!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Abaixo a ditadura!!!!!! O Polifônico repudia a ação da Prefeitura de Rio das Ostras no episódio provocado por ela durante a pintura do muro do PURO durante a Semana de Cultura Afro-Brasileira

Abaixo a ditadura!!!!!! O Polifônico repudia ação da Prefeitura de Rio das Ostras no episódio provocado por ela durante a pintura do muro do PURO, na Semana de Cultura Afro-Brasileira do Polo.

Rio das Ostras – Lamentavelmente uma intervenção artística que consistia na pintura de um muro da cidade acabou em desgaste para professores e alunos do PURO e para os artistas convidados pelos organizadores do projeto ‘1a Semana de Cultura Afro-Brasileira de Rio das Ostras’, promovido interdisciplinarmente por docentes e discentes do Polo.

A Semana contou com diversas atividades, dentre as quais, destacamos a presença do grupo de jongueiros ‘Tambores da Machadinha’, de Quissamã, que coroou a todos os presentes na noite de 17 último com uma apresentação visceral, ensinando a professores, alunos e comunidade o valor que precisamos dar à cultura popular brasileira, afro-brasileira. Referências tão próximas e tão distanciadas de nosso cotidiano vieram à tona ali no ‘terreirão do PURO’… Lindo! O jongo deixou a todos inebriados, energizados, enigmatizados, revigorados e prontos para enfrentar qualquer coisa que viesse à frente. Os tambores da machadinha são muito fortes!

Sexta-feira, de manhã, depois de toda a energia compartilhada na noite anterior, levantei cedo como de praxe para honrar os compromissos da extensa agenda da jornalista encarnada em mim… e segui para mais um dia cheio, daqueles, em Macaé. A pauta era um seminário (falcatrua!!!!) de cultura promovido pela Fundação Macaé de Cultura, que reuniu meia dúzia de gatos pingados em torno de um projeto já pronto pela prefeitura e pela Fundação. Gastei meu tempo… mas aprendi alguma coisa… sobre as quais não vem ao caso agora…

Não poderia cobrir o último dia da Semana de Cultura Afro-Brasileira, mas fui ao PURO entregar dois filmes – O vento forte do levante e Clementina de Jesus, a Rainha Quelé – para serem apresentados na sessão de cinema, durante à tarde, na agenda da Semana.

Jornalista de plantão, obviamente aproveitei o ensejo e papeei um tantinho com os dois desenhistas que estavam esboçando uma ilustração no muro de fora do PURO, para pintarem em cima, depois. O muro fica em frente ao cruzamento da avenida dos Bandeirantes com a rua Recife, no Jardim Bela Vista. Quem não conhece? Em frente rola há anos um ponto de prostituição que a fiscalização também, há anos, finge não ver…

Descobri ali dois rapazes, dois brasileiros famintos por conhecimento, por educação, por arte, por liberdade, por cultura, por um espaço para expressarem sua maneira de perceber o contexto no qual estão inseridos…

Sempre correndo, abracei esses brasileiros, agradeci o depoimento que me deram em vídeo e embarquei rumo a Macaé para o seminário falcatrua.

Surpreendentemente, abrindo o facebook horas mais tarde, li um post chocante, o qual me faz estar aqui, agora.

Não sei se posso replicá-lo, mas basicamente ele comenta o final trágico e triste que teve a atividade da pintura no muro do PURO.

Os artistas que estavam ali convidados, trabalhando, os alunos e organizadores da Semana de Cultura Afro-Brasileira, a comunidade, eu, todos foram afrontados e constrangidos diante de tamanha falta de educação, bom senso e, sobretudo, de cultura dos gestores públicos de Rio das Ostras.

Agressivamente, segundo fontes, uma junta de fiscais, guardas municipais e até policiais militares abordaram os jovens artistas enquanto pintavam o muro – a ilustração remetia à diversidade étnica e à valorização da cultura afro-brasileira –

As cores usadas na pintura eram o vermelho, amarelo, verde e preto… cores da bandeira da áfrica… só que para os aculturados que os abordaram, provavelmente o tema envolvido era maconha e Bob Marley. Antas!

Criaram uma cena horrível no local, um local onde brotava a liberdade de expressão, a arte, a inocência… agrediram pessoas que trabalhavam e ameaçaram processar a universidade por danos ao patrimônio. De arrepiar!

O Polifônico repudia a atitude dos responsáveis por esta ação vergonhosa. Vemos uma cidade que deseja tanto prestar-se ao arranjo produtivo do turismo, mas permanece cega as suas próprias linhas conceituais, metodológicas, enfim… O que acontece na cidade não fica só aqui e as belas propagandas que só aqui são veiculadas, ao contrário das páginas online d’O Polifônico, não são exibidas em nível nacional… tampouco fora do Brasil… sendo assim, esta mesma prefeitura, que tenta vender ao máximo a imagem de cidade do progresso, despreza incoerentemente a imagem negativa que passa Brasil à dentro e mundo à fora sobre o que de fato acontece nesta ilha imperial.

Hoje cedo recebi um email de um dos rapazes que conheci naquela manhã, pronto para mostrar ao mundo sua arte. Este e-mail também me traz aqui, agora.

“Venho aqui para falar que fui totalmente repudiado pela guarda municipal, em relação aquela linda homenagem que estávamos fazendo no muro do PURO. Foram feitas duas abordagens: primeiro vieram dois guardas na viatura, mas só fizeram algumas  perguntas e foram embora. Depois vieram nos dois cidadãos à paisana (que trabalham na guarda) chegaram de forma totalmente grosseira, sem manter o mínimo de respeito na comunicação já chegaram  me oprimindo nem me deram bom dia !!! Não sei o que eles viram em meus olhos mas seja lá o que foi pelo visto não gostaram muito pois não pararam de olhar-me dos pés a cabeça. Por eu e meu amigo pedir para eles se identificarem eles chegaram em certo ponto a dizer que poderia nos levar presos, pois alegavam que o trabalho artístico que ali estava sendo feito era crime(Homenagem ao dia 20 de novembro )  não sei a que se aplicaria o poder ali mas estava ali dando minha contribuição livre, e voluntaria, Junto aos organizadores do evento, e minha arte foi totalmente repudiada pelo poder publico, olha tem uma aluna que tem um vídeo que mostra a hora em que finalizamos a arte, e que pode ajudar depois vejo e arrumo….  “Não aguento mais essa ausência de respeito e incentivo à  cultura por parte das autoridades.”

Prefiro não dizer qual deles assina o e-mail para não expô-lo. Publico os depoimentos de ambos os artistas com quem conversei naquela manhã (antes do ocorrido – em vídeo) e a fala de indignação de um deles (enviada à redação do jornal O Polifônico via e-mail). Tirem suas impressões.

Diante deste cenário imoral de atuação dos gestores públicos, estimulo os envolvidos no episódio (refiro-me aos artistas e comunidade acadêmica, sociedade sempre!!!) a redigirem com seus termos (eu não presenciei o fato) uma nota de repúdio à ação da Prefeitura de Rio das Ostras no caso, para publicizarmos através deste jornal e em todas as redes possíveis!!!!!

Precisamos gerar o desconforto necessário demandado por essa gangue e passar a mostrar para o mundo como agem esses ratos. Creio que seja mais uma forma de nos articularmos contra posturas oriundas de ações repressivas e cerceadoras, além, é claro, de podermos causar grande incômodo aos que armaram essa armadilha sinistra, divulgando ao mundo como preferem ‘trabalhar’.

Não imagino, de fato, qual seja o sentido, o entendimento, que esta prefeitura tem por ‘cultura’, mas posso afirmar uma coisa: a única cultura que ela conhece é a do temor, do medo, do assédio.

Lamento, minha amada Riodas… o que estão fazendo com você. Lamento, pessoal da Semana de Cultura Afro-Brasileira. Vivi com vocês momentos mágicos e inesquecíveis durante a semana toda e é muito triste acompanhar o que estão fazendo com vocês, com o Polo, com o ganha pão de todos vocês, de todos nós. Lamento, estudantes, por vocês estudarem numa cidade que tem gestores públicos tão irresponsáveis como Rio das Ostras têm, sempre teve… lamento, mas não fico só me lamentando… estamos todos em ação e por isso mesmo incomodamos.

Engulam-nos vivos e absorvam ao menos nossos pensamentos e nossas maneiras de raciocinar. Isso já seria uma prerrogativa menos escrota.

Contem comigo e com o jornal O Polifônico para mais esta batalha!

Preciso de vocês fortes e com vigor!!! Todos vocês! Rumo à 2ª Semana de Cultura Afro-Brasileira de Rio das Ostras!!!

Salve o cinema brasileiro!

Leonor Bianchi

Os entrevistados cederam uso de áudio e vídeo ao jornal.

 

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I Semana de Cultura Afro-brasileira em Rio das Ostras

Posted in Cidadania, Cidade, Cultura, Educação by ImprensaBR on 17/11/2011

Atividades da I Semana de Cultura Afro-brasileira em Rio das Ostras

 As atividades aconteceram no hall do PURO, no Anfiteatro (teatro de arena), em salas de aulas e no auditório
 
  • Dia 16 de novembro de 2011:
  • Durante todos os dias: tendas de tranças afro e outras exposições artísticas (poesias, pinturas, música, vídeo, artesanato, etc) – saguão do PURO; Exposição de livros;
  • 14:00 – Abertura do Evento (Direção do PURO; Direção da Faculdade, Organização do Evento);
  • 14:30 às 17:00 –   Mesa Redonda – Saúde da população negra. O Objetivo desta mesa é trazer uma discussão sobre a saúde  da população negra, criando um debate sobre as questões de equidade, acesso, políticas públicas direcionadas a essa população.
    • Iraci dos Santos (UERJ)
    • Hayda Alves (PURO/UFF)
    • Mediadora: Elizabeth Carla Barbosa (PURO/UFF)
    • 18:00 às 21:00 – Mesa redonda de abertura do Evento – “Aspectos sociais e econômicos da questão racial no Brasil contemporâneo”. O objetivo desta mesa redonda é trazer elementos contemporâneos sobre a questão racial no Brasil, em especial sobre a criminalização da pobreza e do negro, sobre formas contemporâneas de “extermínio” da população pobre e negra no Brasil, bem como das formas de enfrentamento à estas questões, seja via institucional seja via organização dos movimentos sociais.
      • Denise Micacio (CRESS/RJ);
      • Cristina Brites (PURO/UFF);
      •       Roberto Martins (Prof. Rede municipal de Rio das Ostras);
      •       Luciano Barbosa (Prof.  Rede  municipal de Rio das Ostras);
      • Mediador: Hildeberto V. Martins (PURO/UFF);
      • 21:00 – Atividade cultural – Desfile de roupas étnicas (Saguão do PURO);
      • Dia 17 de novembro de 2011:
      • 9:00 às 11:00 – Oficinas:
1.  Aula – Dança afro-brasileira (Denise Zenícola – PURO/UFF)
  1. Performance e poética na Capoeira (Sálvio de Mello – Dr. em Letras/UEL);
  • 14:00 às 16:00 – Oficinas:
  1. Oficina de Percussão (Mestre Mistério/ Rio das Ostras)
    1. A crítica vai ao Cinema – (Felipe Brito /UFF)
    2. Psicologia Social e racismo: problematizações – (Hildeberto V. Martins – PURO/UFF);
  • 16:30 às 19:30 – Mesa Redonda – “Religiões afro-brasileiras”. O objetivo desta mesa redonda é trazer informações sobre a situação atual das Religiões afro-brasileiras. Pretende-se com o debate criar um espaço onde se possa trazer elementos que contribuam com o reconhecimento das religiões de origem africanas como parte da identidade brasileira, diminuindo desta forma, o preconceito que estas sofrem por parte de segmentos da sociedade.
    • Yalorixá Miranda de Oxosse;
    • Adailton Moreira (Babá Egdé no terreiro ILE OMI OJU ARO, liderado pela Ialorixá Mãe Beata de Yemonjá. Graduadoem Ciências Sociais(PUC)
    • Mediadora: Denise Zenicola (PURO/UFF)
    • 20:00 – Performance com grupo coordenado pela professora Denise Zenícola.
    • 20: 30 – Atividade Cultural – Jongo de Quissamã
      • Dia 18 de novembro de 2011:
      • 8:00 às 12:00 – Grafite no muro externo do PURO (Hip-Hop de Macaé)
      • 9:00 às 11:00 – Oficinas:
  1. Performance e poética na Capoeira (Sálvio de Mello- Dr. em Letras/UEL).
  • 14:00 às 17:00 – Oficinas:
 1.  Oficina de Percussão – (Mestre Mistério/ Rio das Ostras);
2.   Babá Egdé no terreiro ILE OMI OJU ARO, liderado pela Ialorixá Mãe Beata de Yemonjá. Graduadoem Ciências Sociais(PUC)A crítica vai ao Cinema – (Felipe Brito/UFF);
  • 18:00 às 21:00 – Mesa redonda: “Organização política e resistência cultural de comunidades quilombolas do Rio de Janeiro. O objetivo desta mesa redonda é discutir os atuais desafios da organização política e cultural de segmentos da sociedade que se articulam em torno da cultura de origem negra. Discutir as formas de resistência cultural destes movimentos e das comunidades quilombolas,em especial. Relaçãoentre raça e classe. A relação entre indústria cultural, organização e consciência política. Cultura e juventude.
    • Thula Pires (PUC/RJ);
    • Gaspar (Movimento Luta Armada/Rio de Janeiro);
    • Mestre Mistério ( Mestre de Capoeira/Rio da Ostras);
    • Dona Uia – Presidente de honra da Associação Quilombo da Rasa;
    • Marta Andrade – Associação Quilombo da Rasa;
    • Mediador: Edson Teixeira (PURO/UFF)
    • 21:15 – Atividade Cultural – Roda de capoeira  (com Mestre Mistério) seguida de Roda de Samba

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