!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Rio das Ostras, Rosemberg Cariry, e os Núcleos Audiovisuais de Desenvolvimento Sustentável

Posted in Brasil, Cidade, Comunicações, Cultura, Economia, Videofonia by ImprensaBR on 01/08/2012

LB

O Conselho Superior de Cinema terá sua diretoria renovada. Rosemberg Cariry, que presidia a atual gestão enviou um e-mail, que deveria ser lido por todos que pleiteiam cargos no setor de Cultura nos próximos mandatos políticos.

Estou temerosa pelos rumos que as discussões sobre cultura – e dentro dela o setor audiovisual -, vem tomando em Rio das Ostras. Pelo que consta, querem transformar Rio das Ostras numa ‘roliúdi’ roceira metida à besta e superfaturada. Vejo o caminho inverso do que Rosemberg fala em seu documento acontecer aqui em casa, por que seria?

Em tempo… a…

Cultura (gestão) tem que ser feita e pensada por gente do lugar. Não adianta falar de glocalização, de absorção de culturas e transcriação de saberes e tradições porque isso não funciona na vida burocrática. Fica lindo apenas nos livros densos de antropologia, mas no gabinete e nas ruas, nos muros, nas telas, a cultura é feita de outra maneira. E quem pensa essa cultura, para vibrar por ela, precisa sentir-se pertencente ao lugar, a essa cultura. A afirmativa não é hermética, apenas uma identificação do que funciona e do que não funciona na gestão deste setor.

Não gostaria de ver a nova gestão que virá – seja qual for – suplantar as iniciativas culturais que brotam do povo, dos agentes culturais locais, mas sei que o caminho para que o setor tenha uma gestão coletiva e coerente com o modelo mais básico de gestão cultural que está rolando mundo afora e Brasil a dentro, será de muita luta e alguns desgaste, prevejo.

Leia a carta e-mail enviado por Cariry.

IDEIA PARA ELABORAÇÃO DO PROGRAMA DOS NÚCLEOS AUDIOVISUAIS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (correspondentes aos núcleos de agricultura familiar)

Valorização, consolidação e inclusão das micro, pequenas e médias empresas, voltadas para a produção audiovisual regional, já instaladas ou que venham a ser instaladas, de forma a integrá-las no processo nacional de desenvolvimento sustentável do audiovisual.

Um breve diagnóstico aponta que muitas destas micro, pequenas e médias empresas, ONGs e núcleos familiares, ligadas a atividades audiovisuais, tematicamente especializadas na produção de vídeos (cantorias, romarias, turismo, religiões afro-brasileira, espiritismo, música, futebol e etc) devem ser atraídas para a inclusão legal, através do apoios às suas atividades produtivas e treinamento especializado das suas equipes.

Isto significará milhares de micro, pequenas e médias empresas incluídas ao processo de legal do crescimento econômico brasileiro e as pequenas e micro empresas irão produzir centenas de horas de conteúdo audiovisual, tecnicamente melhorado, que poderão fluir não apenas no mercado informal de DVDs (como acontece agora), mas também nas TVS comunitárias e públicas e mesmo em algumas salas, através de circuito popular de exibição digital, a exemplo de alguns filmes de longas-metragens que fazem imenso sucesso no mercado informal. Terá especial atenção, neste programa, as pequenas produtoras de filmes de Arte que trazem prestígio para a nação e valorizam o nosso capital simbólico, neste caso se aposta também na juventude e na renovação de linguagem.

Através de uma ação interministerial (Ministério da Cultura, Ministério da Educação, Ministério da Indústria e Comércio, Ministério de Ciência e Tecnologia, Ministério do Trabalho, Ministério da Economia e etc) seriam criadas linhas de créditos específicos, editais específicos, programas de inclusão e de melhoramentos para as micro, pequenas e médias empresas, nas cinco regiões do país. A SAV e o SEBRAE, junto com outros ministérios e secretárias, podem trabalhar juntos neste projeto. Uma ação como esta vem de encontro aos esforços do governo federal para o crescimento e sustentabilidade da indústria e do processo econ�?mico brasileiro.

É preciso criar novos paradigmas e tirar do audiovisual o seu escopo excludente e a sua aura de inatingível, reservada apenas para as empresas de maior porte e os grandes produtores, em uma concentração de renda antissocial e contrária à integração nacional e ao pacto federativo.

Temos duzentos milhões de habitantes neste país e um filme nacional considerado de sucesso tem um 2 milhões de espectadores, portando todo o dinheiro investido na cultura vai para financiar o privilégio de 1% fs população, confinada ao espaço do shopping center. A pergunta que não quer calar é: existe vida inteligentes fora dos shoppings center? Por que não fazemos o menor esforço para que o cinema saia dos guetos dos shoppings center? A quem interessa este atual modelo? Perguntem ao homem Aranha e a resposta virá no extrato da sua conta bancária.

É preciso seguir o exemplo da agricultura familiar, responsável pela parte do alimento que chega à mesa do cidadão brasileiro. No caso do audiovisual estamos falando do pão do espírito, em “Padaria espiritual”, como queriam os modernistas cearenses, no ano de 1892, antecipando em 30 anos a semana de arte de 22.

No novo modelo, seriam financiadas também micro, pequenas e médias empresas de distribuidores e exibidores, com atuação regional e nacional. Volta-se à ideia dos cinemas de família (3 a 10 salas por empresa), em cidades pequenas e de porte médio, bem como os cinemas itinerantes (centenas de cinemas ambulantes, como na Índia), rodoviários e hidroviários, com apoio do BNDS, Banco do Nordeste e outros bancos de desenvolvimento regionais, SEBRAE, da SAV, da ANCINE e de outros ministérios através de um programa comum. Também os cineclubes seriam convidados a participar deste processo, retomando o exemplo do projeto do CINEPOP. Seriam assim financiadas, por todo o país, núcleos sustentáveis de micro, pequenas e médias empresas regionais de exibição e distribuição, de modo a criar um novo modelo social, econ�?mico e cultural para o cinema brasileiro. Podemos ser a Nova Índia, assegurando para o produto audiovisual brasileiro mais de 60% do mercado interno. Isto
significaria também uma grande injeção de recursos na economia popular, podendo tal projeto ser compreendido dentro das políticas de distribuição de renda e de compensação postas em prática pelo Governo brasileiro. Todas as salas seriam com exibição digital através de tecnologias já existentes, desenvolvidas pelas universidades brasileiras. Os cinturões digitais instalados no diversos estados contribuiriam para a difusão destes conteúdos audiovisuais.

Outra proposta que pode transformar por completo o panorama atual do audiovisual no Brasil e que, no mínimo, 50% de todos os filmes realizados no país, depois de cinco anos do seu lançamento, fossem submetidos a uma comissão pública, com membros de diferentes áreas da cadeia produtiva e das representações sociais, �?para serem licenciados, ao custo médio – por exemplo – de R$200.000,00 ou R$ 300.000,00 cada um, para exibição em todo os circuitos de TVs públicas, TVs Educativas, TVs comunitárias, de infovias (banda larga), hospitais, asilos de terceira idades, creches, sindicatos, comunidades quilombolas, etc e etc. Sendo também acessível o seu uso pelas escolas públicas e universidades brasileiras. Este programa será desenvolvido pela Programadora Brasil, devidamente transformada, com um conselho com representante de todas as regiões do país e não apenas do sudeste, que ampliará a compra de direitos também para distribuição em bancas de revistas e livrarias da produção nacional, a preços populares (tipo cinco reais um DVD). Ao mesmo tempo em que o produtor audiovisual brasileiro estaria sendo visto por milhões, estaria também sendo reforçadas as produtoras como pequenos núcleos sustentáveis de produção. Este dinheiro obtido com a venda das licenças financiaria ou ajudaria a financiar o novo projeto da pequena empresa e o surgimento de uma indústria sustentável e de um cinema verdadeiramente popular. Viveríamos um boom de desenvolvimento no setor.

PROJETO SUSTENTÁVEL DE DESENVOLVIMENTO AUDIOVISUAL REGIONAL

A SAV, juntamente com a ANCINE, cuidará de articular novos arranjos produtivos, através de Fundos Regionais Audiovisuais e projetos sustentáveis para o desenvolvimento audiovisual nas cinco regiões do Brasil.

A ideia de criação destes fundos e projetos sustentáveis para o desenvolvimento audiovisual, nas regiões, parte da premissa de que é preciso mudar o quadro que se está desenhando de forma concentracionário e asfixiante da diversidade, ampliando a produção audiovisual em todo o país, incentivando novos modelos de produção (novos arranjos produtivos) e de construção estética.

No Nordeste, a sugestão é de que o fundo seja composto por recursos do FSA, do FNE (Fundo Constitucional para Desenvolvimento do Nordeste), do Banco do Nordeste, do BNDES e por empresas públicas e privadas que já participam de muitas produções cinematográficas (trata-se agora de ordenar, de racionalizar, de melhor operacionalizar estes investimentos).

O Nordeste (assim como as outras regiões do Brasil) pode se tornar uma Nova Índia, no que se refere à produção do audiovisual popular. É preciso lembrar que a indústria do forró, do axé, dos festejos de São João (incluindo o mega negócio que é o carnaval no Nordeste), independente dos poucos méritos culturais e estéticos, cresceu à margem de todas as multinacionais do disco e mesmo das grandes redes de televisão e é hoje um negócio de milhões e milhões de reais, forçando a indústria de entretenimento do sudeste a ficar como seu reboque.
Se foi possível para estes setores é possível também para o audiovisual.

Quando falamos em região não estamos falando em espaços fechados e em econ�?micas estáticas. É preciso pensar os fundos regionais abertos para a produção inter-regional. Tudo isto, somado aos editais estaduais existentes, voltado apenas para os realizados dos estados, seria de grande importância e ajudaria a mudar o atual perfil da produção brasileira.

Uma outra ideia que toma corpo é que cada uma das regiões tenham uma TV Pública (TV NORDESTE, por exemplo), via satélite, reunindo o melhor das programações das TVs educativas, culturais, comunitárias e universitárias regionais. Em cada um destas TVS regionais haverá reserva de conteúdo para outras regiões, de tal forma que seja estabelecida uma grande e generosa rede de produção e exibição de conteúdo brasileiro. Todo o país poderia se ver via satélite.

O produtor Luiz Carlos Barreto apoia e integra todas estas ideias ao plano que ele está propondo, juntamente com várias entidades do cinema brasileiro, para discussão junto ao Governo Federal, ao MinC, à Ancine, à SAV e outras instituições.

Peço à secretaria do Conselho Superior de Cinema que deixe devidamente registrada em ata estas propostas que não são minhas. Em verdade, são propostas democráticas e transformadoras de amplos segmentos sociais da nação brasileira.

 

Anúncios

Comentários desativados em Rio das Ostras, Rosemberg Cariry, e os Núcleos Audiovisuais de Desenvolvimento Sustentável

%d blogueiros gostam disto: