!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Um ano de O Polifônico impresso

Posted in Editorial by ImprensaBR on 14/04/2013

Leonor Bianchi

Jornal lançado em ano eleitoral só pode ter dois caminhos a seguir: o primeiro, é ser uma folha legítima das demandas sociais e mostrar à comunidade quem são os políticos vigentes e aqueles que desejam se eleger, a fim de elucidar o cidadão sobre essas personagens e como poderão (ou não) colaborar para o desenvolvimento da cidade como gestores públicos (a imprensa (também) tem a função de agir como um instrumento de educação); a segunda, é vender-se ao comércio do voto, abrir uma empresa com um testa de ferro à frente da redação, publicar muitos santinhos em suas páginas e seguir sendo a imprensa (chapa branca) oficial do grupo político que a sustentou durante o período da campanha.

É por isso que sempre desconfiei de jornal lançado em ano eleitoral. Mas foi há um ano, justamente em um ano eleitoral, que o jornal O Polifônico teve seu número Zero publicado. Se eu for contar hoje, passado este primeiro ano do impresso – que chegou às mãos de aproximadamente cinco mil pessoas -, as condições sob as quais ele foi às ruas, creio que ainda não ficaria confortável com o que teria que dizer aos meus leitores, afinal, assim como fiz, recebi muitas propostas de ‘parcerias’ para rodar o jornal; a diferença entre elas é que enquanto as minhas eram sempre em defesa da inserção de um jornal verdadeiro, de uma imprensa livre na cidade, as que recebi dos políticos locais com os quais O Polifônico tentou dialogar eram sempre no nível da cooptação. Mas este capítulo da história da imprensa local eu prometo que conto, noutra hora…

Nesse contexto em que nasce O Polifônico, já circulava na cidade um super tabloide quatro cores financiado com recursos que não pareciam vir de publicidade. Concorrer com um jornal colorido, com formato diferenciado, distribuído gratuitamente para cerca de 20 mil pessoas não seria tarefa fácil. O povo sabe o que está lendo, sabia que tratava-se ali de uma imprensa chapa branca, mas ora, chapa branca ou chapa quente, era ela que ia parar nas mãos dos servidores da prefeitura, dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade. Era ele o jornal com maior poder de comunicar… de chegar até o leitor.

A questão do número de exemplares, da distribuição do jornal, seus anunciantes, acaba se sobrepondo ao seu conteúdo do mesmo, mas a internet chegou para provar que o contrário, ou seja, mesmo sem mega recursos um jornal pode sim ser bem produzido e construir interlocutores de alto nível intelectual e crítico. E este foi o caminho adotado pelo jornal O Polifônico.

A internet, nosso formato original desde que o jornal começou a ser editado em 2009, nos indicou que os novos formatos digitais de comunicação e distribuição de produtos editoriais são o futuro da comunicação e do jornalismo em nível mundial. E do jornalismo local também se entendermos que nos menores grupos, onde apenas pessoas realmente interessadas com determinado assunto interagem com frequencia, as redações têm um enorme poder de diálogo e interação com seus leitores.

Um ano depois de seu número zero ir às ruas – O Polifônico saiu impresso na semana de 20 anos de emancipação de Rio das Ostras, comemorado no dia 10 de abril – repensamos nossa estratégia de comunicação e decidimos manter apenas o jornal online. Ou era isso, ou teríamos que seguir o segundo exemplo que dei lá em cima no primeiro parágrafo do Editorial. E não era aquela a nossa proposta. Mantivemos a versão online do jornal e através dela estamos conseguimos não só atingir nossos objetivos de interação com o leitor, como dia após dia abrimos uma nova interface de diálogo com pessoas e comunicadores de outras partes do Brasil e do mundo. Pessoas que sentem-se representadas pelo jornal, que gostam de ler O Polifônico, que tomam-se de esperança quando veem que podem participar do processo de feitura do jornal, pessoas que se identificam com o conteúdo expressado em suas editorias, pessoas que, quando estou viajando, mandam e-mails à redação e pedem para eu não deixar de atualizar o jornal por mais longe que esteja de Rio das Ostras… pessoas que respeitam O Polifônico, pois se reconhecem na proposta editorial do jornal, pessoas que me deixam extremamente feliz e me transmitem força para continuar nesta árdua tarefa diária que é ser um jornalista regional neste Brasil.

Mais uma vez agradeço à pessoa mais importante em todo este processo: Catarina Fellows, a quem dedico todo o meu trabalho enquanto uma agente de transformação social através do jornalismo e da comunicação. Uma mulher fantástica, uma Educadora para toda a vida, para tudo na vida, a historiadora macucoense, que me ensinou a gostar cada vez mais do quintal da nossa casa, da nossa história de vida, uma mulher que me ajudou a ver que há sempre uma nova forma de amar e que a humildade está no ato do perdão sincero de si para o mundo.  

Deixo aos novos leitores do Polifônico, que não leram a edição Zero, a versão PDF do impresso.

Obrigada a todos que fazem parte desta polifonia.

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