, vamos dizer um basta à repressão e criminalização dos movimentos sociais. Basta à coerção e assédio moral nos locais de trabalho. Basta ao preconceito quanto orientação sexual e religiosa. 

Nossa região sofre grande influência das atividades de exploração de petróleo que, ao mesmo tempo que gera riquezas e “desenvolvimento”, traz consigo uma poeira grossa, que a cultura política local insiste em varrer pra debaixo do tapete ou esconder atrás de monumentais pontes de concreto. Não vamos ser coniventes com aqueles que querem esconder a miséria que existe aqui,que querem apagar a identidade de um povo, que querem nos calar.

Pra quem quiser saber mais:

http://www.marchadaliberdade.org/2011/06/a-marcha-pelo-brasil/

http://www.youtube.com/watch?v=OYUWhvytmJY&feature=player_detailpage

Sobre o Ato:

Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta… que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda…” Nas palavras de Cecília Meireles, somos convidados a nos sensibilizar com algo que, embora pareça tão distante do real, permeia nossas vidas e nos alimenta nessa caminhada.  

E se você ganhasse mal e fosse pra rua protestar por melhores salários e acabasse na cadeia ou com pimenta nos olhos? E se você fosse negro e, ao sair de casa pra trabalhar, alguém te chamasse de vagabundo pelas costas? E se você fosse gay e quisesse dar um beijo na boca do teu amor no meio da Amaral Peixoto em plena luz do dia, você faria? E se você fosse mulher e chegasse numa delegacia pra denunciar que foi espancada pelo companheiro e o policial de plantão te perguntasse, ironicamente, o que você fez pra merecer aquilo? E se fosse natal e teu filho, como todos os amigos da escola, pedisse um Nintendo Ultra Mega de presente e você não tivesse dinheiro pra comprar? E se te perguntassem se VOCÊ É LIVRE, o que você responderia?

Somente sentimos a dimensão de ser livre quando somos, de algum modo, oprimidos. Quando nos são retirados direitos (sejam eles o de ir, o de vir, de falar, de questionar, de ser, de escolher), cala-se em nós a maior capacidade que temos: a de sermos humanos. No mundo das abelhas, por exemplo, existe uma hierarquia natural e inalterável. A rainha nasce e morre rainha, enquanto as operárias passam a vida na labuta da produção do mel. As operárias não questionam esta condição. E a gente, o que faz?

Para que não se cale em nós a condição humana, a opressão precisa ser sentida coletivamente. Se você se sente oprimido sozinho, pouco ou quase nada de seu incômodo será ouvido. A liberdade requer o outro. Somente sentimos a dimensão de ser livre quando somos todos, quando somos juntos. E somente nessa convivência é que praticamos a liberdade. Seja quando nos sensibilizamos pela questão do outro, seja quando pensamos juntos novos caminhos para determinada situação. É nessa troca que começamos a entender as diferenças, não para tolerá-las, porque tolerar implica que talvez sejamos melhores que o outro, mas para VIVER COM. Viver com as diferenças e fazer delas não um motivo para diminuir o outro, mas para fortalecer a todos nós perante as opressões que sofremos histórica e cotidianamente.

O “inimigo” não é o teu vizinho nem teu colega do trabalho. Ele é uma máquina invisível e constante que vai comprimindo nossas utopias e nossa liberdade em nome dos interesses de quem comanda essa engrenagem. Recuse-se a ser apenas uma peça nisso tudo. E experimente ser quem você é, coletivamente.

Clique aqui e leia o jornal produzido para a Marcha da Liberdade de 2011 em Rio das Ostras. 

Colaborou com o envio do texto: Organização da Marcha da Liberdade de Rio das Ostras

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