!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Três anos de polifonia

Posted in Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 25/12/2012

Em 9 de dezembro de 2012 O Polifônico fez três anos.

Que tantos outros anos venham.

Resistir é preciso!

Rumo à imprensa livre em Rio das Ostras!

cropped-barra_blog_observatorio_imprensa_local (1)

Anúncios

Comentários desativados em Três anos de polifonia

A proposta completa do PT para o setor das comunicações

Posted in Brasil, Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 12/09/2011
Moção 1: Compromisso com a agenda estratégica para as comunicações no Brasil
Nas últimas décadas, o Brasil experimentou uma transformação sem precedentes na área das comunicações. Junto a alterações estruturais nos mercados e no mundo do trabalho e mudanças substanciais nos campos da política e da cultura, passamos a conviver com modificações profundas na forma de produzir, difundir e acessar a informação e o conhecimento.
As novas possibilidades tecnológicas e econômicas terminaram por desenvolver a prática do compartilhamento como centro organizador do processo de comunicação no mundo, de tal forma que o acesso às redes de comunicação e em especial à internet passa a ser percebido como algo que está no âmbito dos novos direitos coletivos. Testemunhamos de forma simultânea a introdução das novas mídias, a reestruturação dos setores de telecomunicações e radiodifusão, a crise de endividamento das empresas de comunicação social, o duelo econômico e político entre operadoras de telefonia e emissoras de televisão, a convergência tecnológica e a participação dos cidadãos no processo de discussão dessas mudanças. O desafio que esse novo ambiente nos traz, é reformular o arranjo institucional que deverá sustentar esse cenário de maneira a garantir direitos e promover o protagonismo dos cidadãos no processo de produção de conhecimento.
A comunicação na história do PT
As resoluções definidas pela PT no encontro de fundação não falavam dos meios de comunicação. Mas posteriormente passaram a compor os documentos políticos e as ações do partido.
No Congresso Constituinte, a bancada do partido somou-se a outros poucos defensores de comunicação democrática. Mesmo sendo derrotados pela força do “centrão”, conseguiram conquistas que se mostram importantes avanços, como os expressos nos artigos 222 (nunca regulamentado) e 223 (que possibilitou a criação da EBC). A democratização dos meios de comunicação foi apresentada nas proposições eleitorais partidárias, entre 1989 até 2010, sendo concebida a partir de vários eixos, entre eles: [a] passível de regulação da sociedade civil; [b] pela ampliação do acesso da população com a socialização das informações; e [c] com função social tanto na articulação com a cultura e a educação quanto no combate ao preconceito e ao racismo. Em 2010, apresentou a proposição foi apresentada mais condensadamente como a defesa da “ampliação do acesso aos meios de informação e de comunicação”.
Em 1989, na proposição da primeira campanha presidência do partido, a democratização dos meios de comunicação de massa era a diretriz de número quatro, propondo fazer valer “o direito de o público ser informado de maneira objetiva e sem distorções”. Este direito poderia ser garantido com a “introdução de novas tecnologias de comunicação para emissoras de pequenas potências (regionais e comunitárias)”.
Em 1990, o PT estabeleceu Governo Paralelo, no qual Cristina Tavares coordenava a área das Comunicações. Este núcleo do Governo Paralelo apresentou importantes estudos e formulações sobre a democratização das comunicações.
Em 1994, o PT considerou os meios de comunicação como parte das instituições culturais e afirmou taxativamente que “não há democracia se os cidadãos não têm acesso livre às informações”. Nesta perspectiva, o Governo Democrático e Popular deveria garantir “por todos os meios possíveis, o acesso à informação e à gestão da coisa pública” e promover a “socialização dessa informação, através do rádio, da televisão, de redes informatizadas e do desenvolvimento de uma política de comunicação e ação cultural”. Neste programa a democratização dos meios de comunicação de massas era parte da construção de uma política de comunicação e ação cultural, visando à participação popular e a construção da hegemonia do bloco social interessado nas reformas democráticas e populares. Era também considerada instrumento importante no combate aos preconceitos e estereótipos de gênero, contras negros, gays e lésbicas.
O PT reclamava da falta de instituições “mediadoras entre o Estado, o setor privado e a sociedade na formação de políticas sobre a área de comunicações” e denunciava que os temas das mídias eram “conduzidos por práticas permeadas pelo patrimonialismo, corporativismo e cartorialismo, com predominância dos interesses privados sobre os públicos.”
As políticas de comunicação do Governo Democrático e Popular estariam centradas em (a) assegurar aos cidadãos o exercício do direito de informação e expressão, (b) instituir formas de controle social sobre os meios de comunicação, (c) aperfeiçoar os serviços estatais; (d) regular a esfera privada “de forma a impedir a existência de oligopólios.” (e) integrar as telecomunicações, informática, educação e cultura.
Propunha, também, a criação de Fundo Nacional de Comunicação e Conselhos de Comunicação, o direito de antena aos movimentos sociais e populares e na regulamentação das diversas plataformas.
Mas o PT defendia a criação de “condições favoráveis para a concorrência, para o fortalecimento da capacidade de produção e de ampliação do mercado”, afirmava a garantia de que toda a legislação deveria ser aprovada pelo Congresso Nacional e que os órgãos do sistema público deveria corresponder ao “espectro amplo e pluralista, dos pontos-de-vista ideológico, político, partidário, social, religioso, cultural; [e que] respeitará a preservação de realidades regionais e locais”.
Em 1998, o PT, no mais sucinto dos programas eleitorais, declarou que entre os “Direito ao direito” estavam “os meios de comunicação [que] devem ser instrumentos de educação, difusão da cultura, valorização do ser humano e a serviço da paz social e da vida civil solidária” e propunha o estabelecimento de conselhos sociais de acompanhamento.
Em 2002, o PT defendia a radicalização do processo democrático no Brasil como “um grande movimento cultural que vai além da adoção de medidas de democracia econômica e social e da realização de reformas políticas”. Afirmava que as “iniciativas no plano da cultura permitirão ao povo brasileiro expressar e valorizar suas identidades e experiências regionais, sociais, étnicas e apropriar-se dos frutos da civilização em toda a sua diversidade.” Esta política requeria a democratização cultural da sociedade combinada à democratização dos meios de comunicação com a garantia da mais irrestrita liberdade de expressão. Propunha reativar mecanismos de política científica, tecnológica e industrial diante da disseminação da internet e do avanço da comunicação móvel.
Em 2006, na campanha para a reeleição de Lula, a comunicação, ao lado da cultura, da ciência e da tecnologia foi apresentada como instrumento de desenvolvimento e de democracia. O PT assegurou que “será garantida a democratização dos meios de comunicação, permitindo a todos o mais amplo acesso à informação, que deve ser entendida como um direito cidadão.” E garantiu que o Governo continuaria a se relacionar de forma democrática com os meios de comunicação. Apresentou a proposta de um novo modelo institucional para as comunicações (com ênfase no caráter democratizante e no processo de convergência tecnológica).
Ainda em 2006, o partido formulou um Caderno Setorial de Comunicação e Democracia, apresentado à coordenação de campanha em que defendia: a democratização dos meios de comunicação no contexto do aprofundamento da democratização da sociedade brasileira e da promoção das justiças sociais e econômicas. Mas também apontava a importância econômica do setor e seu potencial de induzir a redução de disparidades regionais e sociais com a convergência tecnológica, a proliferação dos meios digitais.
Este documento se pautou pelo conceito constitucional de comunicação centrada em três sistemas: o estatal, o público e o privado. Defendia um marco regulatório com uma Lei Geral de Comunicação Eletrônica e a criação de uma rede de rádios e TVs institucionais que possibilitasse a municipalização da produção.
O PT já defendia uma Política Pública de Inclusão Digital “reconhecida como estratégia de desenvolvimento e aprofundamento da democracia o que pressupõe incorporar o uso das tecnologias no cotidiano, desenvolvendo habilidades, conteúdos, interação social em rede e garantia de direitos para a população de baixa renda”. A PPID também visava o aprofundamento da democracia possibilitando o acesso à informação e à comunicação são direitos essenciais de cidadania.
Em 2007, no 3º Congresso do PT a democratização das comunicações foi reafirmada como um dos seis eixos básicos da do programa partidário. A Tarefa fundamental do PT seria a de garantir a existência dos sistemas estatal e público de comunicação e no campo da radiodifusão comunitária, defender a adoção de uma política clara, criando condições para que um número cada vez maior de localidades possam contar com essas emissoras, multiplicando os canais de expressão, potencializando a circulação das informações e fornecendo conteúdos.
Apresentava como tarefas para o período na área da comunicação (a) a convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação Social e (b) a articulação das ações governamentais em educação, cultura e comunicação. O PT deveria trazer para o projeto nacional de desenvolvimento uma “forte política nacional de inclusão digital, como necessidade contemporânea do seu compromisso com uma revolução na educação, bem como para a democratização dos meios de comunicação.”
Os meios de comunicação alternativos foram reconhecidos como instrumento necessário ao lado da participação dos movimentos sociais na construção de um bloco histórico que defenda na sociedade o projeto democrático popular para sustentar o “projeto de mudanças, de rompimento com a dominação conservadora”. Apontou também que a democratização da sociedade requeria tanto uma luta contra os monopólios da comunicação como a reforma do sistema político, eleitoral e partidário.
Reafirmava a necessidade que os meios de comunicação estivessem afinados com as políticas de educação para incentivar “sedimentação de uma cultura de igualdade, com respeito às mulheres e sua diversidade”, na política de direitos humanos e na superação da opressão de raça, gênero e classe.
Em 2008, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação do PT defendeu a convocação de uma Conferência Nacional de Comunicação, democrática e participativa, para discutir um novo marco regulatório, os processos de convergência tecnológica e a democratização do setor. Apresentou a defesa de diversas iniciativas para o fortalecimento da Radiodifusão Comunitária e para a democratização e transparência dos processos de concessão de canais de rádio e TV. Propôs a criação de um órgão autônomo com poder de regular e fiscalizar as concessões de radiodifusão. Defendeu a articulação e ampliação dos programas governamentais relativos à inclusão digital, com universalização do acesso e construção de uma infra-estrutura pública de telecomunicações, inclusive com a regulamentação do mercado de banda larga, de maneira a garantir caráter público ao serviço, com acesso gratuito ou a baixo custo.
Em 2009, o PT apresentou a resolução sobre a estratégia petista na CONFECOM propondo a construção de um marco regulatório democrático como centro da estratégia, tratando a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social e considerando a mudança de cenário provocada pelas tecnologias digitais. O PT declarou que lutaria para que as demais ações estatais nessa área promovessem a pluralidade e a diversidade, o controle público e social dos meios e o fortalecimento da comunicação púbica, estatal, comunitária e sem finalidade lucrativa e combateria os monopólios e todos os desvios do sistema atual.
O PT defendeu quanto ao Marco Regulatório, o Controle público e social, a manutenção de arquitetura aberta e não proprietária para Internet; ampliação da potência para universalizar o acesso; criação de fundo público de apoio às rádios; a paridade racial de gênero na publicidade.
Em 2010, o Programa de Dilma propunha transformar o Brasil em potência científica e tecnológica sendo que a inclusão digital “ocupará um lugar importante, com a extensão da banda larga para todo o País, em especial para as escolas” e a “valorizar a cultura nacional, dialogar com outras culturas, democratizar os bens culturais e favorecer a democratização da comunicação.” Que entre outras medidas garante “o favorecimento da comunicação, livre e plural, capaz de refletir as distintas expressões da sociedade brasileira.”
Análise de Conjuntura
Em duas décadas e meia de redemocratização, o Brasil aboliu a censura, aprovou um capítulo inédito para a Comunicação Social na Constituição Federal, escreveu, com participação popular, uma das legislações de televisão a cabo mais avançadas do mundo, construiu um novo marco regulatório para as telecomunicações, instituiu oficialmente o serviço de radiodifusão comunitária, implantou um modelo democrático de governança na internet e incorporou velozmente as novas mídias.
Esse cenário histórico recebeu um aporte importante durante os dois mandatos do expresidente Lula, que debateu de forma pública o processo de introdução da tecnologia de televisão digital, a regulação do conteúdo audiovisual, a classificação indicativa e a criação de uma rede de emissoras públicas. Realizou a 1ª Conferência Nacional de Comunicação e discutiu com a sociedade o Marco Civil da Internet e a reforma da legislação do direito autoral.
Com a Presidenta Dilma, é fundamental agora aprofundar e dar continuidade ao processo democrático de revisão do arcabouço regulatório da área das comunicações e de políticas públicas que promovam a inclusão social dos brasileiros, a diversidade cultural e o desenvolvimento econômico dos setores envolvidos no processo de convergência tecnológica.
O conhecimento e o diálogo estão alcançando um número maior de pessoas, mas a tarefa de levar estas novas tecnologias de informação e comunicação a toda sociedade ainda está por ser feita, sob pena de o ambiente digital ampliar – ao invés de reduzir – as desigualdades entre aqueles que têm cada vez mais conhecimento, cada vez mais participação, e aqueles que ficam alijados do processo de desenvolvimento. Nosso País precisa urgentemente saltar sobre esse fosso da exclusão e ter como Norte a universalização do acesso aos serviços e conteúdos das comunicações.
Além de garantir a produção e circulação de conteúdo nacional e o acesso às novas redes, o PT precisa contribuir para que estes instrumentos cumpram sua função social: aproximar culturas e mediar o diálogo nacional. A homogeneidade da comunicação de massa está cedendo lugar à diversidade cultural das trocas simbólicas. Se até então éramos ligados apenas por uma maneira de ver e ouvir, agora temos também a oportunidade de falar, de comunicar, de interagir. Essa é a grande complexidade do desafio que se coloca ao novo arranjo institucional das Comunicações, que precisa contemplar uma dupla responsabilidade: induzir o desenvolvimento sustentável e desconcentrado dos setores econômicos, enquanto promove e protege a diversidade cultural e a liberdade de expressão.
O panorama atual da área das comunicações no Brasil revela que temos muito trabalho a ser feito. Ao olharmos para os rincões do Brasil ainda conseguimos enxergar claramente essa divisão sócio-cultural do País. A Nação dos 17 milhões de domicílios com acesso à internet com banda larga e dos 11,3 milhões de assinantes de TV paga convive com habitantes que estão submetidos a um regime de informação do século passado. É sempre bom lembrar que menos de 3% dos municípios brasileiros recebem o sinal de mais de uma emissora de televisão local. Somente metade das localidades possui acesso à rede mundial de computadores e metade dos brasileiros afirma que nunca acessou a internet. Na maior parte de nossas cidades, sem cinema e sem livraria, o rádio e o jornal são as principais fontes de informação dos cidadãos sobre sua realidade. E a televisão é, praticamente, a única fonte de entretenimento e lazer. O que faz com que seja ainda mais importante que a televisão brasileira se atualize para operar fora do paradigma da integração vertical em um mercado globalizado e diversificado no qual a Comunicação é percebida como um direito social tão importante quanto qualquer outro.
No que se refere ao mercado, é essencial que o PT apóie o reordenamento econômico da área das comunicações diante dos novos modelos de negócios e de práticas concorrenciais sintonizadas com esta alteração do modo como consumimos conteúdo de informação e comunicação.
A convergência tecnológica, as mudanças nos modelos de negócio e a crescente importância dos conteúdos digitais criativos não garantem, por si só, que o setor das comunicações deixará de tender para a concentração e o oligopólio. Muito pelo contrário: o cenário mundial mostra uma crescente concentração de propriedade entre grupos transnacionais, o que inclui a fusão entre grupos tradicionalmente ligados à produção de conteúdos e grupos tradicionalmente ligados às telecomunicações.
É por isso que o PT afirma seu compromisso com a cultura como bem comum, o que impõe a nós a tarefa de mobilizarmos a sociedade por uma nova legislação dos direitos de autor e propriedade intelectual que corrija essa tendência de concentração de poder sobre os bens simbólicos distribuídos por esses conglomerados.
Vale saber que pequenas células de desenvolvimento de inovação, abertas ao experimentalismo e ao compartilhamento de técnicas e ideais, geram produtos novos, que escapam à lógica do lucro e à capacidade de replicação dos grandes conglomerados de comunicação. O Partido dos Trabalhadores precisa ajudar nosso governo a inserir esses milhares de realizadores de conteúdo audiovisual e digital, sejam eles indivíduos, empresas ou agentes organizados em coletivos, dentro de um mercado que é cada vez mais global e multiplataforma, e no qual se desenvolvem diversos modelos de negócio além dos tradicionalmente engendrados pelas indústrias culturais.
Além de regular os oligopólios com o objetivo de criar condições de entrada de novos atores no mercado, precisamos pensar formas de induzir as empresas já instaladas no Brasil a aproveitar sua capacidade para projetar internacionalmente organizações, produtores e desenvolvedores independentes de conteúdo nacional, estimulando também as práticas solidárias e novos modelos de negócio que surgem a cada dia.
No terreno da distribuição e da livre circulação dos conteúdos, a hora é de incorporar uma nova visão sobre a democracia e a esfera pública. Se no início do século passado governar era abrir estradas, agora é o momento de construir o sistema viário da informação, que são as “estradas” digitais, combinando tal tarefa com o fomento à produção de conteúdos brasileiros que naveguem por essas “estradas”.
O acesso às redes de telecomunicações é o grande trunfo estratégico do Estado para inserir nossa economia e nossos cidadãos na era da sociedade do conhecimento, mas precisamos pavimentar de forma coordenada as cidades digitais que teremos amanhã e garantir que brasileiros de todas as origens e classes sociais habitem e utilizem essas cidades em igualdade de condições. Se nos últimos 100 anos a democracia lutou pela garantia de liberdade de expressão e manifestação do pensamento, teremos que adicionar a esta demanda permanente o direito à comunicação.
Compromissos do PT com a Comunicação
O Partido dos Trabalhadores entende que deve contribuir na elaboração e na implantação de políticas de universalização do acesso aos diferentes serviços de comunicação – em especial à internet em banda larga, que deve ser entendida como um serviço essencial, ao qual todo cidadão tem direito, independentemente das disparidades sociais e regionais. Para tanto, é necessário:
— Fortalecer o papel regulador do Estado no setor de telecomunicações, de modo a promover e proteger a diversidade cultural brasileira, ampliar o intercâmbio cultural com todos os povos do planeta, possibilitar maior competição entre agentes de mercado, redução do preço ao usuário, aumento da qualidade e multiplicação dos investimentos privados na infraestrutura que dará suporte às demandas de um Brasil efetivamente conectado.
— Aprofundar políticas públicas que garantam o acesso das populações de baixo poder aquisitivo ou de regiões distantes das grandes cidades aos serviços de comunicações. Para tanto, o Estado deverá garantir recursos para equipamentos públicos de acesso, provimento do serviço e terminais.
— Ampliar o investimento em grandes redes radiodifusão pública e de telecomunicações, a exemplo da EBC e da Telebrás, que fujam da lógica imediatista de mercado, podendo assim voltar a sua atuação a regiões e públicos de menor potencial econômico; atender aos órgãos da administração pública, o que, além de gerar impactos econômicos positivos, potencializa os resultados dos mais diferentes serviços básicos, da educação à segurança e à saúde, e tornarem-se alternativas às redes privadas, gerando competição e pluralidade.
— Garantir que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital, em parte desenvolvido em nossos laboratórios e já adotado por diversos países, realize todo o seu potencial inovador por meio do middleware Ginga – ou seja, que ele de fato utilize recursos interativos que demandem produção local e induzam à inclusão digital.
— Afirmar a radiodifusão como um serviço público, de caráter universal, aberto e de alta relevância social.
— Criar um ambiente normativo para o mundo digital que, por um lado, garanta os direitos individuais do cidadão, bem como possibilite o acesso isonômico aos conteúdos e aplicações.
— Mobilizar o PT no debate e na aprovação do Marco Civil da Internet que se encontra no Congresso Nacional e na elaboração de um novo projeto para tipificar crimes e delitos cometidos no ciberespaço.
— Defender a revisão da legislação referente ao Direito Autoral e Propriedade intelectual, considerando a cultura como bem comum e o nosso compromisso com a democratização da produção, fruição e acesso aos bens e serviços culturais.
— Consolidar um sistema público de rádio e televisão, apoiar e descriminalizar a radiodifusão comunitária e dotar os processos de outorga de radiodifusão de mecanismos de transparência e de critérios objetivos.
— Vedar a concessão e permissão de outorgas de radiodifusão a políticos e ocupantes de cargos públicos em exercício da função bem como formas de concentração empresarial, a exemplo da propriedade cruzada, que levem ao abuso de poder econômico.
— Democratizar a distribuição das verbas públicas de publicidade visando o estímulo à pluralidade de fontes de informação nas diferentes esferas da federação.
— Participar do diálogo da sociedade com os governos na elaboração das políticas de comunicações por meio da criação de conselhos de comunicação em todos os estados da federação e no Distrito Federal, fortalecimento do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e dos processos participativos nacionais que envolvam todos os entes federados realizando a II Conferência Nacional de Comunicação.
— Afirmar um novo paradigma de políticas públicas de estímulo ao desenvolvimento cultural, que alie o fortalecimento das empresas brasileiras ao desenvolvimento regional, que encontre espaço para a produção destinada ao mercado de massas, sobretudo internacional, aos processos criativos que operam segundo os princípios da Economia Solidária e fortalecem os laços de pertencimento comunitário.
As grandes mudanças necessárias para a implantação de uma agenda estratégica para as comunicações no Brasil, contudo, ainda são barradas pelo anacronismo de nosso atual marco regulatório. No que se refere ao rádio e à televisão, nossa legislação atual data dos anos 1960 e não foi atualizada a ponto de regulamentar os artigos da Constituição Federal que tratam, por exemplo, da produção regional e independente e da vedação ao monopólio e aos oligopólios. No que se refere a telecomunicações, a legislação foi construída a partir de um modelo gestado antes da revolução digital, que aboliu as fronteiras entre os diferentes serviços e as diferentes redes.
Nesse sentido, é necessário criar um novo marco regulatório para as comunicações no Brasil que venha a substituir as atuais normas sobre telecomunicações e sobre radiodifusão. Este novo marco deverá ter entre seus princípios:
a) A liberdade de expressão e de imprensa e a vedação à censura;
b) A garantia dos direitos do cidadão, da infância e da adolescência;
c) A pluralidade de fontes de informação;
d) O fortalecimento da cultura brasileira;
e) O fortalecimento da indústria nacional criativa, especialmente a produção audiovisual independente.
f) O direito de acesso às redes de comunicação;
g) O apoio às redes públicas e comunitárias de comunicações;
h) A participação social na elaboração de políticas de comunicação, por meio de instâncias democráticas e representativas do conjunto da sociedade; e
i) O desenvolvimento econômico regional e a desconcentração de oportunidades de negócio.
A comunicação que temos hoje está longe da que precisamos para enfrentar os novos desafios. É urgente provocar a ampliação do debate sobre esse Marco Regulatório.
Isso foi iniciado com a I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, mas precisa continuar envolvendo o Partido, os Movimentos Sociais, o Congresso Nacional e o Poder Executivo.
Precisamos do debate público para sedimentar consensos na área das comunicações Precisamos de um novo marco legal para acordar as regras da transição que está em curso.
Precisamos da democracia para regionalizar a cultura e garantir a diversidade e a pluralidade.
Precisamos dos cidadãos e das organizações sociais para injetar nas instituições brasileiras, seja na mídia, na sociedade ou nos governos, a idéia de que compartilhar é preciso.
Por fim, precisamos retomar a mobilização histórica do PT em torno da pauta da comunicação para que os meios não se tornem fins em si mesmos, mas pontes que ligarão a informação ao conhecimento, a democracia à diversidade, a cidadania à cultura. Mais do que a mera convergência tecnológica, é preciso forjar as bases de uma verdadeira convergência de anseios sociais por um Brasil soberano e socialmente justo.
Vi o Mundo

Comentários desativados em A proposta completa do PT para o setor das comunicações

A estratégia do medo

Posted in Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 12/09/2011
Atos de terror se transformaram em ações grandiosas e espetaculares que atraem a cobertura da grande mídia. Há autores, inclusive, que falam na existência de uma simbiose: se o terror precisa da mídia para divulgar sua mensagem de violência e medo, os terroristas proporcionam o espetáculo do qual a mídia comercial se alimenta.
Os 10 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro, nos Estados Unidos, constituem mais uma oportunidade para se refletir em torno do recurso à violência na ação política e sobre a centralidade da mídia no conturbado mundo contemporâneo.
Uma vasta literatura sobre terrorismo floresceu nos últimos anos. Não se trata, evidentemente, de fazer um balanço dela. O que interessa, em particular, é recuperar as lições já aprendidas sobre o terrorismo como forma de comunicação. E essa característica vale para os diferentes tipos de terrorismo, inclusive aquele ao qual, eventualmente, grupos de mídia se aliam de forma explícita ou não.
“Sem comunicação não haveria terrorismo”
Atribui-se a Marshall McLuhan a afirmação acima. De fato, existe consenso de que a divulgação, através da grande mídia, dos atos de terror constitui uma condição básica para sua própria existência. A violência terrorista tem como um de seus principais objetivos a transmissão de uma mensagem. Trata-se, portanto, de uma violência instrumental na medida em que seus executores pretendem que ela seja construtora de significações. A principal delas: o medo generalizado.
Ao disseminar o medo, o terror – na maioria das vezes – tenta identificar o conjunto da população como inimiga e, dessa forma, passa a “legitimar” qualquer tipo de ação violenta indiscriminada. De forma circular, quanto mais severas as medidas de repressão ao terrorismo adotadas pelo Estado, mais se tende a desrespeitar garantias de direitos e liberdades fundamentais e, muitas vezes, mais se legitima a própria ação terrorista.
Mas não é só o medo que o terror comunica. Os atos de terror servem como forma de manutenção da coesão interna, da moral e das motivações dos próprios grupos terroristas. Dirigem-se, dessa forma, também ao “público interno” além de facilitar o trabalho de recrutamento de novos membros.
Por tudo isso, atos de terror se transformaram em ações grandiosas e espetaculares que atraem a cobertura da grande mídia. Há autores, inclusive, que falam na existência de uma simbiose: se o terror precisa da mídia para divulgar sua mensagem de violência e medo, os terroristas proporcionam o espetáculo do qual a mídia comercial se alimenta.
Estratégia do medo
A estratégia do medo, por óbvio, não é um recurso exclusivo da violência terrorista. Ele tem sido utilizado também em nome do jornalismo.
No intrigante artigo sobre o escândalo do tablóide “News of the World” – “O medo que não ousava dizer o nome” – o professor Timothy Garton Ash afirmou:
“a débâcle de Murdoch revela uma doença que vem obstruindo lentamente o coração do Estado britânico nos últimos 30 anos. (…) A causa fundamental dessa doença britânica tem sido o poder exacerbado, implacável e fora de controle da mídia; seu principal sintoma é o medo. (…)
Se a medida final de poder relativo é “quem tem mais medo de quem”, então seria o caso de dizer que Murdoch foi – no sentido estrito, básico – mais poderoso que os últimos três premiês da Grã-Bretanha. Eles tinham mais medo dele do que ele deles” (cf.http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/inews-of-the-worldi-o-poder-do-medo)
Na Terra de Santa Cruz a constatação da existência de situações semelhantes em diferentes momentos da nossa história recente não chegaria a constituir surpresa.
Conseqüências e lições
A simbiose mencionada entre mídia e terror parece ter se manifestado de forma clara quando, após o 11 de setembro de 2001, os EUA dividiram o mundo entre o “bem” e o “mal” e iniciaram “missões do bem”. A violência da invasão militar de países considerados do “mal” passa, de certa forma, a “legitimar-se” por essa dicotomia mistificadora.
Ademais, a ação de violência do Estado pode, então, tornar-se, ela própria, uma prática terrorista. O Ato Patriótico do governo Bush institucionalizou uma forma de terrorismo admitindo, por exemplo, a tortura e a prisão sem julgamento, além de definir randomicamente alvos simbólicos.
Nesse contexto, aparece a figura do “embedded journalist”. Os jornalistas da grande mídia que quisessem cobrir a ação das tropas americanas na invasão do Iraque em 2003 seriam “incorporados” (embutidos) aos próprios batalhões de combate.
O “embedded journalist”, por óbvio, abdica de qualquer autonomia. Sujeita-se às contingências da própria operação militar e a cobertura “jornalística” passa a ser conduzida de “dentro” pelo comando da tropa. Aqui a mídia se incorpora à própria ação de violência do Estado e, de certa forma, com ela se confunde.
É indispensável que a grande mídia se dê conta de seu delicado papel nas sociedades contemporâneas e abrace de forma inequívoca o compromisso com a não violência e – por extensão – recuse qualquer prática que se valha da estratégia do medo.
Em relação à conduta frente a atos de violência terrorista – seja qual for a sua origem – o fundamental é praticar a não-violência ativa, pautada por princípios civilizatórios. Não há outra forma de evitar a cumplicidade.
Por Venício Lima, Carta Maior

Comentários desativados em A estratégia do medo

Jornalistas Interditados

Posted in Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 12/09/2011
As relações arcaicas que ainda prevalecem nas redações brasileiras, sobretudo naquelas ancoradas nos oligopólios familiares de mídia, revelam um terrível processo de adaptação às novas tecnologias no qual, embora as empresas usufruam largamente de suas interfaces comerciais, estabeleceu-se um padrão de interdição ideológica dos jornalistas. Isso significa que a adequação de rotinas e produtos da mídia ao que há de mais moderno e inovador no mercado de informática tem, simplesmente, servido para coibir e neutralizar a natureza política da atividade jornalística no Brasil.
Baseados na falsa noção de que o jornalista deve ser isento, as grandes empresas de comunicação criaram normas internas cada vez mais rígidas para impedir a livre manifestação dos jornalistas nas redes sociais e, assim, evitar o vazamento do clima sufocante e autoritário que por muitas vezes permeia o universo trabalhista da mídia. Em suma, a opinião dos jornalistas e, por analogia, sua função crítica social, está sendo interditada.
Recentemente, a ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, opinou que jornalista não deveria ter Twitter pessoal. Usou como argumento o fato de que, ao tuitar algo “ofensivo”, o jornalista corre o risco de, mais para frente, ter que entrevistar o ofendido. A preocupação da ombudsman tem certa legitimidade funcional, mas é um desses absurdos sobre os quais me sinto obrigado a, de vez em quando, me debruçar, nem que seja para garantir o mínimo de dissociação entre a profissão, que tem caráter universal, e os guetos corporativos onde, desde os anos 1980, um sem número de manuais de redação passaram a ditar todo tipo de norma, inclusive comportamental, sobretudo para os repórteres.
Suzana Singer deu um exemplo prosaico, desses com enorme potencial para servir de case em cursinhos de formação de monstrinhos corporativos que pululam nas redações:
“Hoje o jornalista pode estar em um churrasco, com os amigos, e ser ofensivo com os palmeirenses porque eles ganharam o jogo de domingo. E na semana seguinte ele tem que ir entrevistar o presidente do Palmeiras. Ou seja, é uma situação muito desagradável, que poderia ter sido evitada se o repórter tivesse a postura adequada de não misturar as coisas. Não tem como ter dupla personalidade, separar a sua vida pessoal da profissional, assim como não dá para ter duas contas no twitter”.
Bom, primeiro é preciso esclarecer duas coisas, principalmente para os leitores desse blog que não são jornalistas: é possível, sim, separar a vida pessoal da profissional; e, claro, dá para ter duas contas no twitter. Essa história de que jornalista tem que ser jornalista 24 horas é a base do sistema de exploração trabalhista que obriga repórteres, em todo o Brasil, a trabalhar sem hora extra, ser incomodado nas férias e interrompido nos fins de semana, como se fossem cirurgiões de guerra. Também é responsável, na outra ponta, por estimular jornalistas que se tornam escravos de si mesmo, ao ponto de, mesmo em festas de crianças e batizados de bonecas, passarem todo tempo molestando alguma fonte infeliz que calhou de frequentar o mesmo espaço.
A interdição imposta aos jornalistas pelas empresas de comunicação tem servido, entre outras coisas, para a despolitização das novas gerações de repórteres, instadas a acreditar que são meros repassadores de notícias e tarefeiros de redações. Desse triste amálgama é que surgem esses monstrinhos entusiasmados com teses fascistas, bajuladoras profissionais e bestas-feras arremessados sobre o cotidiano como cães raivosos, com carta branca para fazer, literalmente, qualquer coisa.
Não causa mais estranheza, mas é sempre bom expor o paradoxo dessa posição da ombudsman, que não é só dela, mas do sistema na qual ela está inevitavelmente inserida, desde que o pensamento reacionário e de direita passou a ser bússola fundamental da imprensa brasileira. Digo paradoxo porque o mesmo patronato que confunde, deliberadamente, liberdade de expressão com liberdade de imprensa, para evitar a regulação formal da atividade midiática, é esse que baixa norma sobre norma para impedir seus funcionários de se manifestarem no ambiente de total liberdade das redes sociais, notadamente o Twitter e o Facebook. Não o fazem, contudo, por zelo profissional.
Essa interdição visa, basicamente, evitar que os jornalistas opinem, publicamente, sobre a própria rotina e, assim, exponham as mazelas internas das corporações de mídia. Ou que expressem opiniões contrárias à de seus patrões. Foi assim, por exemplo, no caso da bolinha de papel na cabeça de José Serra, na campanha de 2010.
Aquela farsa ridícula foi encampada, sem nenhum respeito ao cidadão consumidor de notícia, por quase toda a imprensa, por imposição editorial. Diversos colegas jornalistas, alguns que sequer conheço, me mandaram mensagens (um me abordou numa livraria de Brasília) implorando para que eu tratasse do assunto nas redes sociais. Todos me informaram que seriam demitidos sumariamente se contestassem, no Twitter e no Facebook, a tese patética do segundo ataque com um rolo de fita crepe. Todos, sem exceção.
A ética do jornalista é a ética do cidadão, dizia um grande jornalista brasileiro, Cláudio Abramo, aliás, responsável pela modernização de O Estado de S.Paulo e da Folha, nos anos 1960 e 1970. Portanto, nada mais natural que tenha o jornalista os mesmos direitos do cidadão, aí incluído o de se expressar. Impedi-lo, sob um argumento funcional, de exercer seu direito de opinião e crítica é, no fim das contas, mais um desses sinais de decadência moral da mídia brasileira. E, claro, retrato fiel do que ela se tornou nos últimos anos.
Por Leandro Fortes, Vi o Mundo

Comentários desativados em Jornalistas Interditados

Prefeitura de Rio das Ostras faz propaganda eleitoral antes do tempo

Posted in Sem categoria by ImprensaBR on 22/08/2011
Prefeitura de Rio das Ostras faz propaganda eleitoral antes do tempo
Suposto ‘líder’ local com forte pretensão a se candidatar mais uma vez a vereador em 2012 aparece em comercial pago pela prefeitura, em horário nobre

Pode? A Secretaria de Comunicação Social da PMRO lançou, na noite deste último domingo, sua mais nova campanha publicitária. Durante os intervalos do Fantástico, na afiliada local da Rede Globo foi transmitido, várias vezes, um comercial da Prefeitura de Rio das Ostras enaltecendo as obras de pavimentação feitas recentemente nas imediações da praia de Itapebussus, bairro de um morador, que além de ser o presidente da associação de seu bairro (até aí, normal), atua como presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Rio das Ostras (até aí, normal…).  

Para quem não sabe da trama, o morador que aparece no comercial falando que morar em Rio das Ostras é sinônimo de qualidade de vida, ainda que não assumidamente – já que as prévias eleitorais não começaram legalmente -, será mais uma vez candidato ao legislativo da cidade apoiado pelo atual prefeito, como fez na última eleição municipal, em 2008. E isso não sou eu que estou inventando. No site de vídeos mais visitado da Web, o Youtube, há um vídeo mostrando claramente sua candidatura e quem anuncia a preferência e pede votos para o amigo Maia é nada mais nada menos que o prefeito de Rio das Ostras. Esse vídeo foi postado mês passado, coisa recente. Vale lembrar, que dependendo da manobra política que o ‘morador do comercial’ faça com um partido pequeno, leva um cargo no legislativo apenas míseros 400, 500 votos. Veja (http://www.youtube.com/watch?v=-W1s2rhMpKY).
Se isso não é fazer campanha política para um candidato da base do governo, que atua nas frentes comunitárias da cidade, não sei o nome que pode ter o que a prefeitura está fazendo. Alguém, por favor! Uma luz! Como posso designar esta prática? Sou ignorante, desconheço… isso pode? E com dinheiro público?
Enfim, hoje cedo, pela Internet, tentei contato com a secretária de Comunicação de Rio das ostras através do gtalk; ela estava disponível para conversa… mas para mim parece que não estava, pois não deu retorno a minha pergunta, quando tentei saber diretamente dela do que se tratava esse comercial, que por sinal acaba se ser veiculado de novo, agora, no intervalo do jornal Hoje.
Assim como ela, uma jornalista da Secom cujo nome não vem ao caso ser citado, também não soube explicar de maneira plausível o que estava fazendo em uma matéria sobre o bairro do Jorge Maia, o ‘morador do comercial’ feita pela Globo local e transmitida também neste final de semana. Leia mais…
Imprensa oficial a trabalho da construção de mais uma personagem… e lá vamos nós desconstruir esse discurso…
Uma outra observação com relação à ‘aparição’ deste ‘líder’ comunitário na TV local aconteceu esses dias, se não me engano, numa matéria de sábado veiculada no jornal local da tarde da mesma emissora que repetiu diversas vezes o novo comercial da PMRO, na noite de domingo, durante o Fantástico.
Tudo bem com a bela fotografia do cinegrafista da afiliada local e com o texto da jornalista que narrava a paisagem da bela praia de Itapebussus. Surpresa fiquei ao ver o Maia na matéria, cercado por uma meia dúzia de pessoas, dentre elas uma profissional de jornalismo da Secretaria de Comunicação da prefeitura, que fazia elemento de cena no vídeo como se fosse parte da paisagem.
Sem querer parecer estar sendo desleal com os amigos jornalistas, o que, aliás, em Rio das Ostras é raro (ter amigos na profissão) já que sou tida como uma praga daninha pelos assessores de imprensa da PMRO (risos… é patética essa relação que eles tentam impor… e olha que atuo na imprensa local desde 2003, em Rio das Ostras, desde 2005), não dá pra ficar calada diante desta notória e explícita prática do famoso jabá, ainda mais quando o jabá está dentro da própria Secom.
O Jabá
O jabá muitas vezes acontece de maneira capciosa, de maneira disfarçada (uso as rádios como exemplo, mas o jabá é praticado em todos os veículos de comunicação) nas rádios locais, que geralmente são dos políticos locais ou de grupos de apoio à base governamental. Por isso, não percebemos quando eles – os jabás – acontecem… e mais, para um ‘spot’ (peça publicitária para rádio) ser levado ao ar por uma rádio, ele antes precisa ser produzido por uma agência de publicidade. Esta por sua vez, contratará a rádio para fazer a veiculação do anúncio. Essa agência tem a conta do órgão público e em Rio das Ostras, sabemos que a agência que detém as contas da Secom, além de ser praticamente detentora de todas as campanhas publicitárias feitas pela prefeitura, exerce um monopólio explícito, mas que não é mencionado por ninguém, principalmente por esta imprensa vendida, que se alastra em Rio das Ostras.
O termo ‘jabá’ deriva da palavra jabaculê, e significa: negociata, armação, suborno. Para ver como a prática tem sido uma praxe na atividade jornalística, infelizmente, sugiro a leitura de dois breves artigos de um companheiro de militância:
(http://jabanao.wordpress.com/2011/02/01/editor-da-globo-quem-diria-agora-agradece-aos-ceus-e-pede-mais-jaba/), (http://jabanao.wordpress.com/tag/jornalismo/).
Os medíocres cavam a própria cova
Se eu não tivesse lido o clássico ‘Assim falava Zaratustra’, diria que a frase do intertítulo está escrita em uma de suas páginas pelo nu e cru, Nietzsche. Mas não, é citação e invencionice minha mesmo, desta reles jornalista… que pensa ser tão deprimente quanto à prática do jabá, do monopólio dos meios de produção em comunicação social na cidade, do assédio moral a jornalistas que apresentam uma postura crítica diante da roubalheira e desmandos da administração pública e noticiam a farsa que há por trás das propagandas do governo, ‘plantar matérias’ e naturalizar esta prática.
Se os jornalistas que atuam dentro de uma assessoria de comunicação governamental seja ela qual for, pensam que aqui fora nas ruas, no “mundinho” normal de qualquer cidadão comum, eles não perdem a credibilidade, estão ilesos a comentários de todo o tipo como os que recebo rotineiramente de meus leitores (até porque só recebe crítica quem se mostra e se expõe…), enganam-se. O leitor dos tablóides semanais de Rio das Ostras sabe que as matérias que leem são produzidas por uma equipe de jornalistas, servidores. Se eles não sabem listar os nomes de cada um dos jornalistas da Secom que as redige é porque isso não é propagado pela secretaria e porque até hoje nenhum jornalista da cidade se deu ao trabalho de postar a relação na internet, visando dar nome aos bois; o que tentarei fazer posteriormente, informando além dos nomes dos jornalistas servidores da Secom, quais pastas (secretarias de governo) cada um deles cobre. Embora os textos não tenham uma identidade pelo fato de precisarem comunicar uma mensagem homogênea, de fácil acesso e entendimento do maior número de leitores, são considerados textos informativos e jornalísticos, os produzidos pelos servidores da Secom. E como geralmente os governantes costumam tirar por baixo a capacidade interpretativa, educacional e criativa dos eleitores, seus leitores semanais através dos jornais locais, eles não expressam nenhum elemento que leve o leitor a elaborar uma crítica ao texto apresentado ali naquele jornal. Texto este, que por sinal é replicado incansavelmente pela imprensa impressa local sem nenhum pudor… até pelos editores que defendem uma oposição ao governo atual em Rio das Ostras. Eita coisa mais embaraçosa de entender, sô!
É… mais uma função deste veículo de comunicação regional é falar sobre discurso, jornalismo e comunicação… precisamos falar sobre essas metodologias de construção textual no jornalismo e deste jornalismo ante ao discurso do governo para que você entenda de que polifonia falamos. Aí reside a utilidade do jornalismo, sua função social.
É considerado um grave problema de falta de ética a prática – infelizmente ainda muito natural entre os jornalistas da região – conhecida entre os companheiros de profissão como ‘plantar matéria, ou cavar pautas’… tanto faz, dá no mesmo.
Agora, o que você não sabe é o que significa isso. Quem planta quer colher, não? Funciona assim: “Determinadas assessorias de imprensa negociam com jornalistas dos veículos de comunicação, a inclusão na pauta de determinado assunto que seja de interesse da instituição ou do indivíduo que elas assessoram. Nos casos em que o assunto, por conta própria, não tenha valor noticioso suficiente para ser publicado, diz-se que a matéria foi “plantada” na redação — ou seja, nascida no ambiente externo à redação, e não naturalmente, pelo “faro” dos repórteres. Quando, por outro lado, a pauta é indicada por um superior na redação, por um dos diretores, executivos ou até pelo dono do veículo, diz-se que a matéria é “recomendada”, termo que no jargão jornalístico é geralmente abreviado para reco” (Wikpédia).
 Também via gtalk, hoje de manhã, encontrei tal jornalista da Secom, online, e aproveitei para perguntar o que ela fazia na matéria sobre a linda praia de Itapebussus… rapaz, o que li através de seu retorno pela ferramenta de chat do gmail nem vale a pena ser repetido… eu estaria criando um desgaste falando abertamente o que penso sobre a entrega do diploma nas mãos do poder político. Seá que vale comprar esta briga? Acho que essa fala da servidora (contratada), eu posso reproduzir sem ser processada, não? Afinal, embora eu não estivesse em um momento de ‘entrevista oficial’, trata-se de uma fala pública já que a jornalista em questão é uma servidora pública. Ou não? Não interesso-me, como disse a ela pelo gmail, em entrevistá-la para especular o que ela sabe acerca dos superfaturamentos praticados pela secretaria onde trabalha, embora saiba que ela tem informações preciosas com relação a isso, assim como todos os demais servidores da Secom, que não as divulgam e ainda dizem que as desconhecem na maior cara lavada. Ora, se eles que trabalham com informação, não sabem… Mas voltando ao ponto, acho que posso reproduzir a fala uma vez que importa-me aqui mostrar, desconstruir o discurso que está por trás do que não fica dito no enunciado apresentado. Você sabia, por exemplo, que ao dizer alguma coisa deixamos de dizer outra? Sim, claro que sabe. E o espaço que fica nesta lacuna do que ficou por ser dito, mas que eu, em minha fala resolvi silenciar dizendo outra coisa, pode ter um significado mais importante até do que aquilo que de fato eu disse? Calma, leia de novo. É Análise do Discurso. Tem que parar pra interpretar e sei que não é todo mundo que tem paciência, é mais fácil consumir falas prontas, discursos prontos, palavras de efeito… mas o que precisamos é ler o por de trás do discurso. Esta é uma das funções deste jornal interventivo e polifônico. Sem pretensão de querer ensinar alguém a ler o mundo (vixi, quem sou eu?), quero apenas ‘clarear’ e ativar, potencializar a capacidade interpretativa e analítica dos leitores, tão aprisionados ao formato pastiche da imprensa praticada nesta cidade e em termos mais amplos, infelizmente, em todo o país
Polifonia em si… o diálogo
Será que por ter usado uma conversa online que tive com um servidor da Secom, hoje cedo, pelo gtalk, neste artigo, corro o risco de ser processada? É… em Macaé, o legislativo inteiro tentou cassar o vereador Funke porque um de seus assessores de comunicação transmitiu (de forma ainda inédita no Brasil, diga-se em negrito e itálico!) a votação de uma sessão da câmara onde era votado o Plano de Cargos e Salários dos professores de Macaé, através de uma rede social; o Twitter.
Ainda estou estudando para saber sobre a legitimidade do uso da fala de alguém que se declarou por vias de email, redes sociais e pelo chat do gmail em textos jornalísticos. Caso algum advogado de plantão leia este artigo e tenha mais informações sobre a pauta, gostaria de uma assessoria, pois quero publicar na íntegra o diálogo que tive com a jornalista citada no texto por acreditar que deve ser do conhecimento público o que ela pensa sobre o cargo que tem, com a responsabilidade que o mesmo exige e mais, a ausência da fala da secretária, que fingiu estar ocupada e não ter lido minha mensagem online.
Se você quiser saber mais sobre o conteúdo do diálogo é só se posicionar, afinal isto aqui se pretende uma polifonia e eu não estou à disposição para ser boi de piranha, levantando petecas que depois ninguém quer segurar.
Por Leonor Bianchi

Advogados não poderão participar de programas de TV

Posted in Jornalismo de Intervenção, Notas by ImprensaBR on 16/08/2011
Os programas televisivos que pensavam em contar com advogados, para tirarem as dúvidas dos telespectadores, terão que mudar de ideia, pois esses profissionais não podem mais participar deste estilo de atração. A decisão foi do Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, seção de São Paulo (OAB-SP), que teve como base os artigos 32 e 33 do Código de Ética e Disciplina (CED) e os artigos 7° e 8° do Provimento da entidade.

Palpite inoportuno
Segundo o portal Consultor Jurídico, o Tribunal de Ética afirmou que a opinião de um advogado em uma atração de perguntas e respostas pode criar um desconforto entre os profissionais da área. “É evidente que o advogado acabará por se manifestar sobre caso concreto e muitas vezes sobre casos que se encontram sob patrocínio de outro profissional. Ademais, tal programa, de periodicidade semanal, constitui-se captação de clientela e concorrência desleal.”

Fonte; Comunique-se

Comentários desativados em Advogados não poderão participar de programas de TV

Pesquisa: veja como os jornalistas se comportam na internet

Posted in Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 16/08/2011

 

 
Ao navegar pela internet, os jornalistas preferem acessar o Twitter ou Facebook? Quantos postam em blogs? De onde surgem as pautas? De acordo com levantamento da consultoria Arketi Group, elaborado com jornalistas americanos, a principal atividade destes profissionais (98%) em ambientes online é a leitura de notícias em portais, seguido por buscas de matérias em ferramentas de pesquisas (91%). Do total de jornalistas que responderam ao estudo, mais da metade (64%) passa ao menos 20 horas semanais na internet.
Porcentagem de jornalistas que utilizam as ferramentas da web.
A pesquisa revela que a principal rede social, levando em conta a porcentagem de jornalistas cadastrados, não é o Facebook e nem o Twitter. O LinkedIn, rede para contatos profissionais, só não é aderida por 8% dos jornalistas entrevistados; a principal rede social do planeta, o Facebook, é utilizada por 85%, enquanto o Twitter tem a preferência de 84%. Numa escala de tempo gasto, o microblog continua atrás das demais redes*. 

O levantamento também responde como os jornalistas dos Estados Unidos buscam novas pautas por meio de ferramentas da web. A maior parte deles inicia o trabalho da reportagem com base no que foi veiculado em mídias digitais. Por outro lado, 39% dos jornalistas preferem acompanhar o que usuários estão comentando no Facebook e depois apurar o tema com fontes especializadas.

*Raking – Top 10 (tempo gasto)
1º Leitura de notícias
2º Busca por conteúdo
3º Facebook e LinkedIn
4º Twitter
5º Blogs
6° Acompanhar transmissões webcast
7° Youtube
8º Wiki pesquisas
9º Ouvir/Produzir podcasts
10º Serviço de Favoritos e marcadores (Digg e Delicious)
 Fonte: Comunique-se

Comentários desativados em Pesquisa: veja como os jornalistas se comportam na internet

Neoliberalismo no cobre e na mídia

Posted in Sem categoria by ImprensaBR on 19/07/2011

Mais uma vez o Chile está na ordem do dia em função de uma greve dos trabalhadores das minas de cobre, a primeira em 18 anos. O objetivo é evitar a privatização do setor e nesse sentido os sindicalistas estão mobilizados porque, apesar das negativas dos representantes do governo Sebastián Piñera, a privatização pode estar mesmo a caminho.

Piñera é um neoliberal e segue a cartilha do Estado mínimo, no caso chileno visando o aprofundamento do que se iniciou na era do ditador Augusto Pinochet com os Chicago boys, os economistas defensores do enfraquecimento do Estado.

A Concertación, que reunia democrata-cristãos e socialistas e que governou desde o fim da ditadura até a posse de Piñera, não mudou a economia, que seguiu as diretrizes traçadas na época da ditadura, tornando o Chile o país preferido pelos defensores do Estado mínimo. Fernando Henmrique Cardoso que o diga.

Piñera é bastante paparicado pela direita latino-americana e tem a preferência do Departamento de Estado, que acredita ser o seu governo um exemplo a ser seguido. Piñera não faz por menos e volta e meia procura criticar duramente modelos do gênero bolivariano. Para o Presidente chileno e para o Departamento de Estado, as experiências que estáo sendo adotadas na Venezuela não vão dar em nada e coisa e tal. Segue a cartilha.

No caso da estatal chilena Codelco, a greve atinge cinco mineradoras e o escritório central da empresa, pois os trabalhadores não têm dúvida de que às escondidas o governo prepara a entrega da maior mineradora de cobre do mundo para as empresas privadas.

Governos do gênero Piñera, bem como outros de triste memória, inclusive aqui no Brasil, como o de Fernando Henrique Cardoso, incutiram na opinião pública a idéia de que as privatizações em todos os setores melhoriam a vida da população. O conto da privatização deu no que deu e em muitos países, como na Argentina, por exemplo, algumas delas deram tão errado que o Estado teve de voltar a comandar, como no caso da empresa aérea Aerolineas Argentinas.

Da mesma forma que certos governos insistem nas privatizações, inclusive adotando estratégias de sucateamento de empresas para serem entregues à iniciativa privada, na área midiática estão a ocorrer transformações sobretudo em países onde o povo tem tido maior participação e a democracia deixa de ser formal para se tornar participativa.

Destaca-se neste momento o que vem ocorrendo na Bolívia. No país vizinho, a lei de Telecomunicações, aprovada em 1997, ou seja, em plena era neoliberal, está com os dias contados. O Parlamento aprovou no último dia 12 uma mudança na legislação que visa beneficiar o conjunto da população, que resultará o fim dos latifúndios midiáticos.

No período de predominância do esquema neoliberal a legislação midiática fez desaparecer do setor as emissoras sindicais, que eram as únicas opositoras dos governos. Os legisladores, que representavam em sua maioria grandes interesses econômicos, inclusive da mídia, concederam licenças para grandes empresas por 20 anos. Em 2017 as concessões deveriam se encerrar.

A frequência do espectro radioeletrônico será dividido pela nova legislação entre o setor privado e público, que ficarão com 33% cada um. As rádios comunitárias, os povos originários (indígenas, ou seja, mais de 60% da população boliviana) e os camponeses caberão 34% da frequência.

Para se ter uma idéia, atualmente 98% do espectro estão com o setor privado, daí a denominação de latifúndio midiático, que propociona poder político para manipular a opinião pública. A mudança que o Parlamento começa a discutir objetiva exatamente reverter este quadro absolutamente pouco democrático, não apenas no setor radiofônico como também no de canais de televisão.

A Bolívia está sob o domínio de três redes de televisião, que fazem uma feroz oposição às transformações por que passa o país. Agora, diante deste quadro, não percam por esperar matérias na mídia de mercado de toda a América Latina denunciando que a liberdade de imprensa está ameaçada no país governado por Evo Morales.

O exemplo boliviano serve perfeitamente para ilustrar o que vem ocorrendo em outros países onde os grandes proprietários de veículos de comunicação, acostumados ao lucro fácil e se julgando cidadãos acima de qualquer suspeita, inclusive das mudanças na legislação, acreditam que o que estava vigente em outros tempos é imutável.

É importante os brasileiros tomarem conhecimento do que acontece nos países vizinhos, para inclusive não se deixarem enredar por campanhas midiáticas que visam apenas perpetuar um estado de coisas que nada tem a ver com a liberdade de imprensa, mas sim com a liberdade de empresa.

Podem crer que empresários que atuam na Bolívia, entre eles o croata Ivo Kuljis Fütchner, sócio do ex-Presidente neoliberal Gonzalo Sánchez de Lozada e outros menos votados, vinculado ao setor financeiro, rede de supermercados, frigoríficos e indústria pecuária, para não falar da exportação de soja, vão botar a boca no trombone na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), entidade defensora incondicional dos grandes negócios midiáticos nas Américas.

No Brasil, as mudanças que se fazem necessárias na área midiática serão (já estão sendo) também objeto de oposição ferrenha dos big-shots do setor. E isso mesmo que não tenham a profundidade do que os deputados decidiram na Bolívia. Quem viver verá!

Em tempo: Uma dúvida que merece resposta, qual o motivo de uma hora para a outra terem sido suspensos os depoimentos sobre o período da ditadura que eram apresentados depois da novela Amor e Revolução? Não existe mais censura no Brasil, mas pelo visto a autocensura continua. Por que ninguém explica?

Mário Augusto Jakobskind

Portal Vermelho

Comentários desativados em Neoliberalismo no cobre e na mídia

Mídia comercial só mostra a violência das favelas e ignora as reivindicações dos pobres, reclamam comunidades

Posted in Cidadania, Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 19/07/2011

Por Isabela Vieira

Rio de Janeiro – A mídia comercial não deve restringir a cobertura do cotidiano das favelas às páginas policiais ou aos programas populares de rádio e TV. O apelo foi feito hoje (18) durante a abertura do 1º Encontro Nacional de Correspondentes Comunitários do Viva Favela, que se estenderá até a próxima sexta-feira (22), no Memorial Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Segundo os participantes do evento, a chamada grande imprensa vem reforçando, aos longos de décadas, preconceitos e esteriótipos em relação às comunidades pobres.

Além de debater a forma como a mídia comercial cobre os temas que envolvem as populações mais carentes, o evento tem outros dois objetivos: avaliar os dez anos do site criado pela organização não governamental Viva Rio e incentivar o jornalismo comunitário a produzir reportagens para as redes sociais.

De acordo com jornalistas que trabalham em veículos comunitários, há uma grande resistência da mídia comercial (jornais, site, rádios e TVs) em mostrar conteúdos positivos sobre a vida em suas comunidades ou reivindicações que pressionem governos por serviços públicos.

Da comunidade da Maré, na zona norte da cidade do Rio, a jornalista Rosilene Miliotti criticou a presença de equipes de reportagens nas comunidades pobres apenas para cobrir ações policiais violentas. “Quando é uma coisa legal, eles não vão dizendo que o local não é violento, não tem UPP [Unidade de Polícia Pacificadora]. Mas quando tem tiroteio, eles estão lá.”

A jornalista reclama também da pouca visibilidade ou da falta de acompanhamento por parte da imprensa de crimes ocorridos dentro das comunidades, como sequestros, assassinatos e roubos. Rosilene aproveitou para denunciar mais um arrombamento da sede do Movimento Enraizados, no Complexo do Alemão, na zona norte. Até agora, o crime não foi esclarecido.

Na periferia de Salvador, a situação é semelhante, conta o jornalista Ivan Luiz. Lá, relata, as equipes de reportagem acompanham ao vivo as operações policiais. “A imprensa invade a comunidade com a polícia, mas não faz reportagens sobre a nossa cultura ou nossos artistas. Temos uma classe média que cresce com a oferta de serviços e que ninguém descobriu.”.

Estar na grande imprensa é uma das formas de romper preconceitos, mas não é a única, segundo a jornalista Angelina Miranda, de Capão Redondo, em São Paulo. “Não estou certa de que as corporações por trás desse sistema querem mudá-lo. O melhor é que continuemos nós mesmos a produzir e republicar nosso conteúdo sem intermediários”.

A veiculação das colaborações para o site Viva Favela já rendeu prêmio a ONG Viva Rio e hoje constitui um acervo importante de memória das comunidade e de denúncia social, de acordo com o coordenador Rubem Cesar Fernandes. Segundo ele, o projeto continuará com foco na produção de textos, imagens e áudios, com a possibilidade de expandir a rede para outros países.

“O Viva Favela é um veículo de comunicação nacional, colaborativo, que vem da favela para fora, para o mundo. O site ajudou a quebrar o grandes mitos. E temos espaço para expansão. Um Viva Favela falando inglês, francês, espanhol, com outras favelas mundo afora.”

O evento inclui ainda oficinas, debates sobre políticas de comunicação e de cultura, além de shows.

Edição: João Carlos Rodrigues

Agência Brasil

Comentários desativados em Mídia comercial só mostra a violência das favelas e ignora as reivindicações dos pobres, reclamam comunidades

O submundo do jornalismo

Posted in Jornalismo de Intervenção by ImprensaBR on 19/07/2011

Por Eliakim Araujo*

O escândalo dos grampos telefônicos do jornal londrino News of the World desnuda o submundo do jornalismo sujo e antiético praticado por grandes conglomerados midiáticos e suas ligações com políticos e funcionários dos órgãos de segurança.

Desta vez, pegaram Rupert Murdoch, o imperador do reino das comunicações. Dono de empresas jornalísticas tão poderosas que governantes, politicos, esportistas e celebridades rendem (ou rendiam) homenagens a ele, não por suas virtudes morais, mas pelo temor de que ele usasse a força de seus jornais e TVs para chantagear e divulgar informações pessoais de suas vítimas. Como fez com o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, cujo filho sofre de fibrose cística, uma informação que a família mantinha em segredo para protegê-lo da curiosidade pública, e que foi covardemente divulgada pelo jornal de Murdoch, graças a uma escuta clandestina.

Os repórteres do tablóide sensacionalista News of the World iam às últimas consequências para conseguirem seu objetivo. Compravam detetives oficiais e particulares, tinham cúmplices dentro da Scotland Yard, que aliás fica muito mal no episódio porque há muitos anos dormem nas gavetas da repartição denúncias de ilegalidades praticadas pelo jornal de Murdoch, que nunca foram seriamente investigadas.

O escândalo só estourou há alguns dias porque o elitista jornal britânico The Guardian, denunciou a história da menina Milly Dowler, sequestrada e assassinada em 2002, cujo correio de voz em seu celular foi grampeado por um investigador a serviço do jornal de Murdoch, na busca por gravações que pudessem chocar os leitores. Como a caixa postal do celular de Milly estava lotada, deletaram gravações antigas, prejudicando assim as investigações policiais.

A estratégia suja e antiética de conseguir notícias exclusivas pode ferir gravemente a estabilidade do grupo empresarial do magnata Rupert Murdoch. Aos 80 anos, o velhinho está em plena forma física. Os que o conhecem dizem que ele adora esse tipo de jornalismo, que espeta, incomoda e humilha suas vítimas e fazem com que ele seja mais temido.

Na Grã-Bretanha, agora, ele está mais sujo que pau de galinheiro. Parece que chegou a hora da caça se voltar contra o caçador. O Parlamento britânico já criou um comitê de investigação que está convocando jornalistas e executivos do jornal News of the World para prestarem depoimento. Dois dos principais executivos das empresas de Murdoch pediram demissão, uma nítida tentativa de oferecer a cabeça de um ou dois em troca do abafamento da crise.

Empresarialmente, o escândalo foi um desastre para Murdoch. Além de perder o News of the World, o lucrativo tablóide dominical que vivia do sensacionalismo barato das escutas telefônicas, o governo britânico aprovou a decisão do Parlamento de bloquear uma importante negociação de Murdoch. Por 12 bilhões de dólares, ele assumiria o controle total da principal emissora por satelite da Grã-Bretanha, a BSkyB, que possui 10 milhões de assinantes.

Mas o inferno astral do velho Murdoch (80 anos) está apenas começando. Há fundadas suspeitas de que o jornalismo sujo praticado por suas empresas em Londres tenha contaminado suas mídias nos Estado Unidos. Já se sabe que os celulares de familiares de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 foram violados. E alguns parlamentares querem saber se os jornais e a TV de Murdoch nos EUA usavam os mesmos recursos ilícitos para conseguirem informações inéditas ou secretas que pudessem usar contra seus adversários politicos.

O senador Jay Rockfeller, democrata de West Virginia, pediu rigorosa investigação em todas as empresas de Murdoch nos EUA, onde ele é dono do Wall Street Journal, do New York Post e da poderosa FoxNews, canal de TV assumidamente direitista, republicano e crítico contundente do Partido Democrata e do presidente Obama. O escândalo dos grampos telefônicos está nas manchetes dos jornais do mundo inteiro, mas a Foxnews não dá uma linha sobre o episódio.

A conclusão que podemos tirar de tanta baixeza praticada em nome do jornalismo é que devemos estar atentos aos grupos midiáticos brasileiros. Quanto maiores, mais poderosos. Quanto mais poderosos, mais temidos pelos governantes. A concentração de grandes empresas de mídia nas mãos de poucas e suspeitas personalidades coloca em risco a saúde do bom jornalismo. É isso que devemos denunciar e é contra isso que devemos lutar.

O submundo do jornalismo

* ancorou o primeiro canal de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e do SBT e na Rádio JB foi coordenador e titular de “O Jornal do Brasil Informa”. Mora em Pembroke Pines, perto de Miami. Em parceria com Leila Cordeiro, possui uma produtora de vídeos jornalísticos e institucionais.

Portal Vermelho

Comentários desativados em O submundo do jornalismo

Conselho Federal da OAB aprova apoio às PECs do Diploma

Posted in Jornalismo de Intervenção, Notas by ImprensaBR on 05/07/2011
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou, em sessão plenária realizada nesta segunda-feira (4), seu apoio às Propostas de Emenda Constitucional (PEC) que instituem a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Tal posição reforça o movimento pela votação das PECs que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado. (more…)

Comentários desativados em Conselho Federal da OAB aprova apoio às PECs do Diploma

%d blogueiros gostam disto: