!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Nada Deve Parecer Impossível De Mudar

Posted in Brasil, Cidadania, Cidade, Eleições 2012, Esporte, Matheus Thomaz by ImprensaBR on 04/07/2012

Por Matheus Thomaz

Desconfiai do mais trivial,na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente:

Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,

Pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada,

de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada,

nada deve parecer natural

nada deve parecer impossível de mudar.

(Bertolt Bretch)

Terminou o prazo para a formalização das candidaturas tanto a prefeito como de vereador para as eleições deste ano. Outro veículo de informação local afirmou que serão 4 os postulantes ao cargo de prefeito de Rio das Ostras. Uma chapa com um azarão da burguesia local, um braço político do Garotinho, o Deputado Sabino e o atual vice-prefeito. Essas quatro candidaturas resultam do fracionamento das forças que dominam Rio das Ostras desde sua emancipação.

Porém existe mais uma candidatura! O Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, apresentou sua chapa ao pleito. Concorrendo sem alianças o partido aposta na onda solar da primavera carioca. A convenção aconteceu na última sexta-feira, dia 29 de junho. Mais de 100 pessoas estiveram na Câmara de Vereadores para dar apoio e prestigiar o lançamento. Não teve queima de fogos, carreata ou quaisquer outros estardalhaços.  O objetivo não era um espetáculo para a sociedade ou mais uma encenação da sociedade do espetáculo, os ventos ali eram sugestivos de mudança. Ventos que semeiam campos e junto aos passarinhos da liberdade espalham as sementes das flores primaveris.

A chapa do PSOL é composta por dez candidatos a vereadores e tem como candidata a Prefeita Lena, de 39 anos, auxiliar de serviços gerais contratada da Escola Jacintho e presidente da Associação de Moradores do Âncora. Líder comunitária aguerrida que nunca se furtou em enfrentar e denunciar a gestão municipal no seu (dês)gorverno a favor de uns poucos. Sua luta é por questões elementares como água, iluminação, segurança, saúde, transporte e educação.

O PSOL vai apresentar um programa consistente para a cidade de Rio das Ostras. O conjunto da militância já tem uma boa análise geral e de algumas áreas específicas das políticas sociais como: educação, transporte e saúde. É parte da discussão do PSOL também a questão do combate às opressões, a questão da mulher, dos LGBT’s. Rio das Ostras tem uma questão ambiental muito séria, a forte tensão entre busca de lucros pela especulação imobiliária e a preservação de características naturais e uma ocupação planejada do espaço. Será apresentado o debate do ecossocialismo com propostas concretas. É também preocupação a questão democrática e a participação popular com a idéia de fortalecer os conselhos de políticas e de direitos.

A proposta é uma mudança de prioridade nas finanças públicas, a cidade não será mais uma sala de negócios de meia dúzia de empresas em quanto que a população e as políticas públicas ficam com as migalhas que caem do banquete farto da burguesia. O PSOL se propõe a fazer uma grande auditoria em todas as contas e contratos de serviços da prefeitura, passar um pente fino nas finanças públicas. Reduzir o desperdício e melhorar a qualidade do gasto público, acabar com o cabide de emprego com cortes de cargos desnecessários como fiscal de corredor e secretário do carro oficial.

Havia uma energia forte na convenção. Trabalhadores e estudantes lá presentes tinham um brilho nos olhos, eles sabem que estão fazendo história. Terão uma batalha dura e difícil pela frente, enfrentar toda a máquina eleitoral do governo municipal e estadual e mais as altíssimas cifras que essas candidaturas arrecadam junto a empresários muito interessados em política. Dirão que os lutadores são como o Incrível Exército de Brancaleone, partirão para desqualificação. Mas tentarão a todo custo os fazer invisíveis! Farão isso por que temem esses jovens com brilhos nos olhos e coragem nos corações. Temem a força do povo, temem a consciência política da população.

Já experimentaram esses ventos fortes de lutas. Acredito que não tenham se esquecido do último sete de setembro, o Grito dos Excluídos de Rio das Ostras. O grito foi tão ensurdecedor que fez o prefeito sair zonzo, calado e derrotado de seu palanque. Essa voz já se levantou em outros momentos como no 15-O, como a Marcha da Maconha, Marcha da Liberdade, nas grandes manifestações protagonizadas pela comunidade universitária da UFF, nas mais de 500 pessoas que foram às ruas protestar contra as quatro secretarias falcatruas que foram criadas. Ainda assim tentarão dizer que esses movimentos são vazios.

Dirão que esses do PSOL são só uns pobres jovens sonhadores, que a política não é para eles. Que não se chega a lugar nenhum sem aliança e coligação. Que a política sempre foi assim, que sem gastar uma dinheirama não se elege. Repetirão centenas de vezes que só um deles tem chance de ganhar, que votar no PSOL é desperdiçar o voto.  Que é impossível fazer diferente! Que eles sabem como fazer política.

Em todo esse contexto a candidatura do PSOL representa a esperança.

É a mais singela expressão de que nada deve parecer impossível de mudar.

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