!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Todos os políticos são iguais?

Por Celso Vicenzi*

Virou clichê dizer que “todos os políticos e partidos são iguais”. É essa também a impressão de uma grande parcela de cidadãos que aderiu às manifestações em todo o país. Para chegar a essa quase-certeza (ou certeza, para os mais convictos), houve a colaboração intensiva da mídia no dia a dia da cobertura política. É verdade que boa parte dos políticos tem contribuído para que essa percepção prevaleça. Mas esse sentimento quase unânime foi também habilmente construído pelos meios de comunicação. Pura e simplesmente por omissão, por sonegar informação ao leitor, ao radiouvinte, ao telespectador, ao internauta.

Manaus-Amazonas-Amazonia-Royalties-votacao_dos_vetos-Dilma_Rousseff-Camara-Senado_ACRIMA20121212_0072_15-1

Análise de uma única votação, na Câmara dos Deputados, revela diferenças sobre as quais mídia raramente informa

Não interessa aos donos da mídia dizer “quem é quem” no cenário político nacional, estadual e municipal. Por isso, com raríssimas exceções, a cobertura de votações importantes costuma trazer apenas o resultado, sem mencionar claramente como votaram os partidos, os vereadores, os deputados e os senadores. Pode-se alegar que, nos veículos impressos ou na TV, não há espaço e tempo para tanto detalhamento. Dependendo da importância do que está em votação, por que não? Em que manual está escrito que não pode? Depende de que tipo de jornalismo se queira fazer. Na mídia impressa, certamente há espaço – que não ocupa mais do que um parágrafo – para indicar pelo menos o voto dos partidos. Idem nas TVs e rádios. São informações que não deveriam ser omitidas, sob pena de a população nunca saber como votam os seus representantes nas questões mais essenciais. Quem tem feito esse papel, com as limitações evidentes de alcance, tem sido as redes sociais.

A diferença de posições ideológicas entre os partidos, apesar dos pesares, fica evidente, por exemplo, no caso recente da votação de uma Moção de Repúdio à espionagem norte-americana que acessou bilhões de emails, telefonemas e dados de empresas e cidadãos brasileiros, além do governo. A Moção foi apresentada pelo deputado José Guimarães (PT) e aprovada por 292 votos. No entanto, 86 deputados votaram contra e 12 se abstiveram de aprovar um documento que se posiciona em favor da soberania brasileira e pede uma solução internacional para a violação do direito à privacidade e do sigilo que envolve as relações entre empresas e países. Quem votou “sim” expressou também “concordância com as iniciativas destinadas a criar uma agência multilateral, no âmbito do sistema das Nações Unidas, para gerir e regulamentar a rede mundial de computadores, poderoso instrumento de uso compartilhado da humanidade”. E externou, ainda, “apreensão com a segurança do cidadão norte-americano Edward Snowden, que está refugiado, há dias, no aeroporto de Moscou”.

Certamente há razões para tantos parlamentares manifestarem-se contrários ou absterem-se de apoiar uma moção contrária à violação das leis internacionais, que o governo brasileiro – e outras nações – classificaram como muito grave. O que importa, no caso, não é discutir o mérito. Mas observar que os partidos identificados mais à esquerda votaram unânimes pela aprovação. Quando se identificam os votos, o eleitor tem a chance de saber quem de fato o representa.

Neste caso, dos partidos maiores, votaram unânimes pela Moção o PCdoB (11 votos), PDT (24 votos), PT (70 votos), PPS (9 votos), PRB (9 votos) e PV (8 votos). Foram acompanhados pelo voto uniforme de partidos menores como PEN (2 votos), PHS (1), PSL (1), Psol (2), PTdoB (2) e o voto do catarinense Jorge Boeira (sem partido). Votaram contra: DEM (16 dos 20 votos), PMDB (11 contra e uma abstenção, de um total de 64 votos), PMN (2 contra em 3 votos), PP (17 contra em 24 votos), PR (4 contra e uma abstenção, em 24 votos), PRP (um contra e um a favor), PSB (2 contra e uma abstenção, em 21 votos), PSC (8 contra em 10 votos), PSD (20 contra em 32 votos), PSDB (3 contra e 10 abstenções) e PTB (2 contra em 13 votos).

Se houvesse uma prestação de contas rotineira, certamente seria possível que uma parcela cada vez mais significativa da população compreendesse que, mesmo numa época em que as cores partidárias perderam muito da sua autenticidade programática, é possível, sim, perceber diferenças muito claras entre os partidos e os parlamentares.

Os brasileiros e brasileiras têm o direito de saber como votam os parlamentares. E a mídia do país tem o dever de mostrar. Se não o faz, é porque tem interesse em desinformar. E impedir que o cidadão identifique, com mais clareza, quem de fato o representa.

Fonte: Outras Palavras

*Celso Vicenzi é jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas/SC, Prêmio Esso de Ciência e Tecnologia (1985). Atuou em rádio, TV, jornal, revista e assessoria de imprensa. Autor de “Gol é Orgasmo”, editora Unisul – ilustrações de Paulo Caruso. Escreve humor no tuíter: @celso_vicenzi. Para contato: vicenzi@newsite.com.br

Comentários desativados em Todos os políticos são iguais?

Procuradoria de Rio das Ostras oferece 30 vagas de estágio

Posted in Outras Fontes, Rio das Ostras, Trabalho e Renda by ImprensaBR on 17/07/2013

Vagas são para estudantes que cursam o 6º ou 7º período de direito. Não há cobrança de taxa de inscrição

A Procuradoria Municipal de Rio das Ostras está oferecendo 30 vagas de estágio para estudantes que cursam o 6º ou 7º período do curso de direito. Os interessados têm até 9 de agosto para se inscrever na secretaria da Procuradoria Geral do Município de Rio das Ostras, na rua Campo de Albacora, 75, Loteamento Atlântica.

Não há cobrança de taxa de inscrição. O edital do processo de seleção foi publicado no Jornal Oficial, edição nº 643, de 12 a 18 de julho, no qual o candidato também conhecerá o conteúdo programático exigido. Os candidatos serão submetidos à prova discursiva, em data e local que serão divulgados pela comissão organizadora. Para ser aprovado o candidato deverá acertar pelo menos 50% das questões da prova.

Os estagiários selecionados receberão uma bolsa-auxílio no valor de R$ 600, além do auxílio-transporte no valor de R$ 80. Eles terão um período de trabalho de 6 horas diárias, que contam para a carga horária da faculdade. Os estagiários vão atuar junto aos procuradores do município.

Do G1

Comentários desativados em Procuradoria de Rio das Ostras oferece 30 vagas de estágio

Professores da rede municipal de Rio das Ostras, RJ, suspendem greve

Posted in Cidadania, Coluna do Servidor, Educação, Outras Fontes, Rio das Ostras by ImprensaBR on 22/05/2013

Segundo coordenação dos grevistas, seis propostas foram solucionadas.
Nova assembleia será realizada na próxima terça-feira

Depois de uma reunião entre o prefeito e professores da rede municipal de Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, a greve da categoria, iniciada nesta terça-feira, foi suspensa até a próxima semana. A lista de reivindicações tinham sete pontos. Segundo a coordenação dos grevistas, seis propostas foram debatidos e solucionados de comum acordo. Na próxima terça-feira (28), uma nova assembleia será realizada.

Em Rio das Ostras existem 43 escolas municipais, que atendem cerca de 20 mil alunos. Nesta terça (21), os professores paralisaram os trabalhos e se reuniram em frente a prefeitura para pedir melhorias para a categoria. Em diversos colégios do município, alunos e pais não sabiam se as aulas aconteceriam.

A suspensão das aulas foi parcial, já que nem todos os professores aderiram ao movimento. Cerca de 20% dos profissionais aderiram ao movimento segundo a secretaria de educação do município, índice considerado baixo pelo órgão.

Os professores reivindicavam o recebimento das gratificações que estariam atrasadas há quatro meses, além da unificação da jornada de 20 horas semanais para todos os professores. O movimento pedia também a revisão do plano de cargos, carreiras e vencimentos e também cumprimento da lei que determina que um terço da carga horária seja para atividades extra classe.

Fonte: G1

Comentários desativados em Professores da rede municipal de Rio das Ostras, RJ, suspendem greve

MP diz que concurso público de Rio das Ostras, RJ, foi fraudado

Favorecimento de candidatos está entre as irregularidades. Prefeitura tem até 31 de maio para divulgar data do reembolso.

O Ministério Público do estado do Rio de Janeiro acusou Carlos Augusto Carvalho Baltazar, ex-prefeito de Rio das Ostras, e mais cinco pessoas, incluindo o diretor e o presidente da Fundação Trompowsky, de fraudar o sexto concurso público da prefeitura de Rio das Ostras, Região dos Lagos do Rio. Muitas foram as irregularidades apontadas na realização do concurso, entre elas, a falta de segurança, desorganização, plágio de questões de outros concursos, uso de celular durante o exame, desaparecimento de provas e favorecimento de candidatos.

Os promotores de justiça, Luiz Fernando Lemos de Duarte de Amoedo e Rafaela Dominguez Figueiredo Ramos da 1ª e 2ª Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva núcleo Macaé pediram reparação moral coletiva e indisponibilidade dos bens dos envolvidos. Segundo eles, o contrato firmado, sem licitação, entre a prefeitura e a Fundação é irregular, porque nele não constava previsão do valor a ser pago pelos servições prestados. Além disso, a previsão da prefeitura era de um gasto de R$ 160 mil com a Trompowsky, mas foram gastos quase R$ 7 milhões.

O concurso foi anulado no dia 30 de março, através de um acordo entre a prefeitura e o Ministério Público. Dessa forma, o município tem até o dia 31 de maio para divulgar a data do reembolso aos concursados. A partir da data da publicação, o prazo é de 60 dias para devolver o valor da inscrição a todos os candidatos.

O município se comprometeu a realizar um novo concurso até dezembro deste ano. Caso o acordo não seja cumprido, a prefeitura e o prefeito de Rio das Ostras, RJ, podem ser multados em R$10 mil por dia.

Além do ex-prefeito, também são réus da ação Marcelo Chebor da Costa, o então secretário de Administração, e Rosemarie da Silva e Souza Teixeira, secretária de Planejamento. Da Fundação, são réus o presidente Flávio Serra Terra de Faria e o diretor da entidade Antônio Carlos Guelfi.

G1

Comentários desativados em MP diz que concurso público de Rio das Ostras, RJ, foi fraudado

Projeto Saúde em Vídeo promove exibição de filmes em que o assunto são os problemas da área da saúde

Posted in Cinema, Outras Fontes, Saúde by ImprensaBR on 01/04/2013

O Projeto Saúde em Vídeo tem como objetivo discutir questões da área de saúde e/ou promoção da saúde de forma didática. A intenção é que as pessoas tomem conhecimento sobre os inúmeros aspectos relacionados ao aprendizado, resultados, vivências, experiências de vida e casos reais que contribuirão direta ou indiretamente para o crescimento pessoal e profissional de cada individuo. O Cine Benf, nome da mostra, ocorrerá no auditório da Escola de Enfermagem da UFF, todas as segundas-feiras de cada mês, às 13h, na Rua Doutor Celestino, 74, 1° andar, Centro, Niterói. O público poderá, além de assistir, participar da escolha dos filmes exibidos, atuais ou antigos, sobre os mais diferentes casos, verdadeiros ou fictícios. Inayá Gomes de Andrade, a bibliotecária responsável, acredita que os títulos selecionados irão proporcionar momentos de reflexão sobre o cuidado com o ser humano. 

No dia 8 de abril será exibido o filme “Antes de Partir”, em que Carter Chambers (Morgan Freeman), um homem casado de 46 anos, será submetido a um tratamento experimental para combater o câncer. Internado no hospital, passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. Edward também está com câncer e, após ser operado, descobre que tem poucos meses de vida. O mesmo acontece com Carter, que decide escrever a “lista da bota”, algo que seu professor de filosofia na faculdade passou como trabalho muitas décadas atrás. A lista consiste em fatos que Carter deseja realizar antes de morrer. Ao tomar conhecimento da tal lista, Edward propõe que ambos a realizem, o que faz com que partam em viagem pelo mundo a fim de aproveitarem seus últimos meses de vida.

Ascom UFF

Comentários desativados em Projeto Saúde em Vídeo promove exibição de filmes em que o assunto são os problemas da área da saúde

Alunos da Federal Fluminense têm aulas dentro de contêineres no RJ

Posted in Educação, Outras Fontes, Rio das Ostras by ImprensaBR on 09/03/2013

Estudantes da UFF (Universidade Federal Fluminense) dos campi de Rio das Ostras, na região dos Lagos, e de Campos dos Goytacazes, no norte do Estado, têm aulas em contêineres e sofrem com o número insuficiente de professores.

O cenário afeta, ao menos, 4.300 alunos matriculados nos dois campi do interior.

Em Campos dos Goytacazes (284 km da capital), o campus soma cerca de cem contêineres, onde ficam tanto as salas de aula quanto as áreas administrativas da unidade. Outros 20 devem ser alugados este ano para receber novos alunos, segundo o diretor do pólo, Hermán Mamani. A unidade aguarda a conclusão de um prédio para 2014.

O problema de espaço afeta não somente as aulas, mas os estudos e pesquisas, é o que diz a estudante Priscilla Reis, do Centro Acadêmico de Ciências Sociais em Campos. Ela afirma que os contêineres não são ruins, pois são montados para serem como salas de aulas e que têm até banheiro e ar-condicionado.

“Falta espaço para montar grupo de pesquisas porque tem que priorizar para as salas de aula”, afirmou a estudante.

Eu acho horrível. O ar-condicionado deixa muito gelado. É muito barulhento porque é uma caixa de lata. Cai um lápis e faz o maior barulho. A fiação elétrica é dentro da sala

RAYLANE WALKER, 22, estudante de serviço social em Rio das Ostras.

No campus de Rio das Ostras (175 km da capital), o projeto do prédio principal está pronto desde 2007 e há três anos tem verba destinada, mas as obras ainda não saíram do papel.

“Hoje, o que foi depositado, não dá mais nem para um quinto das obras por causa da inflação e da especulação imobiliária”, afirmou o diretor da unidade, Ramiro Piccolo. São necessários R$ 25 milhões para a construção do edifício.

“Eu acho horrível. Por dentro é branco, o ar-condicionado deixa muito gelado. É muito barulhento porque é uma caixa de lata. Cai um lápis e faz o maior barulho. A fiação elétrica é dentro da sala”, disse Raylane Walker, 22 anos, estudante do 6º período de serviço social em Rio das Ostras.

Sem restaurante

Os alunos reclamam ainda a falta de restaurantes universitários e, em Rio das Ostras, só em janeiro deste ano foi inaugurado o alojamento de estudantes.

Alunos que não têm dinheiro para comer na cantina do polo, onde a comida é considerada cara, buscam o restaurante popular da Prefeitura de Campos, onde o prato custa R$ 1. “O pessoal come no restaurante da Rosinha”, diz a estudante sobre o local, apelidado como uma referência à prefeita Rosinha Garotinho.

Expansão

Hoje, a UFF tem 29 unidades de ensino superior distribuídas por sete municípios: Niterói (sede), Rio das Ostras, Campos de Goytacazes, Angra dos Reis, Volta Redonda, Santo Antonio de Pádua e Nova Friburgo.

A instituição atende a 21.115 alunos de graduação e 3.028 de pós-graduação com com 2.287 professores e 4.064 funcionários. De acordo com o Relatório de Gestão de 2011, a universidade “ampliou em 28% a oferta de vagas na graduação no período de 2010 a 2011.”

Sua expansão faz parte do programa federal Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), criado pelo governo federal em 2004.

De 2009 até este ano o Polo Universitário de Campos dos Goytacazes viu seu número de alunos saltar de 560 para cerca de 1.800 matriculados. No entanto, o prédio inaugurado em 1962 para um curso apenas, o de serviço social, não deu conta de abrigar os demais cursos – geografia, economia, ciências sociais, história e psicologia.

O campus de Rio das Ostras tinha, em 2009, 690 alunos e atualmente tem 2.500 estudantes.

A reportagem do UOL procurou a reitoria da UFF na segunda-feira e até o momento da publicação não obteve resposta.

Fonte: UOL Carolina Farias
07/03/2013

Comentários desativados em Alunos da Federal Fluminense têm aulas dentro de contêineres no RJ

Castilho: ausência de cobertura local debilita a democracia

Posted in Brasil, Comunicações, Observatório da Imprensa Local, Outras Fontes by ImprensaBR on 08/01/2013

Com a crise no modelo de negócios das empresas jornalísticas, um dos primeiros setores a sentir os efeitos dos cortes foi o do noticiário local — gerando uma lacuna que impede o monitoramento de vereadores, deputados e senadores pelos seus eleitores.

A esperança era que os milhares de blogs, twitters e integrantes de redes sociais pudessem preencher esse espaço, mas a realidade não corresponde à expectativa, pelo menos por enquanto. A maioria dos blogs e perfis no Twitter têm se preocupado mais com as idiossincrasias de seus autores e com questões político-partidárias do que com as necessidades e interesses de comunidades sociais urbanas e rurais.

O vácuo no noticiário local contribui para o isolamento entre os eleitores e os seus representantes em instâncias legislativas, criando condições para que vereadores, deputados e senadores administrem os seus cargos como se fossem um emprego privado, onde o eleitor só entra quando há a necessidade de renovar o mandato.

Este comportamento tornou-se meridianamente claro em episódios como os aumentos salariais autoconcedidos. Os parlamentares, por se sentirem isentos de qualquer preocupação em prestar contas, tomam decisões em beneficio próprio, sem o menor escrúpulo.

É uma situação potencialmente critica, conforme constatou, já em 2011, um informe da Knight Foundation, fundação norte-americana que estuda as consequências da crise na cobertura local. Nos Estados Unidos, a ausência de notícias locais é vista como um fator de enfraquecimento na relação entre governantes e governados, gerando um clima propício ao dirigismo autoritário.

No Brasil, a consequência do mesmo fenômeno é mais próxima da delinquência legislativa, pois serve de pretexto para a generalização do desvio do dinheiro público para fins privados ou corporativos. Também aqui a democracia está sendo minada pela falta de patrulhamento por parte do eleitor, do qual não nos damos conta porque a noção de direitos do cidadão ainda é muito recente entre nós.

A emergência dos blogs como ferramentas a serviço do eleitor é inevitável, mas tomará algum tempo porque implica a mudança de comportamentos e valores ainda muito entranhados na população brasileira. O tempo pode contribuir para que o distanciamento entre governantes e governados chegue a um ponto crítico.

Por isso, ganha corpo a ideia de uma cooperação entre as empresas jornalísticas e blogueiros preocupados com a cobertura de temas locais. Uma parceria seria ideal porque os cidadãos podem oferecer notícias, imagens e sons cuja coleta sairia muito caro para empresas que estão trabalhando “no osso” em matéria de pessoal nas redações. Por seu lado, as empresas poderiam retribuir oferecendo capacitação técnica para os jornalistas “amadores” melhorarem a qualidade do noticiário publicado em seus blogs.

Quase todos os grandes jornais já criaram espaços para a participação dos leitores, mas isso ainda não configura uma parceria, pois há resistências dos dois lados. As empresas alegam que o treinamento de amadores ou praticantes do jornalismo não é sua função, ao mesmo tempo em que demonstram uma clara má vontade em tratar os leitores em pé de igualdade. Elas aceitam fotos, vídeos e notícias que não poderiam obter por custo, mas a relação pára aí. Por seu lado, os blogueiros se queixam que são usados como mão de obra barata ou gratuita no fornecimento de material local.

Enquanto as duas partes mantiverem essa desconfiança, ambas saem perdendo — os cidadãos, porque continuarão impedidos de monitorar seus representantes legislativos. A imprensa brasileira tem se preocupado ultimamente em patrulhar políticos, mas isso tem sido feito com uma forte influência de interesses corporativos ou eleitorais, o que não contribui para reduzir as reticências dos blogueiros.

Assim, estamos agora num limbo onde a falta de informação local prejudica o exercício da cidadania e impede a imprensa de transformar essa modalidade de cobertura jornalística em fonte de renda num tempo de vacas magras.

*Carlos Castilho é jornalista e professor.
Fonte: Observatório da Imprensa

Comentários desativados em Castilho: ausência de cobertura local debilita a democracia

Mais de mil jornalistas foram demitidos pelo Brasil afora em 2012

O ano de 2012 foi marcado por enxugamento das redações, principalmente devido ao fim da publicação de veículos e à migração do impresso para o online. Levantamento feito pelo Comunique-se mostra que mais de 1.230 jornalistas foram demitidos nesse período. A maioria das dispensas foi motivada por cortes orçamentários e reestruturações.

Destaque para os 450 cortes promovidos pela Rede TV, quase um terço do quadro total de funcionários. Entre os jornalistas, Rita Lisauskas deixou o canal em janeiro, após ter postado em seu perfil no Facebook uma reclamação sobre os atrasos salariais. Em março, pelos menos oito pessoas foram cortadas do departamento esportivo, o equivalente a 40% do núcleo. A emissora passou o ano em destaque no noticiário, por causa de demissões, atrasos nos salários e pelo não pagamento de benefícios, como o 13º salário.

Na Record foram registradas 70 demissões. A ordem teria sido cortar em 12% os custos de Record News e R7, informação não confirmada pela empresa. No veículo televisivo, 40 jornalistas de Brasília, Santa Catarina e São Paulo deixaram de fazer parte da equipe. Em nota, a emissora afirmou fazer “uma reformulação em sua grade de programação”.

Grandes impressos também enfrentaram problemas. A “Folha de S.Paulo” demitiu ao menos cinco jornalistas. Em junho, a versão online passou a usar a tecnologia do paywall, cobrando pelo conteúdo produzido. Claudio Ângelo e Lucio Vaz (repórteres da sucursal de Brasília), Carolina Vilanova (repórter de ‘Mundo’) e Lucia Valentim (repórter do caderno ‘Ilustrada’) foram dispensados. Ex-correspondente e ex-secretário de redação, Vaguinaldo Marinheiro também perdeu o emprego.

Concorrente da “Folha”, o “Estadão” demitiu 20 jornalistas em fevereiro. Do mesmo grupo, o “Jornal da Tarde” encerrou suas atividades no Dia das Bruxas, 31 de outubro. Em julho, o JT havia dispensado cerca de 20 profissionais e sinalizou que deixaria de circular aos domingos.

Outro impresso que encerrou suas atividades foi o diário esportivo “Marca Brasil”. Os jornalistas que trabalhavam no periódico seriam transferidos para outras publicações do Grupo Ejesa/Ongoing, responsável pelo portal IG e pelas edições dos jornais “Meia Hora”, “O Dia” e “Brasil Econômico”. A empresa não confirmou, mas na redação os comentários eram de que cerca de 70 foram dispensadas. Em dezembro, 13 funcionários de deixaram a companhia.

No segmento das revistas, o Grupo Abril encerrou o ano com 150 demissões, entre jornalistas e funcionários do setor administrativo. A editora também anunciou o fim da revista mensal Quatro Rodas Moto e a dispensa de quatro jornalistas da publicação.

Fonte: Comunique-se

Comentários desativados em Mais de mil jornalistas foram demitidos pelo Brasil afora em 2012

Memória e Jornalismo em debate na BN

 

A primeira etapa do projeto Centro de Cultura e Memória do Jornalismo (CCMJ), que reúne acervos como a biblioteca de Joel Silveira, encerra-se no dia 26 de julho. Nesta data, das 9 às 18 horas, será realizado o Seminário Jornalismo e Memória, no Espaço Cultural Eliseu Visconti da Fundação Biblioteca Nacional (Rua México s/nº. Centro).

A entrada no evento é gratuita. Para inscrição, envie e-mail com nome completo para sindicato-rio@jornalistas.org.br, preenchendo o campo assunto com INSCRIÇÃO SEMINÁRIO JORNALISMO E MEMÓRIA.

Representantes de mais de dez entidades ligadas à preservação de acervos e pesquisa – como o Museu da Língua Portuguesa, a Fundação Roberto Marinho e o Instituto Moreira Salles – estarão presentes ao seminário. “Vamos debater o papel da imprensa na constituição da memória do País”, expõe a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, Suzana Blass.

O jornalista Sérgio Cabral, um dos criadores do jornal Pasquim, e Alzira Alves de Abreu, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas, estão entre os debatedores. A programação do seminário conta com três paineis: Museus Públicos e Privados: Constituição e SustentaçãoJornalismo e MemóriaMuseus e Novas Tecnologias.

O CCMJ foi inaugurado em setembro do ano passado, por iniciativa do próprio Sindicato. Na ocasião, foi lançado o livro Memória de Repórter: Lembranças, casos e outras histórias de jornalistas brasileiros – décadas de 1950 a 1980. A obra detalha, por exemplo, a relação dos jornalistas com as fontes e a produção do jornal em época de poucos recursos tecnológicos.

“O Centro de Cultura é um espaço que queremos levar adiante, em parceria com outras instituições, com o objetivo de fomentar um jornalismo de qualidade, ético e mostrar através de debates, exposições temáticas, entre outras coisas, a relevância da imprensa na construção da história do Brasil”, diz a presidente do Sindicato.

No site do CCMJ, jornalistas como Alberto Dines, Bartolomeu Brito, José Hamilton Ribeiro dão seus depoimentos sobre sua trajetória na imprensa. Ao todo são 52 testemunhos de profissionais que fizeram a história dos periódicos brasileiros.

Além de preservação jornalística, o CCMJ também guarda a literatura que passou pelas mãos do jornalista Joel Silveira. São 5 mil livros do acervo pessoal do autor de Eram Assim os Grã-Finos em São Paulo que estão guardados no local.

Visitas e pesquisa no Centro de Cultura e Memória do Jornalismo podem ser agendadas pelo telefone 21 3906-2450 ou pelo e-mail sindicato-rio@jornalistas.org.br. O espaço fica na Rua Evaristo da Veiga 16 / 7º andar, sala 702.

Texto atualizado às 15h23 do dia 17/7/2012.

Fonte: SJPMRJ

Comentários desativados em Memória e Jornalismo em debate na BN

Firjan discute futuro do Leste Fluminense com empresários e políticos da região

Posted in Cidade, Economia, Empregos e Oportunidades, Estado, Infraesturutura, Outras Fontes by ImprensaBR on 27/04/2012

Principal motor de crescimento da região é o Comperj, seguido da indústria naval e logística 

Qual o futuro do Leste Fluminense? Quais os possíveis ou prováveis caminhos que a região deverá seguir para alcançar o desenvolvimento econômico e social? Essas foram as questões debatidas nesta quinta-feira, dia 26, com técnicos, empresários e políticos, no evento “Visões de Futuro: Potencialidades e Desafios do Leste Fluminense”, realizado no Clube Português, em Niterói.

“Temos a oportunidade de mostrar a preocupação do Sistema Firjan para o desenvolvimento da região através desse seminário. Sabemos que existem os projetos em andamento como o Comperj e o Arco Metropolitano, mas temos também que lutar pela recuperação do ramal da ferrovia Centro-Atlântica (FCA) de Campos a Itaboraí; do projeto de uma rodovia que vai de São Pedro da Aldeia a BR-101, fundamental para a ligação das regiões; e do complexo logístico em Cabo Frio. Além, é claro, de investir na educação fundamental como suporte base para o desenvolvimento” – adiantou o presidente da Representação da Firjan em Niterói, Luiz Césio Caetano.

Em formato de talk show e mediado pelo jornalista Max Andrade, o futuro dos municípios de Niterói, Rio das Ostras Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Búzios, São Pedro da Aldeia, Araruama, Rio Bonito, Saquarema, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Tanguá, Itaboraí, Maricá, São Gonçalo e Iguaba Grande foi discutido por empresários, que falaram sobre como aproveitar as potencialidades e superar desafios, e por secretários de governo, que apontaram o que pode ser feito para garantir um futuro promissor para a região.

O debate foi provocado pela apresentação feita pelo gerente de Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan, Cristiano Prado, que apontou as possibilidades de desenvolvimento no período de 5 a 15 anos, e os principais projetos já em desenvolvimento. O principal motor da região é o Comperj, que vai gerar milhares de empregos promovendo o crescimento econômico com influência direta nas regiões de São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá e Rio Bonito.

Outros dois motores de crescimento são a indústria naval nos municípios de Niterói, São Gonçalo e Maricá, e a logística nos municípios de Arraial do Cabo e Cabo Frio. Já o Arco Metropolitano ampliará os impactos dos investimentos ao reduzir em até 20% o custo dos transportes em alguns municípios.

Cristiano Prado comentou que os municípios de Araruama, Búzios, Iguaba Grande, Rio das Ostras e São Pedro da Aldeia, menos impactados pelos grandes investimentos têm potencial para apoio às atividades offshore, expansão da agroindústria, silvicultura econômica, fabricação de produtos farmacêuticos, de produtos de borracha e de produtos de material plástico.

Também comentado pelo gerente de Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema FIRJAN o setor de turismo terá grande destaque para a região nos municípios de Maricá, Saquarema, Araruama, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, cabo Frio, Rio das Ostras e Búzios.

O seminário teve a participação das autoridades municipais representando os prefeitos: José Raimundo Martins Romeo, secretário municipal de Ciência e Tecnologia de Niterói; Ronaldo Elias de Moraes, secretário municipal de Planejamento e Coordenação Geral de Rio Bonito; Mauro Paes, subsecretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Tanguá; Ricardo Azevedo, secretário municipal de Indústria, Comércio, Trabalho e Pesca de Cabo Frio; e ainda Felipe Peixoto, secretário estadual de Desenvolvimento, Abastecimento e Pesca do Estado do Rio de Janeiro.

Também participaram das discussões os empresários Aécio Nanci, da Nanci e Cia Ltda; e Ricardo Guadagnin, da Garri de Cabo Frio Dormitórios e Complementos Ltda; além dos presidentes dos sindicatos das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Rio de Janeiro (Simmmerj), Lucenil Ferreira de Carvalho; e da Construção, Engenharia Consultiva e do Mobiliário de Niterói e Cabo Frio (Sindicem), Sérgio Yamagata.

O seminário que teve a primeira edição ano passado continuará este ano em todo o estado discutindo as visões de futuro do Rio, com exposição dos potenciais de desenvolvimento econômico de cada região. O próximo acontece em junho e tratará do futuro dos demais municípios do Sul Fluminense. [www.firjan.org.br ]

Fonte: Fator Brasil

Comentários desativados em Firjan discute futuro do Leste Fluminense com empresários e políticos da região

Rio terá reserva adaptada para receber turistas com necessidades especiais que acompanharão Paraolimpíadas

Posted in Cidade, Esporte, Meio Ambiente, Outras Fontes by ImprensaBR on 24/04/2012
  • Flávia Villela

Rio de Janeiro – A Reserva Biológica União (Rebio União), na região das baixadas litorâneas do estado do Rio de Janeiro, vai passar por obras de acessibilidade para que portadores de necessidades especiais possam passear por cerca de mil dos 3,3 mil metros da trilha do Pilão, no interior da reserva.

O chefe da reserva, Whitson José da Costa Jr., afirmou que a nova trilha, além de atender à população do estado, servirá de espaço de lazer para os turistas brasileiros e do exterior com necessidades especiais que acompanharão as Paraolimpíadas de 2016, evento que ocorrerá após os Jogos Olímpicos, também sediados no Rio. Ele explicou que a ideia do projeto surgiu depois que uma instituição para pessoas com deficiência motora solicitou uma visita à reserva.

“Foi então que vimos quão despreparados estávamos para receber esse público. Após estudo, descobrimos que 14% da população brasileira têm algum tipo de deficiência física e que só na região da reserva vivem cerca de 50 mil pessoas com algum tipo de necessidade especial, privadas de conhecer essas reservas naturais porque não têm acesso a elas”.

O projeto faz parte de um convênio, formalizado no início de abril entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra a Rebio União, a Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro (SEA/RJ) e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). As obras devem começar em junho e a previsão é que estejam prontas no fim do ano.

Com custo de R$ 311 mil, o projeto será financiado pela Secretaria do Ambiente e o Funbio ficará responsável por sua execução.

Além das obras de adaptação nos banheiros, no auditório e na área de exposições para garantir a acessibilidade, os primeiros 900 metros da trilha serão pavimentados e ganharão proteção nas laterais (guarda-corpo). O projeto também inclui a contratação de um profissional para divulgar o novo espaço e incentivar a visitação nas instituições que trabalham com portadores de necessidades especiais na região.

Haverá ainda um guia capacitado para receber visitantes com diferentes necessidades especiais. “O cego, por exemplo, poderá explorar o ambiente também pelo tato e pelo olfato com o auxílio do guia”, informou Whitson.

A Rebio União localiza-se nos municípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé e possui uma área de 2.548 hectares. Habitat do mico-leão-dourado, uma das espécies mais ameaçadas do mundo, a reserva fica a cerca de 160 quilômetros da capital fluminense e é considerada um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica de baixada do estado ainda em bom estado de conservação.

Edição: Davi Oliveira

Repórter da Agência Brasil

Comentários desativados em Rio terá reserva adaptada para receber turistas com necessidades especiais que acompanharão Paraolimpíadas

Depois de 40 anos, Cacau, hoje morador de Rio das Ostras, se reconhece na foto da capa do disco Clube da Esquina

Posted in Cidade, Cultura, Observatório da Imprensa Local, Outras Fontes, Região by lunks on 21/03/2012

Depois de 40 anos, morador de Rio das Ostras, Cacau, repete a cena da foto do disco do Clube da Esquina.

O dia-dia do jornalista depende não apenas de seu bom desempenho mental e ‘elouquencia redacional’, mas sobretudo e antes de tudo de sua criatividade, sua inventividade para criar pautas e desenvolvê-las. Muitos são os argumentos que podem gerar uma pauta.

A invenção de hoje fica por conta da clippagem sobre Rio das Ostras na imprensa nacional e merece destaque na editoria Observatório da Imprensa Local, embora a matéria a seguir não revele nenhum aspecto crítico do leitor para com a mídia local, mas  revela um fato desprezado pela mesma na medida em que todos estão falando do assunto menos nós aqui na cidade!

E não é que inventando pautas e fazendo clippings sobre Rio das Ostras cheguei ao estado de Minas, ou melhor, ao Estado de Minas! Sim, trata-se de jornalão como nós do jornalismo popular costumamos chamar os impressos produzidos por grandes grupos empresariais que visam o lucro acima de tudo através da utilização da comunicação ‘social’ na sociedade moderna.

Mas enfim, o interessante deste enredo todo foi o encontro inacreditável com a matéria da jornalista Ana Carla Brant e do fotógrafo Túlio Santos do jornal Estado de Minas sobre  Cacau e Tonho, os dois meninos que aparecem na capa de um dos discos mais importantes da cultura musical de Minas Gerais e de uma geração belê da qual sou herdeira com muito orgulho: o Clube da Esquina, do coletivo de músicos mineiros liderados por Milton Nascimento e Lô Borges, de 1972.

Fotografados há 40 anos pelo pernambucano Carlos da Silva Assunção Filho – Cafi – a jornalista e o fotógrafo foram para Nova Friburgo atrás da pauta inventada pelo editor de Cultura do EM, João Paulo Cunha.

O resultado é a bela matéria que o leitor d’O Polifônico lerá a seguir contando brevemente a estória desses dois garotos, cujos destinos se distanciaram quando um deles veio morar em Rio das Ostras, onde hoje trabalha como jardineiro.

Não seria, no meu entender, plágio, sugerir, enquanto editora deste jornal, uma entrevista com o Cacau, para saber dele como viveu durante esses 40 anos o menino da foto da capa de um dos discos mais vendidos e curtidos das últimas quatro décadas.

É impressionante ver como o semblante do Cacau pouco mudou de lá pra cá, não?

Para mim, que já morei em Lumiar e conheci o lugar onde foi composta a música que tem o nome do vilarejo, foi emocionante ler esta matéria singela. Vi de perto novamente na minha memória toda a beleza daquela terra de águas e matas abençoadas onde fui muito feliz… mas vi também a pobreza ainda nas vilas mais humildes, a falta de estrutura no atendimento à saúde das famílias que moram em Boa Esperança, São Pedro da Serra, Bocaina dos Blauts, na Sibéria, em Macaé de Cima, Rio Bonito de Cima… a pele maltratada das mulheres que labutam nas lavouras de arroz, feijão, mandioca, banana… o cansaço das crianças que percorrem dezenas de quilômetros para chegar à escola… mas ainda consegui ver beleza nessa memória cruel e árida, pois essas paisagens sempre estiveram floridas e seu povo, por isso, ainda que sofredor, é um povo que se orgulha de ter sido pioneiro, desbravador… e ainda assim, sorri.

Leia a matéria do jornal Estado de Minas:

EM localiza Tonho e Cacau, a dupla que estampou a capa do Clube da Esquina há 40 anos

Meninos continuaram próximos e reviveram a imagem clássica

Ainda mais rápidos do que o habitual, os passos do editor de Cultura, João Paulo Cunha, na manhã de terça-feira, só poderiam significar duas coisas: ou algum artista importante tinha morrido ou… “Achamos os meninos!”. João Paulo acabara de saber que a repórter Ana Clara Brant e o fotógrafo Túlio Santos tinham cumprido a missão que lhes foi confiada na semana passada: percorrer os arredores de Nova Friburgo e localizar, 40 anos depois, os dois garotos que aparecem na capa do Clube da Esquina. A única referência eram indicações um tanto imprecisas do autor da imagem, o fotógrafo pernambucano Cafi, que clicara os garotos a caminho da fazenda da família de um dos letristas do disco, Ronaldo Bastos, e jamais havia os reencontrado.

Munida de cartazes com a reprodução da fotografia, a dupla chegou à Região Serrana do Rio de Janeiro e saiu em busca do objetivo. Conversou com mais de 50 moradores da região. Suposições, negativas, dúvidas… até que uma das entrevistadas, Beth, bateu o olho na foto e, sem hesitar, identificou os garotos. Vieram outras confirmações e o trabalho passou a ser não só localizá-los, mas promover o inédito reencontro. Às 16h de quarta-feira, a repórter ligou para a redação e, eufórica, anunciou que a missão estava cumprida. Depois de escutar o relato, temperado por surpreendentes coincidências e lances inusitados, perguntei a Ana Clara se havia ficado emocionada com o desfecho da busca. E a resposta não poderia ser mais mineira: “Nó! Tirei até uma foto com eles, uai!”.

Com vocês, a história de dois meninos brasileiros que partilharam pães e sonhos numa estrada de terra no início dos anos 1970. Lô e Bituca? Não, Tonho e Cacau. Essa é uma história de poeira, espelho, vidro e corte. Mas é, acima de tudo, uma história com gosto de sol.

– Carlos Marcelo

——–

Nova Friburgo – Você já ouviu falar em Tonho e Cacau? Ou quem sabe em José Antônio Rimes e Antônio Carlos Rosa de Oliveira? Provavelmente não, mas certamente já deve ter se deparado com a fotografia deles por aí. Isso porque os dois Antônios ilustram a capa de um dos discos mais importantes da história da música brasileira: o Clube da Esquina. Passados 40 anos que a câmera de Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, registrou os dois meninos sentados na beira de uma estrada de terra perto de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, o Estado de Minas conseguiu localizá-los depois de uma busca que envolveu dezenas de pessoas e teve histórias saborosas.

Durante bom tempo, muita gente chegou a achar que as duas crianças da capa do LP seriam Milton Nascimento e Lô Borges, mas os próprios artistas sempre desmentiram. “A gente chegou a ir atrás deles, mas era muito difícil localizá-los. Eles devem ter caído no mundo”, declarou Cafi antes de a reportagem botar o pé na estrada rumo a Nova Friburgo. Na verdade, “Lô” e “Milton” praticamente nunca deixaram a região conhecida como Rio Grande de Cima, na zona rural da cidade fluminense, onde nasceram e cresceram.

José Antônio Rimes tem 47 anos e curiosamente exerce o ofício de recompositor, responsável por encaixotar, organizar e distribuir as mercadorias na seção de congelados de um supermercado da cidade. Apesar de a reportagem ter percorrido quilômetros até chegar a Tonho, como é conhecido, ele trabalha a um quarteirão do hotel onde estávamos hospedados. O encontro com o “menino branquinho do disco”, como ficou conhecido, foi cercado de expectativas. Os colegas do supermercado já sabiam da história e quando o recompositor chegou até se assustou: “Que tanto de gente é essa? Por que está todo mundo parado?”, espantou-se. Quando viu a capa do disco, não titubeou: “Oh, sou eu e o Cacau. Como é que vocês conseguiram isso? Quem tirou essa foto? Eu me lembro desse dia”, revelou.

Antônio Rimes recorda que estava brincando em um morro de terra removida pelos tratores que ficava próximo a um campinho de futebol, quando Cafi e Ronaldo Bastos passaram dentro de um Fusquinha. “Alguém do carro me gritou e eu sorri. Estava comendo um pedaço de pão que alguém tinha me dado, porque eu estava morrendo de fome, e para variar descalço. Até hoje não gosto muito de usar sapato. Mas nunca soube que estava na capa de um disco. A minha mãe vai ficar até emocionada. A gente nunca teve foto de quando era menino”, disse Tonho, que nunca ouviu falar em Milton Nascimento, tampouco em Clube da Esquina. “É aquele moço que foi ministro?”, indagou.

Já Antônio Carlos Rosa de Oliveira, de 48 anos, o Cacau, conta que não se lembra do exato momento da foto, mas que anos depois, quando morava em Macaé, no litoral norte do estado do Rio, se deparou com a capa do Clube da Esquina em uma loja de discos e desconfiou que se tratava dele mesmo. “Coloquei a mão sobre a minha foto e fiquei reparando aquele olhar. Achei que era eu mesmo e acabei comprando o CD, porque o LP não tinha mais. Até queria um para poder guardar”, frisa Cacau, que durante toda a reportagem não se desgrudou do álbum que pertence a um dos jornalistas do Estado de Minas . “Vou roubar este pra mim”, brincou.

Cacau e Tonho nasceram na fazenda da família Mendes de Moraes, na zona rural de Nova Friburgo, onde os pais trabalhavam como lavradores. Não desgrudavam um do outro e aprontavam bastante, segundo o relato de parentes e vizinhos que ajudaram a reconhecê-los. Jogavam futebol, bola de gude, pegavam frutas nas vendas da região, nadavam na prainha do Rio Grande e nas cachoeiras. Ficaram muito próximos até os 20 anos, quando as famílias acabaram se mudando para bairros diferentes de Nova Friburgo. Tonho ainda vive na cidade com a mãe, a esposa e as duas filhas, mas Cacau se mudou recentemente para Rio das Ostras, na Região dos Lagos, onde presta serviços como jardineiro e pintor.

Mesmo morando a 100 quilômetros de Nova Friburgo, topou reviver com o amigo a clássica fotografia da capa do Clube da Esquina. Não foi fácil localizar o exato lugar, já que a região do Rio Grande sofreu muito com os efeitos da tragédia de janeiro do ano passado e com o tempo. “Isto aqui mudou demais, então não dá para precisar. Quarenta anos não são 40 dias”, filosofou Cacau. Apesar do sol escaldante e da posição desconfortável, eles não se importaram de posar para a máquina fotográfica. “Quer que eu tire o sapato pra ficar parecido? Adoro ficar descalço mesmo! Se tiver um pão, também pode me dar”, pediu Tonho, dando gargalhadas.

Surpresa 
A princípio, Tonho e Cacau ficaram ressabiados com a história de estamparem a capa de um LP e ao saber que a imprensa estava atrás deles. As famílias também desconfiaram. A mãe de Tonho, dona Aparecida Rimes, de 69 anos, a toda hora ligava para saber do filho, com receio de ele ter sido sequestrado. “A gente nunca viu isso por aqui. Mas agora que vocês chegaram à cidade estão dizendo que meu filho está até no computador. Fico preocupada”, admitiu a aposentada.

Cacau revela que só se deslocou de Rio das Ostras para Nova Friburgo porque achava que tinha alguma pendenga familiar para resolver. “Pensei que era coisa de pensão de ex-mulher. Essas coisas. Não acreditei muito nessa conversa de repórter não”, justificou o jardineiro, que é fã de MPB e conhece a obra de Bituca. “Gosto muito de Canção da América. É muito bonita. Mas o que vai acontecer agora que o povo vai descobrir que esse menino do disco não é o Milton Nascimento? Será que vão achar ruim comigo?”, questionou receoso.

Apesar de não compartilharem a intimidade de outrora, vez por outra eles se esbarram por Nova Friburgo e colocam o papo em dia. “A gente não tem tempo, fica nessa correria de trabalho, família. Eu fico no serviço das 6h às 18h, então complica demais encontrar com o pessoal. Cada um tomou o seu rumo, mas sempre que a gente se vê é uma farra. Amigo é amigo, né? Para toda a vida”, destacou Tonho.

Cara do Brasil
Autor da imagem original, o fotógrafo pernambucano Cafi conta como nasceu o clique: “A gente ficava andando com o Fusquinha do Ronaldo (bastos) pelas estradas, tirando foto de nuvens, porque a gente ia criar a nossa empresa, Nuvem Cigana. Uma das nuvens, inclusive, está no encarte do Clube da Esquina”. Ao ver os meninos, decidiu fazer o registro: “Foi como um raio”, lembra Cafi. “ É uma imagem forte. A cara do Brasil. E foi na época em que vários artistas estavam exilados fora daqui. E tinha essa coisa da amizade presente também. O Milton adorou a foto e ela acabou indo para a capa”, relembra Cafi, 61 anos, radicado no Rio de Janeiro.

O clube da busca
Foram necessárias, pelo menos, 53 pessoas para chegar até os dois “garotos”. Porém, algumas tiveram um papel fundamental. O desenrolar do fio da meada se deu quando, a pedido do Estado de Minas, um jornalista de Nova Friburgo, Wanderson Nogueira, anunciou na rádio local sobre a procura. Uma ouvinte da região, a costureira Rogéria dos Santos, de 56 anos, entrou em contato com a reportagem, comunicando que nunca tinha ouvido falar da história do disco, mas conhecia muitos moradores da zona rural que poderiam auxiliar na busca.

Rogéria dos Santos nos levou até a auxiliar de produção Gilcelene Tomaz Ferreira, de 33 anos, pois muitos da cidade desconfiavam que o menino negro do Clube seria alguém da família dela, filho de Severino, um antigo lavrador. Por indicação da mãe de Gilcelene, Helena, chegamos até Erasmo Habata, floricultor da região. Com o LP na mão, assegurou: “Este pretinho não é filho do Severino. Mas este mais branquinho é filho do Laerte Rimes, um lavrador da região. E deve ser o Tonho”, frisou. Outras indicações – pistas falsas – nos levaram a checar várias pessoas, entre elas um paciente internado em clínica psiquiátrica e até um foragido da Justiça.

Na manhã seguinte, partimos atrás de um casal que morou mais de 30 anos na região e conhece todo mundo: a dona de casa Elizabeth Fernandes Silva, de 58 anos, e o pedreiro Fernando da Silva, de 62. “Na época, a dona Querida, que é a mãe do Ronaldo e do Vicente Bastos, lá da Fazenda Soledade, nos mostrou essa foto num pôster. Sempre soube que eram o Tonho e o Cacau. Não temos dúvidas que são eles, porque eles viviam juntos pra cima e pra baixo”, apontou Beth. “Os dois conservam aquele jeitinho. São eles sim e acho que eles vão ficar muito felizes”, opinou Fernando.

E em menos de 24 horas, com a ajuda da população local, finalmente estava desvendado a identidade dos dois meninos da capa do Clube da Esquina. “A gente fica até emocionado. Eles mereciam ser descobertos. É um reconhecimento mesmo com tanto tempo”, resumiu Rogéria dos Santos.

Tagged with:

Comentários desativados em Depois de 40 anos, Cacau, hoje morador de Rio das Ostras, se reconhece na foto da capa do disco Clube da Esquina

Depois de 40 anos, Cacau, hoje morador de Rio das Ostras, se reconhece na foto da capa do disco Clube da Esquina

Posted in Cidade, Cultura, Observatório da Imprensa Local, Outras Fontes, Região by ImprensaBR on 20/03/2012

Depois de 40 anos, morador de Rio das Ostras, Cacau, repete a cena da foto do disco do Clube da Esquina.

O dia-dia do jornalista depende não apenas de seu bom desempenho mental e ‘elouquencia redacional’, mas sobretudo e antes de tudo de sua criatividade, sua inventividade para criar pautas e desenvolvê-las. Muitos são os argumentos que podem gerar uma pauta.

A invenção de hoje fica por conta da clippagem sobre Rio das Ostras na imprensa nacional e merece destaque na editoria Observatório da Imprensa Local, embora a matéria a seguir não revele nenhum aspecto crítico do leitor para com a mídia local, mas  revela um fato desprezado pela mesma na medida em que todos estão falando do assunto menos nós aqui na cidade!

E não é que inventando pautas e fazendo clippings sobre Rio das Ostras cheguei ao estado de Minas, ou melhor, ao Estado de Minas! Sim, trata-se de jornalão como nós do jornalismo popular costumamos chamar os impressos produzidos por grandes grupos empresariais que visam o lucro acima de tudo através da utilização da comunicação ‘social’ na sociedade moderna.

Mas enfim, o interessante deste enredo todo foi o encontro inacreditável com a matéria da jornalista Ana Carla Brant e do fotógrafo Túlio Santos do jornal Estado de Minas sobre  Cacau e Tonho, os dois meninos que aparecem na capa de um dos discos mais importantes da cultura musical de Minas Gerais e de uma geração belê da qual sou herdeira com muito orgulho: o Clube da Esquina, do coletivo de músicos mineiros liderados por Milton Nascimento e Lô Borges, de 1972.

Fotografados há 40 anos pelo pernambucano Carlos da Silva Assunção Filho – Cafi – a jornalista e o fotógrafo foram para Nova Friburgo atrás da pauta inventada pelo editor de Cultura do EM, João Paulo Cunha.

O resultado é a bela matéria que o leitor d’O Polifônico lerá a seguir contando brevemente a estória desses dois garotos, cujos destinos se distanciaram quando um deles veio morar em Rio das Ostras, onde hoje trabalha como jardineiro.

Não seria, no meu entender, plágio, sugerir, enquanto editora deste jornal, uma entrevista com o Cacau, para saber dele como viveu durante esses 40 anos o menino da foto da capa de um dos discos mais vendidos e curtidos das últimas quatro décadas.

É impressionante ver como o semblante do Cacau pouco mudou de lá pra cá, não?

Para mim, que já morei em Lumiar e conheci o lugar onde foi composta a música que tem o nome do vilarejo, foi emocionante ler esta matéria singela. Vi de perto novamente na minha memória toda a beleza daquela terra de águas e matas abençoadas onde fui muito feliz… mas vi também a pobreza ainda nas vilas mais humildes, a falta de estrutura no atendimento à saúde das famílias que moram em Boa Esperança, São Pedro da Serra, Bocaina dos Blaudts, na Sibéria, em Macaé de Cima, Rio Bonito de Cima… a pele maltratada das mulheres que labutam nas lavouras de arroz, feijão, mandioca, banana… o cansaço das crianças que percorrem dezenas de quilômetros para chegar à escola… mas ainda consegui ver beleza nessa memória cruel e árida, pois essas paisagens sempre estiveram floridas e seu povo, por isso, ainda que sofredor, é um povo que se orgulha de ter sido pioneiro, desbravador… e ainda assim, sorri.

Leia a matéria do jornal Estado de Minas:

EM localiza Tonho e Cacau, a dupla que estampou a capa do Clube da Esquina há 40 anos

Meninos continuaram próximos e reviveram a imagem clássica

Ainda mais rápidos do que o habitual, os passos do editor de Cultura, João Paulo Cunha, na manhã de terça-feira, só poderiam significar duas coisas: ou algum artista importante tinha morrido ou… “Achamos os meninos!”. João Paulo acabara de saber que a repórter Ana Clara Brant e o fotógrafo Túlio Santos tinham cumprido a missão que lhes foi confiada na semana passada: percorrer os arredores de Nova Friburgo e localizar, 40 anos depois, os dois garotos que aparecem na capa do Clube da Esquina. A única referência eram indicações um tanto imprecisas do autor da imagem, o fotógrafo pernambucano Cafi, que clicara os garotos a caminho da fazenda da família de um dos letristas do disco, Ronaldo Bastos, e jamais havia os reencontrado.

Munida de cartazes com a reprodução da fotografia, a dupla chegou à Região Serrana do Rio de Janeiro e saiu em busca do objetivo. Conversou com mais de 50 moradores da região. Suposições, negativas, dúvidas… até que uma das entrevistadas, Beth, bateu o olho na foto e, sem hesitar, identificou os garotos. Vieram outras confirmações e o trabalho passou a ser não só localizá-los, mas promover o inédito reencontro. Às 16h de quarta-feira, a repórter ligou para a redação e, eufórica, anunciou que a missão estava cumprida. Depois de escutar o relato, temperado por surpreendentes coincidências e lances inusitados, perguntei a Ana Clara se havia ficado emocionada com o desfecho da busca. E a resposta não poderia ser mais mineira: “Nó! Tirei até uma foto com eles, uai!”.

Com vocês, a história de dois meninos brasileiros que partilharam pães e sonhos numa estrada de terra no início dos anos 1970. Lô e Bituca? Não, Tonho e Cacau. Essa é uma história de poeira, espelho, vidro e corte. Mas é, acima de tudo, uma história com gosto de sol.

– Carlos Marcelo

——–

Nova Friburgo – Você já ouviu falar em Tonho e Cacau? Ou quem sabe em José Antônio Rimes e Antônio Carlos Rosa de Oliveira? Provavelmente não, mas certamente já deve ter se deparado com a fotografia deles por aí. Isso porque os dois Antônios ilustram a capa de um dos discos mais importantes da história da música brasileira: o Clube da Esquina. Passados 40 anos que a câmera de Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, registrou os dois meninos sentados na beira de uma estrada de terra perto de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, o Estado de Minas conseguiu localizá-los depois de uma busca que envolveu dezenas de pessoas e teve histórias saborosas.

Durante bom tempo, muita gente chegou a achar que as duas crianças da capa do LP seriam Milton Nascimento e Lô Borges, mas os próprios artistas sempre desmentiram. “A gente chegou a ir atrás deles, mas era muito difícil localizá-los. Eles devem ter caído no mundo”, declarou Cafi antes de a reportagem botar o pé na estrada rumo a Nova Friburgo. Na verdade, “Lô” e “Milton” praticamente nunca deixaram a região conhecida como Rio Grande de Cima, na zona rural da cidade fluminense, onde nasceram e cresceram.

José Antônio Rimes tem 47 anos e curiosamente exerce o ofício de recompositor, responsável por encaixotar, organizar e distribuir as mercadorias na seção de congelados de um supermercado da cidade. Apesar de a reportagem ter percorrido quilômetros até chegar a Tonho, como é conhecido, ele trabalha a um quarteirão do hotel onde estávamos hospedados. O encontro com o “menino branquinho do disco”, como ficou conhecido, foi cercado de expectativas. Os colegas do supermercado já sabiam da história e quando o recompositor chegou até se assustou: “Que tanto de gente é essa? Por que está todo mundo parado?”, espantou-se. Quando viu a capa do disco, não titubeou: “Oh, sou eu e o Cacau. Como é que vocês conseguiram isso? Quem tirou essa foto? Eu me lembro desse dia”, revelou.

Antônio Rimes recorda que estava brincando em um morro de terra removida pelos tratores que ficava próximo a um campinho de futebol, quando Cafi e Ronaldo Bastos passaram dentro de um Fusquinha. “Alguém do carro me gritou e eu sorri. Estava comendo um pedaço de pão que alguém tinha me dado, porque eu estava morrendo de fome, e para variar descalço. Até hoje não gosto muito de usar sapato. Mas nunca soube que estava na capa de um disco. A minha mãe vai ficar até emocionada. A gente nunca teve foto de quando era menino”, disse Tonho, que nunca ouviu falar em Milton Nascimento, tampouco em Clube da Esquina. “É aquele moço que foi ministro?”, indagou.

Já Antônio Carlos Rosa de Oliveira, de 48 anos, o Cacau, conta que não se lembra do exato momento da foto, mas que anos depois, quando morava em Macaé, no litoral norte do estado do Rio, se deparou com a capa do Clube da Esquina em uma loja de discos e desconfiou que se tratava dele mesmo. “Coloquei a mão sobre a minha foto e fiquei reparando aquele olhar. Achei que era eu mesmo e acabei comprando o CD, porque o LP não tinha mais. Até queria um para poder guardar”, frisa Cacau, que durante toda a reportagem não se desgrudou do álbum que pertence a um dos jornalistas do Estado de Minas . “Vou roubar este pra mim”, brincou.

Cacau e Tonho nasceram na fazenda da família Mendes de Moraes, na zona rural de Nova Friburgo, onde os pais trabalhavam como lavradores. Não desgrudavam um do outro e aprontavam bastante, segundo o relato de parentes e vizinhos que ajudaram a reconhecê-los. Jogavam futebol, bola de gude, pegavam frutas nas vendas da região, nadavam na prainha do Rio Grande e nas cachoeiras. Ficaram muito próximos até os 20 anos, quando as famílias acabaram se mudando para bairros diferentes de Nova Friburgo. Tonho ainda vive na cidade com a mãe, a esposa e as duas filhas, mas Cacau se mudou recentemente para Rio das Ostras, na Região dos Lagos, onde presta serviços como jardineiro e pintor.

Mesmo morando a 100 quilômetros de Nova Friburgo, topou reviver com o amigo a clássica fotografia da capa do Clube da Esquina. Não foi fácil localizar o exato lugar, já que a região do Rio Grande sofreu muito com os efeitos da tragédia de janeiro do ano passado e com o tempo. “Isto aqui mudou demais, então não dá para precisar. Quarenta anos não são 40 dias”, filosofou Cacau. Apesar do sol escaldante e da posição desconfortável, eles não se importaram de posar para a máquina fotográfica. “Quer que eu tire o sapato pra ficar parecido? Adoro ficar descalço mesmo! Se tiver um pão, também pode me dar”, pediu Tonho, dando gargalhadas.

Surpresa 
A princípio, Tonho e Cacau ficaram ressabiados com a história de estamparem a capa de um LP e ao saber que a imprensa estava atrás deles. As famílias também desconfiaram. A mãe de Tonho, dona Aparecida Rimes, de 69 anos, a toda hora ligava para saber do filho, com receio de ele ter sido sequestrado. “A gente nunca viu isso por aqui. Mas agora que vocês chegaram à cidade estão dizendo que meu filho está até no computador. Fico preocupada”, admitiu a aposentada.

Cacau revela que só se deslocou de Rio das Ostras para Nova Friburgo porque achava que tinha alguma pendenga familiar para resolver. “Pensei que era coisa de pensão de ex-mulher. Essas coisas. Não acreditei muito nessa conversa de repórter não”, justificou o jardineiro, que é fã de MPB e conhece a obra de Bituca. “Gosto muito de Canção da América. É muito bonita. Mas o que vai acontecer agora que o povo vai descobrir que esse menino do disco não é o Milton Nascimento? Será que vão achar ruim comigo?”, questionou receoso.

Apesar de não compartilharem a intimidade de outrora, vez por outra eles se esbarram por Nova Friburgo e colocam o papo em dia. “A gente não tem tempo, fica nessa correria de trabalho, família. Eu fico no serviço das 6h às 18h, então complica demais encontrar com o pessoal. Cada um tomou o seu rumo, mas sempre que a gente se vê é uma farra. Amigo é amigo, né? Para toda a vida”, destacou Tonho.

Cara do Brasil
Autor da imagem original, o fotógrafo pernambucano Cafi conta como nasceu o clique: “A gente ficava andando com o Fusquinha do Ronaldo (bastos) pelas estradas, tirando foto de nuvens, porque a gente ia criar a nossa empresa, Nuvem Cigana. Uma das nuvens, inclusive, está no encarte do Clube da Esquina”. Ao ver os meninos, decidiu fazer o registro: “Foi como um raio”, lembra Cafi. “ É uma imagem forte. A cara do Brasil. E foi na época em que vários artistas estavam exilados fora daqui. E tinha essa coisa da amizade presente também. O Milton adorou a foto e ela acabou indo para a capa”, relembra Cafi, 61 anos, radicado no Rio de Janeiro.

O clube da busca
Foram necessárias, pelo menos, 53 pessoas para chegar até os dois “garotos”. Porém, algumas tiveram um papel fundamental. O desenrolar do fio da meada se deu quando, a pedido do Estado de Minas, um jornalista de Nova Friburgo, Wanderson Nogueira, anunciou na rádio local sobre a procura. Uma ouvinte da região, a costureira Rogéria dos Santos, de 56 anos, entrou em contato com a reportagem, comunicando que nunca tinha ouvido falar da história do disco, mas conhecia muitos moradores da zona rural que poderiam auxiliar na busca.

Rogéria dos Santos nos levou até a auxiliar de produção Gilcelene Tomaz Ferreira, de 33 anos, pois muitos da cidade desconfiavam que o menino negro do Clube seria alguém da família dela, filho de Severino, um antigo lavrador. Por indicação da mãe de Gilcelene, Helena, chegamos até Erasmo Habata, floricultor da região. Com o LP na mão, assegurou: “Este pretinho não é filho do Severino. Mas este mais branquinho é filho do Laerte Rimes, um lavrador da região. E deve ser o Tonho”, frisou. Outras indicações – pistas falsas – nos levaram a checar várias pessoas, entre elas um paciente internado em clínica psiquiátrica e até um foragido da Justiça.

Na manhã seguinte, partimos atrás de um casal que morou mais de 30 anos na região e conhece todo mundo: a dona de casa Elizabeth Fernandes Silva, de 58 anos, e o pedreiro Fernando da Silva, de 62. “Na época, a dona Querida, que é a mãe do Ronaldo e do Vicente Bastos, lá da Fazenda Soledade, nos mostrou essa foto num pôster. Sempre soube que eram o Tonho e o Cacau. Não temos dúvidas que são eles, porque eles viviam juntos pra cima e pra baixo”, apontou Beth. “Os dois conservam aquele jeitinho. São eles sim e acho que eles vão ficar muito felizes”, opinou Fernando.

E em menos de 24 horas, com a ajuda da população local, finalmente estava desvendado a identidade dos dois meninos da capa do Clube da Esquina. “A gente fica até emocionado. Eles mereciam ser descobertos. É um reconhecimento mesmo com tanto tempo”, resumiu Rogéria dos Santos.

Tagged with:

Comentários desativados em Depois de 40 anos, Cacau, hoje morador de Rio das Ostras, se reconhece na foto da capa do disco Clube da Esquina

Produtor de água receberá pagamento por serviços ambientais

Produtores rurais, moradores, autoridades e representantes da sociedade civil organizada se reuniram sábado (10/3) no distrito de Lumiar, em Nova Friburgo, na Região Serrana, para o lançamento do Programa Produtor de Água, desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Macaé e das Ostras, com apoio da Unesco, Banco Mundial e dos governos estadual e federal.

O objetivo do programa é estimular, por adesão voluntária, uma política de pagamento por serviços ambientais voltados à produção hídrica no curso do Alto Macaé, atualmente responsável pelo abastecimento dos distritos de Mury, Lumiar e São Pedro da Serra, em Nova Friburgo, além dos municípios de Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé.

A ideia geral é apoiar, orientar e certificar projetos que visem à redução da erosão e do assoreamento de mananciais, proporcionando a melhoria da qualidade, a ampliação e a regularização da oferta de água nesta bacia hidrográfica de importância estratégica para a cadeia produtiva do petróleo.

De acordo com o chefe do escritório local da Emater-Rio, em Nova Friburgo, e presidente do comitê, Affonso Henrique de Albuquerque Júnior, todas as etapas do programa serão amplamente debatidas com a comunidade. Segundo ele, o comitê recomendou à agência que a empresa responsável pela confecção do plano de recuperação da bacia prestigie mão de obra local durante o diagnóstico.

O coordenador de Gestão da Informação do Programa Rio Rural, Marcelo Monteiro da Costa, que representou o secretário de Agricultura e Pecuária, Christino Áureo, disse que o Rio Rural apóia a iniciativa do Produtor de Água e que participará ativamente oferecendo assistência técnica.

Já o gerente de Uso Sustentável de Água e Solo da ANA, Devanir Garcia dos Santos, informou que a região da cabeceira do Rio Macaé será a segunda no Estado do Rio de Janeiro a ter acesso a esse modelo de política compensatória. Para Devanir, o produtor de água precisa ser parceiro desse processo de recuperação ambiental. “Ele é o único com a condição de manter o meio ambiente equilibrado”, resumiu. O representante da agência destacou ainda que os recursos para o pagamento serão oriundos da própria ANA, Petrobras, do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FUNDRHI) e de outras fontes.

A partir do próximo sábado (17/03), haverá quatro oficinas sobre pagamento de serviços ambientais (PSA), onde serão apresentados os métodos de valoração ambiental e os detalhes do diagnóstico que vai apontar o custo de recuperação da bacia hidrográfica.

Participaram do evento professores e estudantes do Instituto Federal Fluminense (IFF); técnicos da Emater-Rio; o secretário de Agricultura de Nova Friburgo, José Carlos Siqueira; o secretário de Meio Ambiente de Nova Friburgo, Eduardo de Vries; o secretário de Meio Ambiente de Macaé, Maxwell Vaz; a especialista em recursos hídricos da ANA, Juliana Ferreira de Freitas; o chefe da APA Macaé de Cima, Carlos Martins; e a gerente de apoio aos comitês de bacias do Inea, Gláucia Freitas Sampaio.

Fonte: Jornal do Brasil

Comentários desativados em Produtor de água receberá pagamento por serviços ambientais

Grupo Vicel formalizará joint venture com a Aqua-Chem e criará a Aqua-Chem do Brasil

Posted in Cidade, Outras Fontes by ImprensaBR on 07/03/2012
A nova empresa pretende atingir conteúdo local superior a 60% na fabricação de dessalinizadores por osmose reversa logo na primeira fase de produção, prevista para o segundo semestre de 2012. O Grupo Vicel, empresa brasileira de serviços técnicos, representante de fabricantes mundiais de equipamentos para tratamentos de águas e efluentes para plataformas e navios receberá, no próximo dia 06 de março (terça-feira), a visita do chief executive officer (presidente) da empresa norte-americana Aqua-Chem, Incorporated, Dave Gensterblum, que estará no Brasil para formalizar a criação de uma Joint Venture denominada Aqua-Chem do Brasil, sendo 50% ACI e 50% Vicel. O objetivo desta parceria é a fabricação no Brasil, mais precisamente na planta da Vicel na Zona Especial de Negócios do município de Rio das Ostras/RJ, localizado na Bacia de Campos, de equipamentos para geração de água potável e industrial para navios e plataformas de petróleo offshore, a partir da dessalinização da água do mar. De acordo com o diretor técnico da Vicel, Eduardo Arruda, a nova empresa atingirá conteúdo local superior a 60% na fabricação de dessalinizadores por osmose reversa logo na primeira fase de produção prevista para o segundo semestre de 2012. A parceria com a renomada empresa norte-americana para formação da Aqua-Chem do Brasil tem como principal objetivo atender a crescente demanda criada pelas regras da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por equipamentos com conteúdo nacional. “Essa parceria trata-se de um namoro de mais de um ano de duração, cuja união formal estará sacramentada durante esta visita, consolidando a vocação industrial da Vicel e o pioneirismo de suas ações nas Indústrias Naval e de Óleo e Gás desde1995”, destaca o executivo. [www.grupovicel.com.br].
Fonte: Vicel

Comentários desativados em Grupo Vicel formalizará joint venture com a Aqua-Chem e criará a Aqua-Chem do Brasil

Produção de petróleo e gás da Petrobras sobe 2,6%

Posted in Brasil, Cidade, Infraesturutura, Macaé, Meio Ambiente, Outras Fontes by ImprensaBR on 24/02/2012
Rio das Ostras é o nome de uma das plataformas responsáveis pelo aumento
São Paulo (AE) – A Petrobras informou nesta sexta-feira, 24, que a produção média de petróleo e gás naturalno Brasil e no exterior em janeiro foi de 2.731,1 mil barris de óleo equivalente por dia (boed). O volume ficou 2,6% acima do registrado no mesmo mês de 2011 e 0,5% maior do que a produção de dezembro de 2011.
Considerando apenas os campos no Brasil, a produção média de petróleo e gás natural alcançou 2.490,5 mil de boed, um aumento de 2,8% em relação a janeiro do ano passado e de 1% na comparação com dezembro de 2011. A produção exclusiva de óleo no Brasil alcançou 2.110,1 mil barris por dia, uma elevação de 2% em relação a janeiro de 2011 e de 1,2% em relação a dezembro.
Em comunicado, a estatal explica que contribuíram para esses resultados a entrada em produção de novos poços nas plataformas P-57, no campo de Jubarte, na P-56, no campo de Marlim Sul, e do Teste de Longa Duração (TLD) de Aruanã, no pós-sal da porção sul da Bacia de Campos, operado pelo navio plataforma FPSO Cidade de Rio das Ostras.
A produção de gás natural dos campos nacionais atingiu 60,4 milhões de m2/d, um aumento de 7,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado e estável em relação ao mês anterior.
Fonte: Agência Estado

Comentários desativados em Produção de petróleo e gás da Petrobras sobe 2,6%

Assassinato de Isabel Machado: Movimento negro solicita intervenção da secretaria de segurança na apuração da morte da presidente da OAB-RJ Seção Cabo Frio.

Posted in Cidadania, Outras Fontes, Região, Segurança Pública by ImprensaBR on 20/02/2012
Às vésperas do carnaval, o assassinato da Drª Isabel Machado, Advogada Criminalista e Presidente da OAB-RJ seção Cabo Frio, em sua residência na última sexta-feira, causou revolta nos meios jurídicos, sociais, movimento negro e de mulheres, no Brasil e no Exterior.
Morta a tiros, dentro de casa e ao lado de seu namorado que escapou ileso,  por dois pistoleiros que a executara friamente, depois de ordenarem que sentassem no sofá da sala.
O crime que está com a investigação a cargo da 126ª Delegacia de Cabo Frio, não tem até o momento nenhum esclarecimento ou motivo aparente.
Marcelo Dias, Superintendente da SUPIR – Superintendência de Igualdade Racial, Órgão da Secretaria de Assistência Social do RJ, irá amanhã para dar as condolência pessoais à família e encontrar-se com os representantes da OAB local.
Marcelo Dias e Paulo Roberto dos Santos, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos dos Negros RJ-CEDINE, entraram em contato com a Chefe de Polícia, Drª Marta Rocha, solicitando audiência ainda durante o carnaval para que haja esclarecimentos e apuração rápida do caso.
O advogado José Carlos de Oliveira resumiu para a Mamapress os sentimento de todos n o momento:”
Em respeito à memória desta mulher negra, advogada, guerreira e militante do movimento negro Dra. Isabel, sugiro aos companheiros e companheiras da CIR OAB/ Cabo Frio, CIR OAB/ RJ, SUPIR, CEDINE, COMDEDINE, CEPERJ, COJIRA, IARA e demais entidades do Movimento Negro, que estas providências sejam tomadas imediatamente, Não há necessidade de esperar terminar o carnaval. Devemos começar JÁ! Quem pode participar deste mutirão? Quem pode contribuir de alguma forma para o êxito de nossas pretensões O momento é união e luta do Movimento Negro e todas as CIR OAB do Estado do Rio de Janeiro. “
Fonte: Mamapress

Comentários desativados em Assassinato de Isabel Machado: Movimento negro solicita intervenção da secretaria de segurança na apuração da morte da presidente da OAB-RJ Seção Cabo Frio.

Projeto regulamenta uso de termos, símbolos e espaços publicitários na Copa de 2014

Posted in Brasil, Comunicações, Outras Fontes by ImprensaBR on 16/01/2012
Se o Projeto de Lei do Senado 394/2009 for aprovado sem modificações, termos como “Copa do Mundo de 2014” e “Seleção Brasileira” serão de uso exclusivo da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde o começo da Copa (12 de junho) até 30 dias depois de seu término (que está marcado para 13 de julho.
O PLS 394/09, de autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), visa regulamentar a utilização de espaços publicitários durante a realização da Copa das Confederações da FIFA em 2013 e da Copa do Mundo de Futebol em 2014. O texto aguarda parecer da relatora, senadora Marta Suplicy (PT-SP), na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). Depois de votado pela CE, o projeto será examinado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), onde receberá decisão terminativa .
O texto reconhece que a Fifa é proprietária exclusiva dos direitos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e à Copa das Confederações de 2013. Esses direitos incluem os de mídia, marketing, licenciamento e ingressos.
O projeto proíbe pessoas físicas ou jurídicas de associarem seus bens, serviços e marcas a denominações, bandeiras, lemas, hinos, marcas, logotipos e símbolos relacionados aos eventos. A proposta determina que a partir de noventa dias antes do início até o final das duas copas, os prefeitos das cidades-sede, em conjunto com o governo estadual, o Ministério do Esporte, o Comitê Organizador da Fifa e o Comitê Organizador Local, deverão definir zonas limpas (áreas onde serão proibidos qualquer comércio e publicidade não autorizados pela Fifa) e zonas de transporte limpo (onde será proibido uso de veículos com propagandas não autorizadas).
Quem utilizar, desde a promulgação da lei até 30 dias após o término da Copa do Mundo, denominações, bandeiras, lemas, hinos, marcas, logotipos e símbolos protegidos, bem como realizar marketing irregular ou violar as zonas limpas ou zonas de transporte limpo, prevê o projeto de Raupp, ficará sujeito a multa e outras sanções a serem definidas em regulamento. Esses elementos não poderão ser utilizados, prevê a proposta, mesmo com as expressões “Não Autorizado”, “Não Oficial” ou similares.
No entanto, tais elementos poderão ser utilizados por pessoas físicas, sem fins lucrativos, para objetivo exclusivo de informação, crítica ou opinião por quaisquer veículos de comunicação, inclusive os de internet, sem vinculação a pessoa física ou jurídica não autorizada. Também será permitido o uso dos elementos associados à Copa do Mundo quando registrado anteriormente à publicação da lei e não utilizado de forma a se associar ao evento.
Na avaliação de Valdir Raupp, o projeto vai proteger e controlar a utilização de denominações, bandeiras, ­­lemas, hinos, marcas, logotipos e símbolos associados aos eventos, bem como prevenir a sua exploração comercial não autorizada. Ao justificar a proposta, o senador ressaltou a necessidade de proteger os interesses publicitários de todos os envolvidos, como já feito pela Lei Pelé (Lei 9615/98), estendendo-a de forma plena à promoção da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014.
“Nosso intuito é protegê-los, especialmente do chamado marketing de associação, também chamado de marketing de emboscada, em que outros os utilizam sem autorização dos organizadores, tentando sugerir às pessoas sua vinculação ao evento” – explica.
A proposta define quais são os objetos de direito de cada entidade relacionada à Copa do Mundo – a Fifa, os mantenedores dos direitos da Fifa e organizadores dos eventos, assim como a CBF e seus patrocinadores. Também estabelece uma lista de termos que, nesse período, poderão ser usados apenas por tais entidades. Durante a Copa do Mundo e a Copa das Confederações até trinta dias após o término do evento as seguintes expressões são de uso privativo da:

 

Fifa
CBF e seus patrocinadores
– Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014
– Copa do Mundo da FIFA 2014
– Copa do Mundo da FIFA
– Copa do Mundo de Futebol
– Copa do Mundo
– Copa do Mundo de 2014
– Copa do Mundo do Brasil
– Copa de 2014
– Copa 2014
– Copa
– Brasil 2014
– BRA 2014
– BR 2014
– Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013
– Copa das Confederações da FIFA 2013
– Copa das Confederações da FIFA
– Copa das Confederações de Futebol
– Copa das Confederações
– Copa das Confederações de 2013
– Copa das Confederações do Brasil
– Copa de 2013
– Copa 2013
– Copa
– Brasil 2013
– BRA 2013
– BR 2013
– Combinações ou derivações similares das denominações anteriores
– Seleção Brasileira de Futebol
– Seleção Brasileira
– Seleção
– Seleção Canarinho
– Equipe Brasileira de Futebol
– Equipe Brasileira
– Equipe Canarinho
16/01/2012 |
Iara Farias Borges
Agência Senado

Comentários desativados em Projeto regulamenta uso de termos, símbolos e espaços publicitários na Copa de 2014

Razao Historwica Winpwerwio

Posted in Outras Fontes by ImprensaBR on 03/12/2011

Razao Historwica Winpwerwio.

Roteiros SIMvella 1 e 2.

Sonho claramente expressso.

Relidos formam um conjunto aprimoradwo

> intuito emancipatorwio.

Essencia geral thats Semiotic pura proposital

ETIMOLOGIA <  ew uma specie

thats teorwia social baseadwa yin linguistiC.

Pronto pronto prow ser adwequadwo aos atores.

Tagged with:

Comentários desativados em Razao Historwica Winpwerwio

Proposta de consulta pública sobre regulação da mídia vai a ministro

Posted in Jornalismo de Intervenção, Outras Fontes by ImprensaBR on 31/10/2011
Paulo Bernardo (Comunicações) recebe nos próximos dias documento sobre novo marco regulatório da mídia para despachar com Dilma Rousseff. Consulta pública será feita a partir de conceitos gerais, não de redações na forma de lei. Tendência é que processo comece em 2012 – governo não quer ser acusado de fazer consulta ‘clandestina’ em meio às festas de fim de ano.
BRASÍLIA – O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, vai receber da equipe nesta semana a proposta de consulta pública sobre um novo marco regulatório para a radiodifusão. Bernardo deverá levá-la à presidenta Dilma Rousseff para que ela aprove as linhas gerais e autorize o início das consultas.
Segundo a fonte que deu às informações à reportagem, hoje, o mais provável é que a consulta fique para o começo de 2012. Para o ministério, é melhor evitar dar motivos para reclamações de que supostamente estaria patrocinando uma consulta de faz de conta, ao promovê-la numa época em que muita gente sai de férias ou de recesso.
Até então, o ministério trabalhava com a perspectiva de abrir a consulta ainda em 2011.
A regulação da mídia deverá ser objeto de um tipo de consulta diferente daquelas que o governo, em suas diversas áreas, costuma realizar. O ponto de partida não serão textos redigidos como se fossem uma lei, mas conceitos mais genéricos. Para o ministério, o detalhamento numa questão muito técnica seria contraproducente.
Como Paulo Bernardo já informou, o novo marco regulatório não se limitará a atualizar o Código Brasileiro de Telecomunicações (1962), ou seja, não tratará apenas de emissoras de rádio e TV. Também vai modernizar a Lei Geral de Telecomunicações (1997), abrangendo questões relativas a operadoras de telefonia.
Defensor do marco regulatório, o PT diz que vai realizar um seminário internacional para debater o assunto ainda em novembro.
Fonte:
Carta Maior
André Barrocal

Comentários desativados em Proposta de consulta pública sobre regulação da mídia vai a ministro

%d blogueiros gostam disto: