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Protegido: Os ‘donos’ da Cultura de Rio das Ostras fazem Fórum de Cultura de mentirinha

Posted in Cultura, Editorial, Rio das Ostras by ImprensaBR on 03/07/2013

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Casa & Vídeo terá que pagar R$ 70 mil ao Sindicato dos Empregados do Comércio de Rio das Ostras

Posted in Cidade, Editorial, Rio das Ostras, Trabalho e Renda by ImprensaBR on 24/06/2013

LB

Rio das ostras – O juiz do Trabalho da 2ª Vara do Trabalho de Cabo Frio, Posto Avançado de Rio das Ostras, Célio Baptista Bittencourt, determinou que a Casa & Vídeo não mais negocie pontos de interesse dos trabalhadores com qualquer outra entidade representativa senão o Sindicato dos Empregados do Comércio de Rio das Ostras, condenando a empresa a indenizar a entidade sindical em R$ 70 mil por de danos morais.

O presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio em Gerais, Hotéis e Similares de Rio das Ostras, Virgílio Éderson Lagrimante, comemorou a sentença, expedida no início de junho. “Foi uma decisão muito importante, que reconheceu nossa carta sindical e que reestabeleceu a liberdade de negociação e a unicidade sindical em nossa base”, afirmou Virgílio.

O presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Rio das Ostras explicou que por três anos a Casa & Vídeo, líder em vendas no varejo fluminense nos setores de utilidades domésticas, ferramentas, climatização e eletroportáteis, negociou o Acordo Coletivo de seus trabalhadores com seu sindicato. Mas, nos últimos três anos, se negava a negociar a Convenção Coletiva com o Sindiempregados e passou a fazê-lo com a Federação dos Empregados no Comércio do RJ.

“A Federação dizia que nós não existíamos. Como assim? Nossa carta sindical tem nada menos que 24 anos! A Federação pretendia tomar tudo para si. Entramos com uma ação, que legitimou nossa representação junto à base. A Federação está proibida de interferir. A Justiça condenou a Casa & Vídeo, que também está proibida de fazer a Convenção Coletiva com a Federação ou qualquer outro Sindicato, dentro de nossa base. Parabenizo a Justiça do Trabalho, que mais uma vez demonstrou estar atenta e pronta para defender o trabalhador ante as grandes raposas deste país, que são as empresas bilionárias”, ressaltou Virgílio Lagrimante.

O líder sindical informou que já prepara novas ações de cumprimento contra a Casa & Vídeo. “Não quero saber se é tubarão ou se não é. Direito é direito! Terão que cumprir nosso Acordo Coletivo e podemos até convocar uma greve para que a empresa cumpra o repouso remunerado aos domingos, coisa que eles não vêm respeitando”, anunciou Virgílio.

Sindicado de um único representante

Lagrimante… falta de ética passou ali e ficou. Conhecido por moradores antigos de Rio das Ostras por ter participado intensamente do movimento emancipatório da cidade, é conhecido também por sua falta de caráter. É o que eu dizem os mais velhos… O cara é tão sinistro, que olha ele aí há 30 anos presidindo o Sindicato! Nem a Federação reconhecia a legitimidade do sindicato por ele presidido.

Entendo que as empresas têm que buscar a entidade sindical nas quais possam confiar. Se não estavam submetidas ao sindicato do Lagrimante é sinal de que não havia elo de confiança. Mas o presidente forçou a barra e ganhou na justiça. Que feio. Ter que ganhar este reconhecimento por essas vias… Queria poder defender as organizações sindicais da minha amada Rio das Ostras, mas é tanta pilantragem, que a gente tem que admitir que tratam-se de aproveitadores e aparelhadores desses instrumentos que deveriam servir ao trabalhador e não ao patronato e aos políticos.

LB com base em texto da Força Sindical

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Juventude vai às ruas também em Rio das Ostras

Rio das Ostras 2013. A cidade mudou. São 21 anos desde que o distrito de Casimiro de Abreu emancipou-se. A ‘cidade mãe de quem nasce ou de quem vem pra ela’ como diz seu hino, deixou tanta gente mamar em seu seio e comer do seu pão, que, hoje, o número de habitantes da cidade dormitório, da cidade universitária, da cidade esperança, ultrapassa 130 mil e só tende a crescer.

Desde segunda-feira (18) a juventude está saindo às ruas, unindo-se ao movimento das manifestações em todo o Brasil e convidando a população a acompanhar.

Ontem, cerca de 200 jovens, estudantes, trabalhadores, servidores públicos, moradores de Rio das Ostras, organizaram-se em uma manifestação pacífica em frente à Praça José Pereira Câmara, no centro da cidade.

Hoje à tarde, os organizadores do movimento em Rio das Ostras farão uma Oficina de Cartazes e, às  17h, o grupo se reunirá na Praça José Pereira Câmara e seguirá em marcha até a Câmara Municipal, em Terra Firme.

Segundo um dos responsáveis pela comissão de organização das manifestação em Rio das Ostras, cujo nome prefiro preservar no anonimato, o “Movimento é, ao mesmo tempo autônomo e local, tendo como pautas: a Saúde, o Planejamento e o Transporte, a Educação e a Segurança Pública; mas também é a fração do movimento nacional, que a partir do mote dos transporte, se propõe a rediscutir a nossa sociedade como é concebida hoje numa perspectiva de revolução dos paradigmas culturas, econômicos e sociais estabelecidos hoje pelo sistema capitalista.”

Aderindo ao cenário nacional das manifestações que reivindicam a não aprovação da PC 37, que tira o poder investigativo do Ministério Público, o aumento do curto de vida e, principalmente o respeito aos usuários dos transportes coletivos com melhorias das frotas e redução das tarifas de ônibus em todo o Brasil. Rio das Ostras entra na lista das cidades que estão mostrando a força do povo contra os desmandos dos governos e isso, além de ser histórico, representa o amadurecimento da juventude local, que ao longo dos últimos oito anos vem aprendendo a ir pras ruas lutar por dias melhores e condições mais dignas para trabalhar e viver na cidade.

Com relação à relação da PM para com os manifestantes, pelo que vemos no vídeo, aparentemente, contrariamente ao posicionamento da Guarda Municipal em outras manifestações que já vi em Rio das Ostras, onde a mesma recebe comando de formar barreiras e impedir os manifestantes de seguirem em marcha, os policiais militares que aparecem dialogando com um dos manifestantes no vídeo, agiram de maneira pacífica.

Ainda não foi confirmado, mas parece que a Fan Page criada pelos manifestantes na maior rede social do mundo foi bloqueada e denunciada e acabou caindo do ar. O que parece não ter influenciado em nada o movimento, já que horas depois, outra Fan Page já estava online e hoje conta com mais de 4 mil pessoas confirmadas para a manifestação de hoje e de amanhã na cidade.

Rio das Ostras, vem pra RUA!!! Acesse a Fan Page aqui!

Participe do Evento!

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Educação de Rio das Ostras: Novas leis aprovadas esta semana garantem Regência de Classe e redução da jornada para professores

Com adendo de R$ 580, 69 e redução da jornada de trabalho de 25 para 20 horas, concedido esta semana pelo governo, professores de Rio das Ostras podem se considerar uma categoria forte, ou ao menos respeitada pela administração pública

Por Leonor Bianchi

Com certeza estas são as notícias da semana em Rio das Ostras. Na última edição do Diário Oficial do Município (635) – (leia o DO no site do Polifônico) -, o governo anunciou medidas que beneficiarão os professores da rede pública municipal de ensino. Uma delas trata da publicação da lei 1780/ 2013, que estabelece o pagamento de Regência de Classe (R$ 580, 69) para os professores municipais.

A nova lei da Regência, prevê pagamento dos R$ 580, 69 com data retroativa a primeiro de janeiro deste ano para todos os professores e pagamento integral do benefício em períodos de recesso e férias escolares.

A outra medida anunciada esta semana pelo governo foi a de redução de jornada de trabalho, que favorece professores I e II da rede. A lei equipara a carga horária destes professores e equaciona o problema da diferença de jornadas de trabalho entre os profissionais que desempenham a mesma função. Reduzir a jornada de trabalho ao invés de aumentar os vencimentos dos professores de 25 horas foi a solução encontrada e acordada entre o governo e a categoria. E a opção foi a mais acertada mesmo, já que segue diretrizes do governo federal no que tange a redução da jornada dos professores para 20 horas.

Rio das Ostras tem atualmente 435 professores atuando em regime de 25 horas. Com a redução da jornada para 20 horas, a prefeitura precisará preencher 220 vagas do quadro de professores para atender a demanda atual da rede.

O fortalecimento da categoria representa sua maturidade e capacidade de dialogar e negociar com o poder público

Para quem vinha acompanhando as reivindicações dos professores da rede no que diz respeito a melhorias e adequações trabalhistas para a categoria, sabe que neste último mês, depois de muitos anos,  a mesma apresentou um indicativo de greve. Não sei de onde saiu um cartaz postado no perfil do Sindserv-RO, há uns 20 dias, por um homem que não respondeu minha mensagem quando tentei apurar a informação, e também não vi na rede nada que remetesse ao posicionamento do sindicato dos servidores com relação ao fato.

Se eu quiser interpretar ‘por aqui’… a lei pode ser resultado de uma grande jogada, e insulflada internamente pelo próprio governo. Mas pode ser, também, bom senso, o que, inclusive, espero sinceramente que seja, já que estamos falando de profissionais da Educação que tiveram um Plano de Carreira atropelado recentemente pelo último governo e aprovado nas coxas. A mesma Educação, inclusive, que vai às urnas com seus centenas de profissionais a cada eleição municipal computar em número de votos o mesmo de seu quadro de servidores, praticamente. Não esqueçamos que as políticas nos âmbitos das melhorias para os trabalhadores se dão geralmente em troca de votos e lucro. Seguindo esta lógica, nas administrações públicas, geralmente o maior número de trabalhadores está concentrado nas secretarias de Saúde,  Educação… E, como servidor = votos… por que não conjecturar um contra golpe? Sei lá, nada mais me surpreende, saca?

Vi o governo de Carlos Augusto destratar os professores e profissionais da Educação se utilizando de práticas que envolviam abuso de poder, assédio moral e acabaram por desaguar em muita falta de ética por parte dos gestores da pasta na condução da gestão. Ta aí pra quem quiser ver, explodindo na imprensa local e regional, e nacional!, o caso de superfaturamento em contratos feitos pela Educação de Rio das Ostras envolvendo os nomes do ex-prefeito de Rio das Ostras e da ex-secretária de Educação, Maria Lina Paixão, que ficou os oito anos de seu mandado à frente da secretaria. Uma senhora de seus 80 e poucos anos com quem, diga-se de passagem, conversei muitas vezes depois das entrevistas que fiz com ela. sobre a Educação no Brasil e em Rio das Ostras. Uma pessoa que jamais imaginei estar disponível a tamanha safadeza com dinheiro público. As aparências enganam…definitivamente…

Mas enfim, com relação a ‘Lei da Regência’, pode ter sido sim uma jogada brava sim, e boa, excelente estratégia diria… Falta saber de que lado ela realmente brotou e se as sementes darão frutos ou ervas daninhas…

Folha de pagamento não pode ser paga com royalties

Não diria onerar, pois remunerar melhor servidores não significa ônus para a administração pública e sim investimento para ela mesma e para toda a sociedade, mas quanto será que esse adendo no vencimento dos professores vai custar aos cofres municipais? Isso sem contar que a PMRO precisará de mais 220 professores no quadro pra já, e que este não pode ser pago com recursos de royalties e participação especial.

O fato é que o governo conseguiu sair ganhando com o resultado da negociação com os professores. Mas outro fato que também não podemos esquecer é que e a administração atual não fez nada além do que eu dizia que seria motivo de barganha mais ‘lá na frente’. E o ‘lá na frente’ chegou, foi esta semana. E o acordo saiu. Sabino está bem na foto, mas quem realmente ganhou foi a categoria, que saiu vencedora e mais forte dessa negociação do que esteve nos últimos oito anos.

O que precisa ser rapidamente desmistificado neste episódio é que o prefeito não fez nada que já não tivesse que ter sido feito pelo anterior. Por que digo isto? Qualquer um que está acompanhando a história diria. Mas no meu caso, porque era jornalista do Sindserv-RO no período e vi de perto e pela visão dos servidores como o processo de indicação e aprovação desse Plano de Cargos foi feito.

Na época em que o Plano de Cargos da Educação foi aprovado, meados de 2011, os políticos do município já começavam as articulações para as eleições municipais que viriam em outubro de 2012. O então presidente da Câmara, Carlos Afonso, fez a indicação da lei e ele mesmo a aprovou sem muita conversa com a categoria e a entidade sindical. Então, senhoras e senhores, também não é assim. calma aí! Não estamos diante do feito do ano, mas sim de bom senso, uai. De bom senso e de uma prerrogativa interessante nestes primeiros meses ‘sob nova direção’, a do diálogo. Diálogo entre a administração pública e os servidores. Sobre isto sim devemos refletir. Tomara que esses ventos dialógicos soprem em outras esferas do governo e deste para com a sociedade.

Leia no Polifônico, todo sábado, o Diário Oficial de Rio das Ostras.

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Quissamã tem cinema, mas o cinema não está em Quissamã

Posted in Brasil, Cidadania, Cinema, Cultura, Denúncia, Editorial, Educação, Região, Videofonia by ImprensaBR on 12/05/2013
cinema quissamã

Quissamã tem cinema. Este foi construído há menos de 10 anos e funciona no Sobradinho, onde acontece uma cena cultural. Quero assistir cinema brasileiro no cinema de Quissamã e não home vídeo estadunidense, e infantis que só deseducam meus filhos… @Videoteca Cinema popular Brasileiro

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Um ano de O Polifônico impresso

Posted in Editorial by ImprensaBR on 14/04/2013

Leonor Bianchi

Jornal lançado em ano eleitoral só pode ter dois caminhos a seguir: o primeiro, é ser uma folha legítima das demandas sociais e mostrar à comunidade quem são os políticos vigentes e aqueles que desejam se eleger, a fim de elucidar o cidadão sobre essas personagens e como poderão (ou não) colaborar para o desenvolvimento da cidade como gestores públicos (a imprensa (também) tem a função de agir como um instrumento de educação); a segunda, é vender-se ao comércio do voto, abrir uma empresa com um testa de ferro à frente da redação, publicar muitos santinhos em suas páginas e seguir sendo a imprensa (chapa branca) oficial do grupo político que a sustentou durante o período da campanha.

É por isso que sempre desconfiei de jornal lançado em ano eleitoral. Mas foi há um ano, justamente em um ano eleitoral, que o jornal O Polifônico teve seu número Zero publicado. Se eu for contar hoje, passado este primeiro ano do impresso – que chegou às mãos de aproximadamente cinco mil pessoas -, as condições sob as quais ele foi às ruas, creio que ainda não ficaria confortável com o que teria que dizer aos meus leitores, afinal, assim como fiz, recebi muitas propostas de ‘parcerias’ para rodar o jornal; a diferença entre elas é que enquanto as minhas eram sempre em defesa da inserção de um jornal verdadeiro, de uma imprensa livre na cidade, as que recebi dos políticos locais com os quais O Polifônico tentou dialogar eram sempre no nível da cooptação. Mas este capítulo da história da imprensa local eu prometo que conto, noutra hora…

Nesse contexto em que nasce O Polifônico, já circulava na cidade um super tabloide quatro cores financiado com recursos que não pareciam vir de publicidade. Concorrer com um jornal colorido, com formato diferenciado, distribuído gratuitamente para cerca de 20 mil pessoas não seria tarefa fácil. O povo sabe o que está lendo, sabia que tratava-se ali de uma imprensa chapa branca, mas ora, chapa branca ou chapa quente, era ela que ia parar nas mãos dos servidores da prefeitura, dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade. Era ele o jornal com maior poder de comunicar… de chegar até o leitor.

A questão do número de exemplares, da distribuição do jornal, seus anunciantes, acaba se sobrepondo ao seu conteúdo do mesmo, mas a internet chegou para provar que o contrário, ou seja, mesmo sem mega recursos um jornal pode sim ser bem produzido e construir interlocutores de alto nível intelectual e crítico. E este foi o caminho adotado pelo jornal O Polifônico.

A internet, nosso formato original desde que o jornal começou a ser editado em 2009, nos indicou que os novos formatos digitais de comunicação e distribuição de produtos editoriais são o futuro da comunicação e do jornalismo em nível mundial. E do jornalismo local também se entendermos que nos menores grupos, onde apenas pessoas realmente interessadas com determinado assunto interagem com frequencia, as redações têm um enorme poder de diálogo e interação com seus leitores.

Um ano depois de seu número zero ir às ruas – O Polifônico saiu impresso na semana de 20 anos de emancipação de Rio das Ostras, comemorado no dia 10 de abril – repensamos nossa estratégia de comunicação e decidimos manter apenas o jornal online. Ou era isso, ou teríamos que seguir o segundo exemplo que dei lá em cima no primeiro parágrafo do Editorial. E não era aquela a nossa proposta. Mantivemos a versão online do jornal e através dela estamos conseguimos não só atingir nossos objetivos de interação com o leitor, como dia após dia abrimos uma nova interface de diálogo com pessoas e comunicadores de outras partes do Brasil e do mundo. Pessoas que sentem-se representadas pelo jornal, que gostam de ler O Polifônico, que tomam-se de esperança quando veem que podem participar do processo de feitura do jornal, pessoas que se identificam com o conteúdo expressado em suas editorias, pessoas que, quando estou viajando, mandam e-mails à redação e pedem para eu não deixar de atualizar o jornal por mais longe que esteja de Rio das Ostras… pessoas que respeitam O Polifônico, pois se reconhecem na proposta editorial do jornal, pessoas que me deixam extremamente feliz e me transmitem força para continuar nesta árdua tarefa diária que é ser um jornalista regional neste Brasil.

Mais uma vez agradeço à pessoa mais importante em todo este processo: Catarina Fellows, a quem dedico todo o meu trabalho enquanto uma agente de transformação social através do jornalismo e da comunicação. Uma mulher fantástica, uma Educadora para toda a vida, para tudo na vida, a historiadora macucoense, que me ensinou a gostar cada vez mais do quintal da nossa casa, da nossa história de vida, uma mulher que me ajudou a ver que há sempre uma nova forma de amar e que a humildade está no ato do perdão sincero de si para o mundo.  

Deixo aos novos leitores do Polifônico, que não leram a edição Zero, a versão PDF do impresso.

Obrigada a todos que fazem parte desta polifonia.

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Pré-lançamento do livro ‘A imprensa na cidade que mais cresceu no Brasil: A história recente de Rio das Ostras revisitada em matérias jornalísticas produzidas entre 2005 e 2007’

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É hoje, a partir das 17h, na Concha Acústica de Rio das Ostras.

O registro do cotidiano é tarefa própria da atividade jornalística. Em muitas vezes, esse registro torna-se a mais completa, se não a única documentação dos fatos de uma comunidade. As notícias e o jornalismo acabam por compor, também, o fio da memória local. O jornalismo, mesmo involuntariamente, escreve a história do lugar. Este livro condensa um período importante na história recente de Rio das Ostras, os anos de 2005, 2006 e 2007.

O objetivo desta publicação é reunir informações que permitam à comunidade local (re)conhecer a identidade, a ideologia e o discurso da imprensa local através da recuperação da história social recente da cidade, e apresentar essa memória para quem não conhece ou passou a conhecer a cidade nos últimos quatro, cinco anos.

A história de Rio das Ostras, nestes últimos 21 anos – tempo em que a mesma emancipou-se político-administrativamente de Casimiro de Abreu -, pode ser contada perfeitamente através das páginas dos jornais locais. É claro, devemos considerar que muitos desses jornais servem apenas para a sustentação ideológica dos grupos políticos dominantes no cenário local. Por isso, é preciso estar atento aos discursos enunciados por esses veículos e como eles são interpretados pelos leitores. Afinal, se falamos de construção de um fio narrativo da história local produzido pelos jornais impressos, precisamos saber interpretar seus enunciados e como estão contando a história, sob qual ótica pretendem ‘oficializar’ a história.

Escolhemos nos debruçar sobre a história recente do município e de sua imprensa local para entendermos um pouco mais sobre este belíssimo balneário, quem são suas personagens para além do povo, do cidadão comum, do trabalhador que ajuda, diariamente, a construir a cidade que mais cresceu no Brasil nos últimos 10 anos, segundo dados de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Parabéns Rio das Ostras!

Posted in Cidade, Editorial, Estado, Região, Rio das Ostras by ImprensaBR on 10/04/2013

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Hoje minha terra amada completa sua maioridade… 21 aninhos… Rio das Ostras, de tapera à cidade vanguarda, cidade-esperança… cidade de todos que vem em busca de um sonho: o de uma vida mais justa e mais digna.

Os desafios são inúmeros, afinal a cidade cresce em termos populacionais, mas nem sempre este crescimento se vê também no mercado de trabalho, na infraestrutura em áreas básicas, como saneamento, distribuição de água encanada, saúde, educação, acesso à cultura, segurança…

Mudam governos, ficam os moradores; os verdadeiros ‘homens’ que, cotidianamente, ajudam a construir esta NOVA cidade com o suor do ser trabalho.

Salve o mascate da praia, o vendedor de bolas, o cara que conserta bicicleta, o moço da água de coco, as mulheres que recolhem latinhas de alumínio, o pessoal da construção civil… salve o servidor público honesto, que não usurpa o erário, salve o veranista, que há 21 anos paga em dia seu IPTU… salve os alunos, professores e servidores do PURO – ‘a gente’ que deu nova cor e inteligência a Riodas… salve Nossa Senhora da Conceição! Salve a TERRA dos peixes que encantou Dorival! Salve Rio das Ostras, minha cidade amada!!!!

Parabéns a teu povo guerreiro por esses 21 anos de muita luta!!! Há muito ainda para ser feito! E eu não fujo à luta!

…E as eleições pra deputado estadual vem aí, meu povo hehehehe… dorme não, menina!

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O Forte de Imbetiba nas páginas do jornal A Província

Edicao 82 Inauguração do forte de Imbetiba

LB

Uma década após ser publicado o primeiro jornal de Macaé – o Monitor Macahense – uma das folhas mais importantes da imprensa brasileira – A Província – era editada pelo corajoso pensador, poeta, advogado, escritor, jornalista e abolicionista pernambucano José Mariano. O periódico era produzido na capital Recife, que naquela época disputava um bom posto na comercialização de açúcar com muitas outras cidades produtoras da iguaria, dentre elas, Campos dos Goytacazes, próxima a Macaé, de quem se desvinculou política e administrativamente em 1813.

Atentos à produção do açúcar em todos os pontos do Brasil, seus editores expõem em suas páginas notas sobre a balança comercial dos portos de diversas cidades brasileiras e tudo o que diz respeito à produção e comercialização de açúcar no país e fora dele. Neste contexto, Macaé aparece em muitas páginas do jornal A Província, ora com seu movimento portuário despontando entre os mais impulsionados daqueles tempos, ora como cidade de relevante interesse estratégico para a política econômica nacional, por diversos aspectos. Estar próxima à Capital Federal era um. Ser vizinha de Campos e estar localizada ‘no pé’ das Minas Gerais, outro. O jornal A Província, por isto, destaca Macaé em diversas edições ao longo de sua existência.

Editado entre 1872 e 1933, A Província atravessou o século que abriria as portas da modernidade e desvelou vez por todas a surpreendente cultura dos povos das Américas. Foi o século das ciências da mente e do homem. O século das guerras marcadas por destruições em massa. Guerras criadas com o auxílio do advento de máquinas poderosas, que só puderam existir com o aperfeiçoamento do domínio que o homem passou a exercer sobre a natureza e suas leis.

Dentre as diversas menções que A Província dedicou a Macaé, destaco a primeira, que aparece em 1875 e diz respeito a uma nova tecnologia: o processo de produção de açúcar cristalizado desenvolvido na Fazenda Atalaia. A nota foi publicada na página 2 da edição 680, uma quarta-feira, 15 de setembro.

Porém, meu grifo neste artigo vai para a citação que a folha pernambucana fez à inauguração do Forte de Imbetiba, na edição de quarta-feira, 13 de abril de 1910. A nota chamou atenção para a festa que aconteceria no dia 15 daquele mês por ocasião da inauguração do Forte. E não foi nota telegrafada não, como costumava acontecer naqueles tempos! Foi nota do editor José Mariano, um dos maiores jornalistas – com o rigor da palavra e a ética que a profissão exige – que o Brasil já conheceu.

Monte Frio comemora 400 anos, hoje 

No dia 16 deste mês, o Forte Santo Antônio do Monte Frio (que alguns chamam erroneamente de Monte Feio, segundo a assessoria de comunicação do Exército) comemorou 400 anos de fundação, e hoje, terça-feira, dia 19 de março de 2013, haverá uma grande festa no local para celebrar a data. Porém, mesmo quatro séculos passados, há quem desconheça – macaense ou não – a história deste importante patrimônio arquitetônico tão imponente e simbólico de Macaé.

Logicamente, pelo fato de não haver imprensa no Brasil há quatro séculos, não poderíamos nunca encontrar citação à inauguração do Monte Frio durante esta pesquisa, que neste momento debruça-se apenas em periódicos publicados no Brasil.

Esta primeira fortificação, o Monte Frio, virou ruína e hoje não existe mais. Deste antigo forte erguido com pedras pelos negros escravos, no lado de trás do monte onde hoje está a sede do Forte Marechal Hermes, só restaram a muralha de pedra centenária erguida pelos escravos e os canhões que compunham a artilharia da fortaleza, hoje desativados. Uma prainha discreta precipita-se abaixo de um rochedo, ao lado do Monte Frio, formando uma agradável baía a qual batizaram de Praia das Tartarugas. Área militar, restrita ao acesso do exército.

O Forte Santo Antônio de Monte Frio foi inaugurado em 1613 e desativado em 1859. “No século XVII, o Governo espanhol, ao qual Portugal estava submisso, teve a sua atenção despertada no sentido de combater piratas, que agiam com a cumplicidade de índios e mamelucos.

Na extração do pau-brasil por volta de 1614, o diplomata Gondomar, embaixador da Espanha em Londres, alertava o monarca Felipe II de que aventureiros ingleses se apresentavam para estabelecer e fortificar um porto entre o Rio de Janeiro e Espírito Santo, auxiliados pelos mamelucos Gaspar Ribeiro, João Gago e Manoel de Oliveira, que habitavam o lugar.

Foram tomadas providencias, a fim de prevenir-se contra novas tentativas dos corsários: o Governo de Madri transmitiu instruções ao governador-geral Gaspar de Sousa para que “estabelecesse de cem a duzentos índios numa aldeia sobre o rio Macaé (Miquié na linguagem dos indígenas, primitivamente chamado rio dos bagres) em frente à ilha de Santana e que fundasse um estabelecimento semelhante sobre o rio Seripe (ou Leripe) (atual rio das Ostras), onde o inimigo cortava as madeiras corantes”. E mais: “A cada aldeamento se daria um jesuíta. Devia comandar o primeiro, Amador de Sousa, filho do célebre Arariboia, e o segundo, seu sobrinho Manoel de Sousa”.

A fundação daquelas aldeias muito concorreu para o povoamento de parte até então abandonada da Capitania de São Tomé. Dando sentido prático às determinações do soberano, os jesuítas aldearam no local indígenas de Cabo Frio e os da nação Aitacás (provavelmente um ramo dos goitacás). Já Em 1630 aqueles religiosos que possuíam uma fazenda, que contava com um engenho, colégio e capela, construídos no morro de Santana.

Após 1759, quando foram expulsos os jesuítas em virtude de campanha movida contra sua Ordem pelo marquês de Pombal, ministro de D. José I, as terras foram redistribuídas e, à medida que se fundavam novas fazendas, a população aumentava, desdobrando-se em outras povoações com elementos vindos de Cabo Frio e Campos, na sua maior parte.

Durante longo período Macaé teve papel importante na economia norte-fluminense, funcionando o porto de Imbetiba como escoadouro da produção açucareira da zona campista, para ali transportada através do Canal Campos a Macaé, construído em 1874, e por diversos ramais ferroviários então existentes (Estradas de Macaé, Barão de Araruama, Urbana de Macaé e Quissamã). Essa função extinguiu-se, porém, com a construção da Estrada de Ferro Leopoldina, cujos trilhos passaram a ter preferência para o transporte da mercadoria, o que acarretou o declínio do porto” (1).

O Forte de Santo Antônio de Monte Frio teve suas obras concluídas em 1613. Posteriormente, em 1762, a fortaleza foi reconstruída por Conde de Cunha, por ordem do então Governador do Rio de Janeiro, Francisco de Castro Moraes. Em 19 de novembro de 1859 a fortificação foi desativada por ordem do Ministro da Guerra, Cel. Reformado Sebastião do Rego Barros, por este considerar que o Forte não servia mais à segurança daquele porto e por ser sua conservação extremamente onerosa para o Tesouro Nacional. Em 1893, foi reativado pelo então Presidente da República, Marechal Floriano Peixoto. Nesse tempo, cresciam a cada dia as operações do porto de Macaé e isso fez com que mais atenção fosse dada ao mesmo. A construção de um novo forte é iniciada. Entretanto, a estrada de ferro Leopoldina, com a ligação Rio Bonito – Macaé – Campos absorveu todo o transporte da produção agrícola dessa região, e isso consequentemente acabou baixando os custos desse transporte de mercadorias. É assim, que Macaé vê o comércio marítimo declinar até o fim da licença alfandegária do porto de Imbetiba, em 1903. As obras da Fortaleza seguiram o declínio do Porto. Em consequência dos vultosos gastos públicos (231 contos), entre 1898 e 1900, e, também, por falta de verba, a obra acabou sendo suspensa em meados de 1900.

“Em 1908, o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, então Ministro da Guerra, esteve na cidade por ocasião de uma das recepções semanais realizadas no Solar de Monte Elíseo, residência do Coronel José de Lima Carneiro da Silva, neto de Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Estavam presentes, além do coronel, outros descendentes do Patrono do Exército Brasileiro. Na ocasião, ficou decidido, como consta em documentos do arquivo do Distrito Federal, que a família de Caxias doaria 30 contos de réis para a conclusão das obras, agora sob um projeto mais reduzido do que o orçado originalmente. O governo, por sua vez, comprometeu-se com mais 15 contos de réis.

Ainda em 1908, o Ministro da Guerra, Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, determinou a construção de uma bateria alta, no topo do morro da Fortaleza, numa cota de 41 metros. Tal opção deveu-se à exiguidade de recursos para o melhoramento e bem assegurar a sua defesa.

Em 21 de dezembro de 1908, depois de locada a bateria alta no topo do morro pelo tenente-coronel de engenharia José Bevilacquia, as obras foram reiniciadas, dirigidas pelo capitão de engenharia Alberto Lavenére Wanderley. Em 13 de fevereiro de 1909 o primeiro-tenente Feliciano Sodré assumiu as obras até o seu término, com a instalação de quatro canhões Armstrong 152 mm, c/50 TR, montados em reparos Wavasseur, recentemente desativados do Cruzador Tamandaré, da Marinha Brasileira.

O Forte foi inaugurado em 15 de abril de 1910, pelo então Ministro da Guerra o Exmo General José Bernadino Bormann, na presença do Marechal Hermes da Fonseca, Presidente Eleito da República e demais autoridades civis e militares. O presidente eleito e sua comitiva foram recebidos pelo Coronel José de Lima, neto de Caxias, seguindo, posteriormente, de carruagem, até o local da inauguração”. (2)

O jornal macaense O Regenerador deu destaque à inauguração do Forte Marechal Hermes com a seguinte nota: “Ficará gravada, com caracteres indeléveis na história de Macaé, e sua população jamais poderá esquecer tão grandiosa e espontânea vibração de sua alma patriótica”.

Um homem e um jornal republicanos

O editor do jornal A província, José Mariano Carneiro da Cunha, foi um abolicionista com uma história vitoriosa e morreu com homenagens de um herói para o povo do Recife. Nasceu em 1850, no engenho Caxangá, distritozinho de Ribeirão, lugarejo que na época pertencia ao município de Gameleira. O cenário dos engenhos e canaviais permeariam para sempre seu imaginário.

Estudou na Faculdade de Direito de Pernambuco – uma das mais antigas do Brasil – e teve como companheiro de classe Joaquim Nabuco com quem flanava pelas marginais do rio Capibaribe na companhia do amigo em comum Rui Barbosa.

Muito ligado ao seu tempo e aos ideais republicanos, José Mariano começou a escrever para jornais, agremiações, revistas, até que em 1872, no dia 6 de setembro, publica a primeira edição de seu próprio jornal: A Província. O jornal tinha cunho abolicionista e reuniu exponentes da época em sua tipografia, como o escritor Gilberto Freyre, que assumiu sua redação em 1928.

Com um ideal de combate à escravidão, a folha tinha discurso acirrado na defesa dos escravos e acabou ganhando a devida atenção da opinião pública na campanha abolicionista em Pernambuco.

O jornal sairia das ruas em 27 de novembro de 1878 para ser novamente editado seis anos mais tarde. Com o argumento de dar férias aos trabalhos jornalísticos e por outros motivos preponderantes, tais como a necessidade de mudanças de seu formato, que passou a ser maior depois, A Província parou de circular. A folha voltou a ser publicada posteriormente como órgão do Partido Liberal, em 1 de dezembro de 1885. Nesta fase a tipografia estava instalada na rua do Imperador, em Recife, uma das principais galerias por onde transitavam na cidade os homens do poder daquele tempo. Na última década do século XIX, A Província conquistou tanta reputação, que chegou a ser o maior jornal do Nordeste brasileiro, suplantando até o jornal mais antigo de Recife, O Diário de Pernambuco, fundado em 1825 e hoje o jornal Há mais tempo em circulação ininterrupta da América Latina.

Sem interromper sua circulação, uma nova e importante fase d’A Província foi iniciada em 19 de agosto de 1928, quando assume sua direção os jornalistas Gilberto Freyre e José Maria Belo. Lia-se na definição do pensamento dos novos dirigentes: “…tanto quanto órgão de informação e crítica, será A Província um jornal político, ligado pela mais consciente simpatia ao Partido Republicano de Pernambuco”. O jornal passa a ser diário e apoia o governo de Estácio Coimbra, “um jornal quase governista. Mas um jornal governista de métodos os mais puros e limpos”, segundo Gilberto Freyre.

Entretanto, sob a direção, tendo como redator-secretário Sousa Barros e gerente Otávio Morais, findando com a edição de 4 de junho de 1933, sendo vendidos o material tipográfico e a maquinaria.

Um jornalista embalsamado

Dono de uma história política e social magnífica, José Mariano é lembrado pelos pernambucanos e jornalistas de todo o Brasil até hoje. Ano passado fez um século de sua morte, em 8 de junho de 1912. Como legado deixou seus ideal de justiça, igualdade e liberdade.

José mariano integrou um importante núcleo progressista de Recife: o Clube do Cupim, fundado em 1884 e do qual também faziam parte ilustres simpatizantes, como Joaquim Nabuco, Barros Sobrinho, João Ramos, Alfredo Pinto, Phaelante da Câmara, Vicente do Café, e Leonor Porto (esta, fundaria e presidiria, depois, uma outra associação com intuitos semelhantes: a Aves Libertas).

Nessa época, uma pessoa de grande importância na comunidade era a esposa de José Mariano, a recifense Olegaria da Costa Gama. Pela sua bondade e dedicação aos escravos foi chamada de “mãe dos pobres” e “mãe do povo”. Olegaria sempre apoiava os escravos fugidos, roubados das senzalas, ou alforriados. Mesmo quando José Mariano foi preso e sofreu inúmeras humilhações e torturas terríveis, D. Olegaria continuou lutando em prol da abolição da escravatura. Em 1887, durante a campanha ao cargo de deputado geral de Joaquim Nabuco – colega abolicionista – D. Olegaria empenha suas joias para financiar as despesas da eleição.

José Mariano é considerado um orador comunicativo, um abolicionista corajoso, e um dos homens públicos que mais desfrutavam da simpatia popular em Pernambuco. Mesmo quando estava separado do povo e preso, demonstrava suas tendências abolicionistas e republicanas. Possuía atitudes corajosas e o seu nome representava uma bandeira. Conseguiu ser eleito deputado em 1886, mas a eleição é impugnada e José Mariano perde a cadeira.

No dia 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assina a Lei Áurea que declara extinta a escravidão no Brasil. Junto à opinião pública nacional, consagram-se os líderes da campanha redentora: Joaquim Nabuco, José Mariano, José do Patrocínio, André Rebouças. Pouco mais de um ano depois, a República é proclamada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889. A gestão de Deodoro dura somente dois anos e com sua renuncia, o Marechal Floriano Peixoto assume a Presidência da República.

O nome de José Mariano figura entre os deputados à Constituinte, em 1890, e, em 1891, ele é eleito Prefeito do Recife. Pouco tempo depois, Alexandre José Barbosa Lima – considerado um autoritarista e florianista – assume o Governo de Pernambuco. José Mariano lança-se de imediato em sua oposição, publicando uma série de artigos contra o Marechal Floriano Peixoto. Em decorrência disto, ele é preso em sua residência (no Poço da Panela), e trancafiado na fortaleza do Brum sob a acusação de pactuar com a Revolta da Armada.

Entretanto, liberto da prisão, José Mariano assume a cadeira de deputado. A população do Recife gosta muito dele. Todas as ruas e casas, desde o cais do porto até o Poço da Panela ficaram ornamentadas e embandeiradas para saudar o retorno do abolicionista. Na época, inclusive, ele fez um discurso célebre na Câmara, com cinco horas de duração, narrando o martírio vivenciado como prisioneiro.

Mas o clima geral era de muitos conflitos políticos. Nesse contexto, foi covardemente assassinado o famoso jornalista político José Maria de Albuquerque Melo, na rua 24 de Maio, enquanto visitava uma seção eleitoral e protestava contra ilegalidades praticadas pelo presidente da mesa, o chamado Major Pataca. O mesmo dispara vários tiros contra o jornalista e, como não lhe foi permitido o socorro médico, José Maria vem a falecer pouco depois. O incidente abala muito o Recife e repercute em todo o País. De imediato, José Mariano escreve um artigo sobre o assunto, intitulado A tragédia de Pernambuco, que sai publicado no Jornal do Comércio do Rio.

No dia 24 de abril de 1898, em decorrência das complicações de uma gripe, morre dona Olegaria. Ele se achava no Rio de Janeiro e sequer pode assistir aos funerais prestados pela população pernambucana. Esta, que a divinizava, se condoeu muito com o fato. Fala-se que foram muitos os pretos que se suicidaram, envenenando-se ou jogando-se no rio Capibaribe.

Após tal dolorosa perda, José Mariano se afasta das lutas políticas. Em 1899, ele é nomeado Oficial do Registro de Títulos, pelo Presidente Rodrigues Alves, e também é presenteado com um Cartório de Títulos e Documentos, na rua do Rosário, no Rio de Janeiro.

Infelizmente, não muito tempo depois, José Mariano adoece e vem a falecer no dia 8 de junho de 1912. Custeado pelo Estado, o navio Ceará transportou seu corpo embalsamado do Rio de Janeiro para o Recife. No Estado de Pernambuco foi decretado luto por três dias, e houve uma comoção geral em seu enterro. As pessoas jogavam flores em seu esquife e muitas choravam. Para homenagear esse ilustre abolicionista pernambucano, o periódico A Lanceta publica alguns versos, em sua edição de 12 de junho de 1912, que terminam assim: “Chore…chore o Brasil sua grande desdita. Porque o cedro tombou!

Foi erigida em sua homenagem, posteriormente, uma estátua no Poço da Panela, e deram o seu nome ao cais que ladeia uma das margens do rio Capibaribe, no centro do Recife. Seus contemporâneos, contudo, sempre desejaram que ele fosse lembrado como um excelente orador popular, um grande abolicionista e republicano, e, principalmente, um pernambucano que deu tudo de si ao próximo e à Pátria.

Fonte do trecho citado:

(1) IBGE
(2) Ascom Forte Marechal Hermes
Ilustração do jornal: Fundação Biblioteca Nacional

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Cinco anos de Cineclube Lumiar

Posted in Cidadania, Cultura, Editorial, Educação, Nova Friburgo, Turismo, Videofonia by ImprensaBR on 25/02/2013

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O último domingo foi um dia especial para os militantes do cinema de Lumiar (Nova Friburgo, RJ) e para a comunidade local. Foi comemorado em grande estilo o aniversário de cinco anos de atividade do Cineclube Lumiar.

Muitas pessoas compareceram para compartilhar a alegria dos gestores do Cineclube. Dentre elas, eu, que fui convidada também a exibir na ocasião o documentário O povo do cinema de Lumiar. Emocionante.

São momentos como os que vivi ontem que sinalizam que o caminho é este e que a militância não pode parar.

Vida longa ao Cineclube Lumiar. Vida longa ao cinema nacional.

Parabéns a todos aqueles que trabalham para este movimento acontecer, mas, principalmente, parabéns ao público, que nesses cinco anos tem sido fiel ao Cineclube levando sugestões, críticas e o fundamental para que tudo isto aconteça: sua presença a cada nova sessão.

Que venham muitos, mas muitos outros anos…

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Rio das Ostras: Mais uma cidade partida, e o mosquito da Dengue

Ponte sobre o rio das Ostras. Projeto megalômano, que descaracterizou por completo a paisagem rural e praiana da cidade. Foi inaugurada em 2007.

O que essa ponte tem a ver com a cidade? Olha a favelização em segundo plano… assim está minha amada Rio das Ostras…

Agora começa 2013. Começo do novo-velho governo. Será que vai estabilizar ao menos? Infelizmente, não creio não…

É preciso preservar as belezas naturais como lagoas, praias, os morros, as trilhas na mata de tabuleiro… a serra do Pote, as tradições do homem da terra, o pescador, o agricultor de Cantagalo e Rocha Leão…

Hoje, tudo mudou. Pessoas aos montes invadem com tamanha pressão a cidade, que o mangue não resiste. O de cima sobe e o debaixo desce mais a cada dia, a cada ano. É preciso valorizar o ser humano.

Rio das Ostras… que saudade de você como era há 20, 30, 40 anos… mas o progresso te alcançou. De tapera passou à cidade que mais cresceu no Brasil! A vizinha da capital do petróleo. O El Dourado para milhões de famílias de brasileiros, que sonham com a oportunidade de uma vida melhor, mais digna.

Mas que dignidade é essa?

A cidade amanhece sob uma gravíssima notícia: surto de Dengue. Não é a primeira vez que Rio das Ostras aparece no mapa como cidade com altos números de casos de Dengue. Até o momento, 1416 casos de suspeitas de Dengue estão sendo analisados e 75 casos já foram confirmados.

Centro de Hidratação de Dengue

Enfrentando epidemias de Dengue há quatro, cinco anos, os gestores sabiam que precisariam investir mais na prevenção, mas deixaram para investir em um Centro de Hidratação, ou seja, um instrumento para ser colocado em funcionamento quando a epidemia já estiver instalada.

E a prevenção?

Dengue matou duas pessoas na cidade, em 2011

O vídeo abaixo, gravado pela afiliada da Globo Intertv Alto Litoral, com reportagem da jornalista Renata Monteiro mostra bem a realidade que a cidade vem enfrentando quando o assunto é prevenção ao Dengue, ou a falta dela.

Em 2010, foram feitas 802 notificações da doença. Em 2011, quando foi feita a reportagem, Rio das Ostras registrou 289 casos suspeitos de Dengue, 53 casos de Dengue Hemorrágica e duas mortes.

Foi em 2010 e início de 2011, que o governo anterior contratou centenas de pessoas para atuarem como Agentes de Vigilância Sanitária no combate ao Dengue, na cidade. Foi uma farra, colocou todo mundo pra brincar de ser agente sanitário. Na mesma farra, o governo atua culpabilizando a população. O que os gestores não deveriam é conceder licença de obras nas áreas citadas na matéria e em dezenas de outras, que estão em situações semelhantes. O que não deveria ter feito era a troca de lotes no Âncora, Recanto (o famoso Invasão há 20 anos atrás) por votos. E fizeram muito, mas muito isso em Rio das Ostras. Fazem até hoje!!! O bairro Âncora hoje está favelizado não é à toa; deram uma mãozinha pra que isso acontecesse para depois pedir recursos para o Estado e a União.

E a apresentadora da matéria… que chega quase a explodir de felicidade referindo-se ao povo de Rio das Ostras, que estaria feliz, satisfeito com as ações de combate ao mosquito da Dengue. Gente, tá na cara que ela tá comprada! Como a população pode estar satisfeita quando a cidade registra dois mil casos de Dengue e duas mortes? Funciona assim, a matéria tem que ir ao ar porque os dados estão alarmantes, então a Secretaria de Comunicação liga para o veículo e faz um lobbizinho com o editor.. ‘Poxa, Fulano, sabe como é… joga no ar, mas tenta não deixar o drama do cenário ser percebido na matéria senão você acaba comigo. A cidade está em polvorosa!!! Tá morrendo gente, não podemos dizer isso assim… Tenta dar uma levantada…”, e desliga o telefone depois de dizer que enviará um convitezinho para algum jantar, algum final de semana numa pousadinha de Búzios… uma coisa  desse tipo…  e atitudes como essa levam a apresentações lastimáveis como a que essa da reportagem faz… e a gente vê isso todo dia, não é mesmo? Hoje, meio dia ela estará lá rindo da nossa cara enquanto noticia mais uma morte de Dengue na cidade. Tudo uma falta de noção… nessa cadeia…

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Prefeito e vereadores eleitos em Rio das Ostras são diplomados

Posted in Brasil, Cidade, Editorial, Eleições 2012, Estado, Macaé, Notas, Política, Rio das Ostras by ImprensaBR on 19/12/2012

O Polifônico tem mudado paulatinamente seu viés editorial de política para cultura, arte, educação e meio ambiente. Ainda assim, interessa-nos registrar momentos importantes da vida política de Rio das Ostras, nossa principal praça (hoje) de atuação. Por isso, só por isso, posto agora algumas imagens do dia de ontem em Rio das Ostras… a diplomação do prefeito eleito para a gestão 2013 – 2016, Alcebíades Sabino, dos vereadores e suplentes que legislarão no período.

Não farei análise dos fatos, por hora, vou deixar os fatos falarem por si.

Gravei um vídeo, editei, mas nada dessas plataformas online aceitarem um curta em HD de 20 minutos. Demora muito e preciso ir à outra diplomação hoje, a do prefeito eleito em Macaé, Aluizio.

Sobre a diplomação de Sabino, vi sim a Câmara lotada como vi ontem em uma única ocasião nesses nove anos de imprensa local; em 2006 quando Cabral esteve em Rio das Ostras para a assinatura da primeira parceria público privada do Brasil para a área de saneamento básico. Esse mesmo povo que marcou presença ontem na diplomação dos próximos administradores, legisladores, gestores de Rio das Ostras, serão os mesmos a exigir que a cidade funcione nos próximos anos. Bem, assim espero…

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Segue online a 9a Mostra Cinema Popular Brasileiro

Posted in Brasil, Cineclube Cinemofônico, Cultura, Editorial, Educação, Estado, Turismo, Videofonia by ImprensaBR on 07/11/2012

LB

Começou na quinta-feira dia 1 a 9a edição da Mostra Cinema Popular Brasileiro. Este ano a mostra acontece presencialmente em espaços culturais de São Pedro da Serra e no Sarau Monster, dia 11, em Barra de São João, e também online, através do site da mostra (www.mostracinemapopularbrasileiro.wordpress.com).

Mais um ano de sucesso e reconhecimento do público são pedrense, que na noite de sábado lotou o espaço da sala de cinema da Casa dos Saberes e aplaudiu de pé a sessão!

A 9a Mostra Cinema Popular Brasileiro é competitiva para os filmes que estão no site, e o público pode curtir através do botãozinho do Facebook os filmes que mais gostar. Os três filmes mais curtidos ganharão a tradução do roteiro para o inglês. a premiação é oferecida pela empresa BVaz Idiomas, parceira da 9a Mostra Cinema Popular Brasileiro.

A 9a Mostra Cinema Popular Brasileiro passou ainda pela Casa Cultural Mata Atlântica, na Bocaina dos Blaudts, em São Pedro da Serra, onde foi exibido no dia 1, durante a abertura da mostra, o curta-metragem dirigido por mim ‘O Povo do Cinema de Lumiar’. O filme foi gravado em 2004 e exibido naquele ano na primeira edição da mostra no vilarejo friburguense. Com depoimentos de muitos moradores tradicionais da cidadezinha, o filme é um documento importante para a memória local e ficou marcado na história de Lumiar como sendo o segundo filme a ser rodado no lugar. Nos anos 70 uma obra abordando a Coluna Prestes, que esteve ali, foi gravado em Lumiar. Depois de sua exibição em 2004, o curta O povo do Cinema de Lumiar não tinha mais sido exibido para o público local, oque transformou a sessão de abertura da 9a Mostra cinema Popular Brasileiro um momento muito especial.

Para assistir aos filmes da mostra, acesse http://www.mostracinemapopularbrasileiro.wordpress.com.

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Irregularidades marcaram campanha eleitoral em Rio das Ostras

Posted in Cidade, Editorial, Eleições 2012, Notas, Política, TV O Polifônico by ImprensaBR on 03/10/2012

Chegamos na reta final da campanha eleitoral no município de Rio das Ostras e o que vimos foi uma campanha rasa, feia, suja e completamente irregular. TODOS os candidatos ao cargo de prefeito largaram suas placas nas ruas da cidade em plena luz do dia. Candidatos ao Legislativo também incidiram na irregularidade e abandonaram seus materiais de campanha por aí…

 

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Festa Monster: Mais que uma festinha, um movimento cultural inteligente, feito por quem de fato está trabalhando para o engrandecimento da cultura local

Posted in Cultura, Editorial, Região by ImprensaBR on 24/09/2012

Por LB

Parece que a festa Monster veio pra ficar! E que bom! Necessária, é muito mais que uma festinha com um bando de jovens enchendo a cara; é um espaço para artistas mostrarem seus trabalhos e para o público trocar cara a cara com o artista.

A proposta de compartilhar o momento da exposição de artes com a apresentação de bandas e colocar o artista de frente para o seu público possibilita o encontro de personagens que se complementam; a obra de arte, o expectador e o criador. Uma proposta nova dentro de tudo o que já vi nesses oito anos de jornalismo em Rio das Ostras e região. Geralmente vemos propostas de projetos que voltam-se para uma linguagem artística específica. A festa Monster faz diferente; coloca várias linguagens em diálogo no mesmo espaço, ao mesmo tempo e, de bossa, leva (convida) o artista a apresentar sua obra diretamente para o público. Sabe-se lá o que seria acompanhar a galeria mais famosa do Museu de Arte Moderna (escolha o seu, fico com o do Rio mesmo) com o curador da exposição ao seu lado? Imagine ter o pintor, o escultor, o fotógrafo, o compositor ali conversando com você sobre o processo de criação de seu trabalho artístico! Esta é uma das ideias da Monster que gostaria de destacar, pois ela coloca a Monster numa direção mais conceitual, mais autoral e menos ‘indústria cultural’, marca dos projetos que vemos hoje na Cultura regional.

Projeto é organizado por gente da terra! Dá-lhe identidade cultural local e sua capacidade de dialogar com as múltiplas culturas que vem de todos as regiões do Brasil para a nossa região em função do arranjo produtivo do petróleo e gás da Bacia de Campos!  

Vamos dialogar com as múltiplas identidades? Vamos, sempre, mas sem deixar que nossa identidade local, nossas tradições culturais sejam suplantadas. O territorialismo veio à tona na segunda festa Monster e no meu entender é uma das marcas mais significativas e que deve ser exaltada deste projeto. A marca dessa produção é sua capacidade dialógica com a tradição local e a absorção das novas expressões culturais brasileiras.

Por isso, seria bacana ainda identificar as personagens envolvidas na produção desta segunda festa Monster. Parte dos jovens mobilizadores culturais, pois é isso que eles são para além de produtores culturais – estuda Produção Cultural no Polo Universitário de Rio das Ostras (PURO – UFF) e tem  entre 20 e 24 anos. Outra parte, que aliás, criou e também trabalha muito no projeto, é gente da terra, garotada local, ‘tudo sangue novo e cheio de gás’ para trabalhar e mostrar a cultura e a arte desta região.

Isto é muito importante ser dito, uma vez que vemos nossa cena cultural ser invadida por gangues que não tem nenhuma relação com a cidade, por pessoas que estão aqui apenas para explorar os recursos materiais da região, fartos orçamentos e possibilidades de patrocínios viabilizados mediante compra de votos…

Importantíssimo identificar os atores que estão à frente deste movimento cultural – é assim que vejo hoje a festa Monster (ela é muito mais que uma festa, já está se transformando num movimento!, atente para isto, Produção!!!), pois são com eles que precisamos dialogar. São eles os responsáveis por colocar cerca de 200 jovens numa casa na tarde de um sábado nublado, em Barra de São João, para ‘consumir’ cultura e arte sem grana de partido, sem abordagem de candidatos por trás, sem interesses em transformar a proposta numa mercadoria à venda para a próxima gestão municipal. Esses para mim são os verdadeiros promotores da cultura local!

Fico orgulhosa de ser amiga de vocês, Darlan e Genaro, e de ter participado do pontapé que ajudou a criar o primeiro esboço do que hoje é a festa Monster.

Tiago Gonçalves, aluno da UFF, morador raiz de Barra de São João e organizador da Monster, além de profissional é um anfitrião que deixa a todos super em casa…

Parabéns a Dayane Lima, Fran (novas alternativas para a luz da festa!!), Moema, a galera toda que acreditou e levou seus trabalhos para serem expostos: o Fotógrafo Maurício Porão (trabalho pra ganhar o mundo!!! sendo exposto aqui do lado, galera!!! Atenção!), os demais fotógrafos, o professor de história de Conceição de Macabu, Ramon Mulin e aos seus alunos um parabéns especial pelo filme Brasil, ame-o ou deixe-o, de fotografia impecável (parece que foi feito por gente que estuda cinema!!! também e não apenas história…muito bom saber que cinema já adentrou os espaços escolares!!!), ao Vitor, que palestrou sobre software livre e levou sua instalação Metareciclagem para expor, às alunas do Polo, Tati Nogueira e Antonella Abreu, que se apresentaram na festa, a todos os músicos e demais organizadores, colaboradores.

Vida longa à festa Monster!

Conselho Popular de Cultura de Rio das Ostras

Quero aproveitar para deixar um convite aos ativistas do setor cultural de Rio das Ostras e região. Façam parte do Conselho Popular de Cultura de Rio das Ostras. O conselho é de Rio das Ostras, mas entendemos que as ações no setor precisam ser integradas (como a Monster…) e interregionais, portanto incentivamos que em Barra de São João seja criado também um Conselho Popular de Cultura. É preciso fazer arte, mas é arte também se faz com base política. Amadureçam também neste sentido para ganhar espaço e voz em um assunto que lhes diz (e muito) respeito. Mãos à obra!

Abaixo uma galeria de fotos da 2a Festa Monster Artes Integradas, que rolou no último sábado, em Barra de São João (Casimiro de Abreu), RJ.

Créditos das Fotos: Rúben Pereira

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Núcleo Ambiental de Vivências Ecológicas: Viaje nesta NAVE

Posted in Editorial, Meio Ambiente by ImprensaBR on 18/09/2012

O jornal O Polifônico foi convidado para conhecer as instalações do NAVE – Núcleo Ambiental de Vivências Ecológicas. O projeto da ambientalista e gestora em Meio Ambiente, Samantha Lêdo, é um belo exemplo de que o homem deve e pode viver em harmonia com o ambiente se souber respeitar o ciclo da natureza.

No sítio da Jabuticaba, Toca da Onça, Lumiar, a uma hora do centro de Rio das Ostras, Samantha Lêdo  desenvolve – ainda em fase de teste – algumas práticas que considera básicas para o bom convívio entre homem e ambiente. Podemos dizer, que a grande militância da gestora ambiental é a promoção da consciência entorno do problema do lixo e como ele mesmo, o lixo, pode deixar de ser um problema para ser solução financeira e de geração de emprego e renda para muitas pessoas e países.

Em fase de teste no NAVE, ela criou uma ‘usina’ doméstica de compostagem orgânica, local onde quer ensinar a comunidade e aos que buscarem no NAVE conhecimentos mais aprofundados sobre o lixo e como lidar com os resíduos, já que em dezembro o Núcleo abrirá para suas atividades educativas e culturais.

Ainda há no Núcleo, além da compostagem orgânica, uma horta de verduras e condimentos, plantio de culturas como milho, mandioca, café.

A expectativa da idealizadora do NAVE é de que tudo esteja organizado até dezembro, data prevista para a abertura oficial do Núcleo e de seu calendário de atividades socioeducativas e culturais, todas integrando a consciência ambiental em seu cerne.

Dentre as atividades culturais que serão oferecidas no NAVE estão a observação de estrelas através de seu Observatório, exibição de cinema – o NAVE é parceiro da Videoteca Cinema Popular Brasileiro, que tem cerca de três mil títulos de filmes de curta, média e longa-metragem nacionais, de países da América Latina e da África, oficinas de música brasileira, de vídeo, entre outras.

Ainda serão oferecidas uma gama de oficinas de reciclagem com objetivos específicos e direcionados para o intento de cada pessoa, ou seja, haverá oficinas de lido direto com a terra, como também aulas de artesanato com materiais reaproveitáveis e/ou naturais.

Ciranda Cultural do NAVE

Música brasileira e comidinha típica da roça estarão no cardápio 

Em breve o NAVE abrirá ao público um empório para venda de comidinhas e uma loja de produtos naturais e orgânicos. A iniciativa visa angariar renda para o término das obras do Núcleo. Por isso, uma turma de amigos e profissionais de diferentes áreas – Samantha é muito bem relacionada e assessorada por amigos competentes de diversas áreas do conhecimento, que são seus colaboradores no Núcleo – está organizando uma grande Ciranda Cultural em torno deste ideal de tornar o NAVE uma realidade.

Em breve divulgaremos a agenda completa desta Ciranda Cultural.

Seja muito bem-vindo ao NAVE e sinta-se em casa… até porque a casa é mesmo sua, a natureza precisa ser de todos nós e todos nós precisamos nos sentir responsáveis por ela.

Mais informações sobre o NAVE no:

http://www.facebook.com/pages/Nave-N%C3%BAcleo-Ambiental-de-Viv%C3%AAncia-Ecol%C3%B3gica/146077945530434

Samantha Lêdo é responsável também pelo projeto Planeta Eco Arte. Saiba mais:

http://www.planetaecoarte.com/

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Fora do horário eleitoral na TV, candidato a majoritária de Rio das Ostras coloca nova série de vídeos na Internet

LB

Ninguém viu ainda

Hoje cedo quando assisti aos vídeos que a equipe de MKT político do candidato do PSC ao governo municipal de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino, tinha postado no youtube anteontem quando começou o horário político na TV, o índice de visualizações dos mesmos era zero (O).

Fui a primeira a assistir na rede a série de vídeos onde Sabino aparece contando sua história de vida e fala muito da mãe, Dna. Georgina, que dizia que ele tinha boas mãos pras flores.

No que quase podemos chamar de ‘curta-documentário’ sobre a vida pública e privada do candidato, ele conta histórias de sua infância, lembra dos tempos do gerador de luz no Iate Clube de Rio das Ostras, desligado meia noite, recorda a capina com os amigos de pelada para abrir a pequena várzea que depois virou o campo oficial do Rio das Ostras Futebol Clube…

Sentimentalista, o clima do depoimento do candidato. Ele lembra de quando os primeiros veranistas começaram a chegar em Mariléa, que era ainda a antiga fazenda do Bazim.

Lembra do Clube Cerro, mas não lembra que até hoje nunca fizeram um livreto sequer para que sua história fosse contada. Ano que vem o clube fará 50 anos de fundação.

Disse que ele e seus irmãos sustentaram a família catando ostras dos manguezais, diz saber que hoje já não há mais tantas ostras no rio, mas não admite que o rio das Ostras está poluído.

A quem se dirige a fala do vídeo?

O documentário fala diretamente com o novo morador de Rio das Ostras. Pessoas que vieram morar na cidade nos últimos oito, nove, dez anos. Nele, Sabino chega a chorar várias vezes enquanto relembra fatos de sua vida em Rio das Ostras.

Fiquei apreensiva quando o escutei dizer que deseja retomar com alguns projetos na cidade, como o de cinema…

Ah, sim, quem está COLADO em Sabino e aparece em quase todos os vídeos que o candidato postou na rede é o ator Cosme dos Santos, indicado por ele para comandar a Fundação de Cultura de Rio das Ostras caso seja eleito.

Olha, que precisamos retomar alguns projetos, sim, precisamos, mas não devemos insistir no que deu errado, e o modelo usado no passado para a execução de políticas para o setor audiovisual  em Rio das Ostras, foi horroroso.

Muito sentimentalista e pouco propositivo o vídeo.

Voltando ao cinema e ao nome que vem sendo indicado para lidar tão diretamente com cinema em Rio das Ostras, fica minha pergunta: que roteiro balela foi esse dese documentário? O cidadão, o eleitor não aceita mais documentários políticos mamão com açúcar como esse não. O vídeo pode ter cumprido uma função de liga identitária entre os antigos e novos moradores… sim, pode!… eu daqui quase chorei com Sabino quando ele contou que seu falecido irmão vinha do Rio e se emocionou ao ver o mar chegando na estrada Serra Mar. Passei minha infância brincando no banco de trás do carro com meu irmão de quem via o mar primeiro quando chegasse nesse mesmo ponto da estrada, quando vinha para Mariléa com minha família nos veraneios dos anos 70 e 80…

De fato, quem não conhece a cidade há mais de 30 anos como eu conheço tende a ficar emocionado com a história do candidato, que mais parece uma saga homérica de quem home (teria que profissão se não fosse político?) do que a trajetória de um pescador muito humilde, como ele mesmo afirma ter sido quando criança e durante a juventude em um dos capítulos do documentário.

Fica a sugestão para o eleitor de Rio das Ostras: Vejam o vídeo com olhos críticos e se perguntem onde foram parar nesse roteiro as questões mais sérias sobre Rio das Ostras? Onde foram parar nesse roteiro os problemas com a educação, a saúde, a cultura, a habitação, o meio ambiente, a empregabilidade, a infraestrutura, a distribuição de água, a segurança pública?

Chega a ser patética a situação que um desses roteiristas contratados pelo candidato criou em um outro vídeo da campanha intitulado “O povo pergunta, Sabino responde”. O roteirista tenta dar um clima de naturalização à repulsa pelo morador de rua quando coloca na fala de uma senhora que faz a pergunta a Sabino, o temor a estes. Ela chega a afirmar que tem medo dos moradores de rua que dormem ao relento na rodoviária e não quer que seus filhos vejam ‘essas pessoas’.

Para quem não faz ideia, em Rio das Ostras há um grupo de pessoas, muitas delas da maçonaria, que querem ver liquidados todas as ciganas e moradores de rua que vem parar na cidade. Eles e seus cachorros de rua… Essa posição já foi inclusive argumento para muita matéria levantada pelo jornal O Polifônico. O fato é que no vídeo, Sabino, para poder falar um pouco sobre sua política assistencialista aos moradores de rua já começa falando: ‘Olha, fulana… nós precisamos entender que essas pessoas são nossos irmãos, eles não tem culpa de serem moradores de rua…”, mas não fala absolutamente nada sobre criar políticas de base para dar condições mínimas de acesso a emprego e moradia a essas pessoas. O resultado no vídeo foi uma interpretação forçosa feita pelo candidato em sua resposta, indicada no péssimo roteiro sugerido pela equipe de redação e vídeo. Não funcionou pra mim, mas tem gente que cai! E como tem! Nesse vídeo mesmo… o povo pergunta e Sab.. responde, há vários jovens se apresentando como defensores mesmo do cara, de suas propostas, de seu retorno ao governo municipal de Rio das Ostras.

De fato a situação não está nada razoável, eleitor riostrense. Serão mais oito anos de cineminha mau redigido nas ruas da cidade. Cinema de Rua com filme estadunidense e roteiros tão ruins como estes desses videozinhos que vi esta manhã sobre nosso provável futuro prefeito.

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Protagonize! Jornal perde a pauta do ATO Público em Rio das Ostras e sugere que militantes que estiveram presentes escrevam coletivamente uma matéria jornalística para o veículo

Fiquei de fora e perdi a pauta

Por Leonor Bianchi

Caros leitores do jornal O Polifônico, seria interessante que os militantes se unissem mais uma vez para relatar a quem não pode estar no ato, ontem como o mesmo aconteceu, quem esteve presente, como expuseram as falas, como se portaram as forças sindicais, os servidores públicos, moradores, comerciantes locais… a prefeitura deve ter se infiltrado como sempre faz e mandado a PM e a GM aumentarem a ronda e o efetivo no local. Alguém deu as caras? E os pré-candidatos para o legislativo??? Muitos por perto? E os vereadores que aprovaram a lei da criação das novas quatro secretarias, alguém? A TV cobriu? Quem, quero assistir!!!

Interessa saber como foi o ato e que mensagem ele conseguiu transmitir.

Seria interessante àqueles que foram a redação de uma matéria coletiva com depoimentos de muita gente que esteve na rua, ontem! Quero muito ler sobre o ato no jornal e acho que assim como eu, que não pude estar na praça, muitas outras pessoas também querem, mas como não fui… não tem matéria hoje no jornal… e quem deve ter feito matéria…. além de não ter nem de longe comprometimento com a militância e com o jornalismo, vai reproduzir – como já diz a palavra -, uma réplica, uma cena-simulacro da manifestação.

Lamento mesmo não poder estar com todos, ontem. Outra pauta obrigou-me a não estar lá. Pauta esta tão importante quanto a que caiu por eu tê-la perdido. Por isso, peço, sugiro a todos que façam uma matéria jornalística popular sem neuras academicistas e/ou preocupações com a forma.

O Polifônico está aberto para publicar e não queremos exclusividade, afinal há zilhões de outros jornais e sites que precisam de pautas, que precisam saber o que de fato acontece em Rio das Ostras, e a notícia não pode perder a atualidade. Escrevam e lancem na rede, já!

Relatar faz parte da memória da militância que estamos aprendendo a construir em Rio das Ostras desde o ano passado como o lindo ato do Grito dos Oprimidos!!!!!

Ilustrem a matéria com vídeos, fotos, cartazes!!!!

E Mais, estou fazendo desde já um blog para os movimentos sociais de Rio das Ostras e ‘convoco’ a colaboração de quem quiser. N’O Polifônico já há editoria sobre o assunto (Cidadania, Coluna do Servidor), mas podemos e devemos aprofundar a pauta. Há espaço para tanto e o momento é agora! É a história e a memória da cidade que escolhemos para viver que está em questão, é a nossa vida, somos nós e nossas famílias em questão. Somos nós esse sujeito histórico que precisa ser o detentor da caneta ou dos teclados e dedos que escrevem as páginas da História.

SEJA UM PROTAGONISTA DE SUA HISTÓRIA!

Abraços.

A luta não pode parar!

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A cidadania do aplauso I

Posted in Cidadania, Cidade, Editorial, Observatório da Imprensa Local by ImprensaBR on 24/04/2012

Por Leonor Bianchi

Findadas as festas de 20 anos de Rio das Ostras, voltamos à realidade. E que realidade o risotrense encara hoje? Que cenário se desvela nesta cidade linda, de natureza belíssima, de com quase 110 mil habitantes em um ano eleitoral? Vivemos a falácia de que Rio das Ostras é numa cidade pacificada, sem violência, onde a saúde e a educação funcionam, onde as pessoas têm emprego e expectativa de vida, onde a política pública da jovem cidade é feita de forma participativa, onde todos são felizes e vão à festa para juntos serem mais felizes e aparecerem sorrindo (juntos) nas galerias de fotografias (seriam colunas sociais?) da imprensa local.

Diria que para além do conceito de sociedade espetacular, ou sociedade do espetáculo, inserimo-nos, brasileiros, riostrenses, na sociedade do aplauso. Uma sociedade alienada no termo mais chulo que este possa vir a ter, onde os indivíduos não só não participam de absolutamente nada que envolva as decisões de escolha sobre sua vida, a de sua comunidade mais próxima, como tudo o que esse indivíduo conhece são os momentos de lazer e prazer. Uma sociedade afirmada sobre os pilares da cultura descartável, da cultura da promoção (da promoção individual), na qual quem tem mais poder são as celebridades, pois estas ganham destaque na TV, o grande poder político no Brasil. Hoje não só a TV exerce esse poder uma vez que nos surpreendemos com as possibilidades de convencimento para a venda através das redes sociais… estamos na era das mídias digitais. A TV continua sendo o meio de maior penetração nas massas e seu conteúdo (TV aberta) é cada vez mais vulgar, manipulador, e dominado por forças políticas.

Sentir prazer é melhor do que sentir angústia

Se eu fosse da área médica certamente saberia dizer agora como se dão esses processos bioquímicos no organismo humano para argumentar de maneira mais clara o que quero dizer. Além da endorfina, muitas outras enzimas são produzidas no organismo do ser humano no momento da festa, do delírio, do êxtase.

Desde a Grécia Arcaica tomamos pileques homéricos (naquele tempo vinho… hoje o brasileiro proletário bebe cachaça e aos domingos se dá ao luxo de beber uma cervejinha). Era e é necessário (também) ao indivíduo estar entorpecido para suportar a realidade, as chagas, as penas legais, a própria lei, a si mesmo e sua natureza.

Sob a luz da psicologia junguiana os arquétipos do homem, os comportamentos arquetípicos são a base para a compreendermos a narrativa, a trajetória do homem ao longo da história da humanidade, seja no mundo ocidental ou oriental. Mas, também, a elaboração dos arquétipos, sua ‘evolução’ para um outro arquétipo ‘mais evoluído espiritualmente’, socialmente seria o grande desenlace do mistério da vida. Ao indivíduo moderno sobrou o rito à inércia mental e às festas como sua única forma de interagir com o meio ambiente, com outros indivíduos, com os animais, com sigo mesmo e com o divino. A questão é que o indivíduo moderno apenas quer ritualizar, ritualizar, ritualizar. E seus mitos são as celebridades da novela, os cantores sertanejos, os missionários religiosos e os políticos que apadrinham (estes teriam o mesmo status da celebridade na TV dado o seu poder na hierarquia social do grupo).

Não se trata mais nem de se embriagar numa parúsia dionisíaca tampouco de reatualizar um mito cosmogônico. Festeja-se o compartilhamento do viver por viver, só. Sem mais questionamentos segue o povo brasileiro, e nessa leva, os riostrenses.

Mas… será que viver ‘éter na mente’ com a sensação de prazer não seria o sinal de um quadro de esquizofrenia social? Na sociedade do aplauso as pessoas negam-se a admitir suas realidades, não enfrentam suas próprias problemáticas e cada vez mais vivem num mundo fantástico; o mundo do futebol, das novelas, do cinema. Vivem (n)um simulacro. Sobre o teatro… para que confrontar-se-iam esses indivíduos com o teatro? Para se odiarem (risos irônicos…)?

A sociedade riostrense precisa estar muito alerta sobre o que é noticiado na imprensa local, sobretudo sob a perspectiva da sociedade do aplauso. O último editorial do jornal do governo, o Resga… mostra que tudo saiu perfeito na festa de aniversário da cidade, que se o governo que está em seu último ano de mandato trouxe para Rio das Ostras artistas de renome internacional não é para as pessoas criticarem e sim, aplaudirem, já que se fossem estes, artistas menos conhecidos na mídia, haveria muito mais insatisfação. E assim, joga para o cidadão, o leitor um debate sobre o nível dos artistas da festa da cidade como se fosse este o principal tema a ser tratado por uma imprensa que se quer legítima e respeitada.

É claro que precisamos sim discutir a festa de aniversário de 20 anos de Rio das Ostras, mas sobre o prisma dos gastos públicos, não pormenorizando se queremos estar inseridos ainda na escolha dos artistas… se queremos ver cantores sertanejos ou se queremos jazz e blues goela abaixo. Contudo, antes de qualquer coisa, precisamos colocar em pauta o que essa festa significou e o que ela deixou de herança para o riostrense, para o comerciante local, para a economia da cidade.

Não fosse o histórico de superfaturamento de eventos na cidade – o que vivemos novamente este ano com a festa dos 20 anos de Rio das Ostras -, moradores e trabalhadores enfrentaram todas as consequências de uma cidade sem governança e sem infraestrutura. Rio das Ostras recebeu mais que o dobro de sua população nos dias da festa da cidade, durante o feriado de Semana Santa, e ainda, os candidatos ao sexto concurso público da prefeitura. Sem estrutura, os visitantes e moradores assistiram a ineficiência deste governo, que, como disse o referente tabloide local, está saindo este ano do executivo. Está saindo e está deixando o que para os cidadãos riostrenses?

Deixa a notícia de que no meio da festa toda outra farra muito maior foi anunciada, mas esta não pelas páginas do tal jornal semanal de Rio das Ostras. Foram criadas quatro secretarias de governo no quadro da prefeitura, cujas mesmas irão demandar cerca de R$ 700 mil apenas em folha de pagamento à prefeitura no orçamento 2012. Por que será que sobre isso o jornal Resga… não fala?

Cidades feitas para serem comercializadas não estarão nunca voltadas para as causas sociais

Rio das Ostras tem características de uma cidade média. E qual a principal característica das cidades médias no Brasil, ou melhor, das capitais e cidades de economia emergentes brasileiras? Sua transformação em uma ‘cidade empresa’. E o que seria uma ‘cidade empresa’ e como isso funciona? Funcionada da forma como estamos vendo agora, por exemplo, nesse escândalo que envolve o governo do Estado do Rio de Janeiro com as empreiteiras Delta, Andade Gutierez e Odebrecht.

O poder público que gerencia a política de Rio das Ostras é uma agência de negócios voltada para os grandes interesses do capital e o cidadão é o último a ser comunicado das decisões neste cenário.

Nas ‘cidades-empresa’, prolifera-se a cidadania do aplauso: o indivíduo escolhe apenas momentos de prazer para se ‘unir’ e expressar sua cidadania, seu patriotismo, seu sentimento de pertencimento social, de ator social. Incapacitado de inserir-se amplamente nos ambientes onde os interesses políticos e sociais são discutidos, orbitam em torno destes e passam a aceitar naturalmente sua exclusão efetiva no âmbito dos debates de interesse público e coletivo. O indivíduo abre mão de exercer sua escolha, de se organizar e aprender a debater sua própria condição humana em sociedade.

Estamos vivendo um mundo de fantasia em Rio das Ostras, cidade onde já foram assassinados o primeiro prefeito, um vereador, um jornalista, um padre. Temos um número elevado de homicídios na cidade, não contamos com infraestrutura das polícias civil e militar e ainda assim apoiamos a maneira como o modelo de segurança pública do Estado está sendo implantado na vizinha Macaé.

Não sou contra a implementação deste modelo de segurança, afinal ele propõe a ocupação para a pacificação, mas lembremos que precisamos estar muito atentos quando a palavra pacificação é colocada em contexto. Precisa-se estar muito atento quando no caso ela vem seguida de outra palavra: ocupação. Ainda que semanticamente estejamos diante de um ‘conceito’ paradoxal (o que não é paradoxal? A História é totalmente paradoxal!), insistimos no modelo padrão implantado pelo estado. O problema não são as ocupações das comunidades comandadas pelo tráfico, mas sim as milícias que se inserem nesses modelos de ocupação, que negociam diretamente com esses grupos. Sabemos que o tráfico não disputa cargos governamentais, mas a milícia sim. No meu entendimento este seria um dos maiores problemas do modelo de segurança pública pacificadora do governo Sérgio Cabral.

Voltando à sociedade do aplauso, precisamos atentar para que cidade queremos, mas precisamos saber anteriormente em qual cidade vivemos, qual sua história política.

Hoje em Rio das Ostras não sabemos ainda os nomes dos candidatos ao governo municipal, ainda que estejamos a poucos meses das eleições de outubro. Essa mesma imprensa que vende festas e comemorações não cita as denúncias graves que envolvem a administração do atual prefeito, nunca comentou, mesmo que de passagem, as mazelas deixadas à cidade pelo ex-prefeito, nem cita o que de real há por traz deste mistério que envolve o silenciamento dos nomes quem podem vir a concorrer este ano ao governo de Rio das Ostras. Apenas especulações e jogadas de marketing de esquina nada estratégicas sobre as benfeitorias do atual prefeito são publicadas em notinhas entre os releases da Secom da PMRO.

Não há crise interna na política riostrense, não há gente resmungando pelo leite derramado nos últimos quatro, oito, doze, dezesseis anos. A cidade continua nas mãos de um mesmo grupo político e a imprensa continua tentando enganar o cidadão que vota na cidade, que vive na cidade, que trabalha na cidade, que lê os jornais da cidade.

O cenário é dos mais inéditos na história da política regional se admitirmos o mais coerente, ou seja, não teremos uma disputa eleitoral em Rio das Ostras.

Leia e reflita sobre o conteúdo dos jornais de Rio das Ostras.

O Observatório da Imprensa colabora nesta análise. Vamos reinterpretar esse enunciado noticiado pelos jornais locais?

Conto com você nessa polifonia.

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Um presente para os moradores da cidade que mais cresce no Brasil, mas que ainda não tem uma Comunicação séria

Posted in Editorial by ImprensaBR on 14/04/2012

Uma nova imprensa para além dos 20 anos de Rio das Ostras

O Polifônico inicia um novo rumo para a imprensa riostrense, há duas décadas a serviço da desinformação

O ano de 2010 nasce com perspectivas promissoras para os rumos da imprensa riostrense. Causou repugnância e assombro na cidade a falta de comprometimento de um tabloide semanal (que circula há 35 anos na região) com a comunicação, a notícia, o leitor e principalmente com o cidadão brasileiro. Um de seus colunistas exaltou e naturalizou a discriminação das minorias em uma nota publicada no final do ano passado deixando notório o preconceito e o posicionamento reacionário e elitista dos diretores e editores do veículo.

O caso foi o assassinato de um morador de rua morto a pauladas durante a madrugada, em Rio das Ostras. Um e-mail enviado para uma seleta lista de estudantes universitários do PURO, professores do Polo, servidores públicos, profissionais do serviço social, enfermagem, artistas e sociedade em geral acabou chegando a minha caixa de entrada e não pude deixar de expressar minha indignação ante o fato.

Neste contexto surge o jornal O Polifônico, que desponta como uma alternativa às minorias sufocadas, paralisadas, confusas e cada vez mais deseducadas com o conteúdo publicado pela imprensa regional e sua tamanha capacidade de desinformar, controlar e alienar o cidadão. Uma imprensa que serve à deseducação, direcionando o leitor para uma opinião simplista, sem profundidade, no mais pleno estilo ‘pasticcio’.

Na Internet desde 12 de dezembro de 2009 propondo-se a ser um instrumento de comunicação livre e democrático feito para o cidadão, O Polifônico nasce abraçando uma causa nobre: observar e analisar o discurso da hegemonia midiática que comanda nossa cidade há mais de duas décadas a fim de promover a crítica dos leitores a esses produtos editoriais, e claro fazer um jornalismo transparente e comunitário.

Viemos de um ano de vergonha para a imprensa e a política local, mas também de demonstrações de insatisfação e protestos da população diante desse cenário. Assistimos a cassação do prefeito Carlos Augusto e do vice, Broder, pela utilização indevida de um veículo de comunicação da cidade durante o período eleitoral de 2008.

Infelizmente essa é a imprensa da cidade. Jornais fabricados em fundo de quintal, sem revisores, repletos de falhas gramaticais, de sintaxe, com erros grosseiros de português, impressos com orçamentos mais do que superfaturados… Seus conteúdos, os quais não podemos chamar de matérias jornalísticas, mas sim de ‘press releases’ produzidos por jornalistas da Secretaria de Comunicação Social da prefeitura tentem a ser evasivos e não apresentam nenhuma abordagem crítica às notícias, tentando ilustrar uma administração onde tudo funciona muito bem.

O Polifônico surge dentro desse cenário de obscurantismo vivenciado pela imprensa riostrense. E 2010, ano de eleições, onde muitas inverdades ainda serão propaladas nas páginas dessa imprensa, vale indagar: será que os jornais que não circulam mais na cidade voltarão a circular este ano ressurgindo das trevas (como em todos os anos eleitorais) com verbas de fundos partidários, propinas, trocas de favores e com mais fotos de rostos que já conhecemos, para depois do voto depositado nas urnas desaparecer novamente?

Não há imprensa em Rio das Ostras. Não há jornalismo na cidade. Não há comunicação que sirva ao social feita de maneira livre e cidadã neste município. E, baseada nesta lacuna de diálogo entre o cidadão e o fato, a notícia, o poder público e a lei é que nasce esta polifonia. A etimologia da palavra explica o conceito: do grego poli (muitos), fonia (som)… muitos, vários sons, vozes… pois acreditamos que há uma massa querendo falar, mas não encontra espaço onde possa fazer ecoar sua voz nessa estrita e corrompida imprensa local.

O Polifônico, através da maior rede de comunicação do mundo – a Internet -, leva não só para o morador da cidade, para o veranista de Rio das Ostras, para os visitantes desta linda cidade, mas para todos os continentes, informação de qualidade produzida por profissionais de comunicação e por um staff – ainda em fase de formação – composto por pessoas habilitadas em diversas áreas como educação, meio ambiente, saúde, assistência social, direito, cultura, geografia, letras, filosofia, cinema, segurança pública, cultura, enfim… por pessoas qualificadas e com vontade de soltar o verbo nesse coletivo polifônico. Contamos com o suporte e a experiência de ‘amigos conselheiros’, que acumulam em seus currículos longos anos de estrada na atuação em comunicação corporativa e na mídia alternativa nacional e local e, principalmente com você leitor, que a partir de hoje terá aqui o seu canal de comunicação local.

Agora, dois anos depois o Número Zero d’O Polifônico chega impresso as suas mãos depois de muito trabalho.

Este foi o primeiro editorial do jornal publicado no site d’O polifônico em dezembro de 2009.

Intervenha. Não deixe que falem por você. Leia O Polifônico, acompanhe diariamente o site do jornal e contribua com a polifonia. Aqui você tem voz.

Um abraço, Leonor Bianchi, jornalista, Editora d’O Polifônico.

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