!@ {o polifônico, [Jornalismo de Intervenção # Por Leonor Bianchi]

Favela dos meus amores: O filme não exibido neste Carnaval pelo Cineclube Cinemofônico

Posted in Brasil, Cineclube Cinemofônico by ImprensaBR on 10/02/2013

Nossa sugestão para a sessão do Cineclube Cinemofônico deste domingo de Carnaval poderia ser a versão telecinada (e postada em uma dessas modernas plataformas de exibição de vídeo na internet) do clássico ‘Favela dos meus amores’ (1935), de de Humberto Mauro.

Carmen Santos e Antonia Marzullo (tia da Marília Pêra).

Carmen Santos e Antonia Marzullo (tia da Marília Pêra).

Mas, lamentavelmente, assim como grande parte dos filmes produzidos no Brasil nas décadas que antecederam os anos 50,  muitas películas desapareceram, sumiram, ou simplesmente deterioraram-se nos precários acervos dedicados ao cinema brasileiro.

O caso de Favela dos meus amores – que sumiu deixando imensa lacuna em nossa cinematografia, ainda mais quando falamos de seu diretor, o chamado Pai do Cinema Brasileiro, Humberto Mauro, e seu legado ao cinema nacional -, assemelha-se ao do não menos importante Moleque Tião, dirigido por José Carlos Burle, em 1943. Baseado em uma reportagem sobre a vida de Sebastião Prata (Grande Otelo), foi o primeiro longa-metragem rodado nos estúdios da Atlântida.

“Parcialmente filmado no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, o filme recebeu diversas interpretações pelos historiadores do cinema brasileiro (algumas bastante equivocadas) e ainda hoje seduz pelos relatos de sua excelente recepção crítica e pelo grande seu sucesso junto ao público.

A reportagem abaixo, sem fonte conhecida, anuncia o futuro lançamento do filme produzido e estrelado por Carmen Santos” (Rafael de Luna Freire, em Viva Cine).

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Favela dos Meus Amores foi o primeiro a retratar a vida no morro, em condições menos favorecidas, moradias pobres e a contar a história de uma escola de samba. A película contou a Escola de samba Portela, tanto na criação das cenas, como contagiando com o seu samba.

Favela dos meus amores tem musicas de Lamartine Babo, Noel Rosa, Carlos Braga e participação especial de Carmem Miranda. Humberto Mauro abriu um filão explorado pelo cinema brasileiro no período, derivando para os filmes musicais e as chamadas chanchadas.

Favela dos Meus Amores não é só uma demonstração paisagística, turística folclórica. Desperta o interesse da intelectualidade de esquerda, devido ao apelo do filme que realça a miséria que sempre reinou nos morros cariocas.

O argumento do filme é de Henrique Pongetti, o mesmo que chamou Humberto Mauro de”Freud de Cascadura”, por causa de suas incursões psicanalíticas em Ganga Bruta.

A filmagem foi quase que inteiramente no Morro da Providencia, na Saúde, Rio, e por essa razão, Humberto Mauro diria na década de 60, que tal autenticidade poderia razoavelmente lhe colocar como “precursor do neo-realismo italiano”. Tal frase levou Mauro à polícia para se “enquadrar”, pois ”numa cena importantíssima, que a censura queria cortar, alegando que mostrávamos muitos pretos, era triste demais.

Entretanto, Favela dos Meus Amores, porém foi sua acolhida na trincheira da intelectualidade da esquerda brasileira, que montada nos seus principais expoentes dos diversos ramos das artes, haja vista que, já empregava uma luta surda contra o autoritarismo reinante. Humberto Mauro, jamais deixou de se envolver abertamente nessa luta.

É um filme com ares grandiosos, notável e dessa simbiose foi feito assim, Favela dos Meus Amores: o melhor filme já realizado no Brasil em todos os tempos. A começar pelo elenco que tem os principais nomes da época como português Jayme Costa, Norma Geraldy, Rodolfo Mayer, e a vedete Eros Volúsia entre outros: Sílvio Caldas, Jaime Costa, Belmira de Almeida, Russo de Pandeiro, Pedro Dias, Itala Ferreira, Norma Geraldy, Armando Louzada, Antonia Marzullo, Rodolfo Mayer, Leopoldo Prata, Carmen Santos, Oswaldo Teixeira, Eduardo Viana, Eros Volusia.

O musical conta a história de “dois rapazes recém-chegados de Paris, que trazem maravilhosas idéias civilizadoras dentro do cérebro. Como, porém, voltaram sem vintém, começaram a apelar para um leilão dos móveis e objetos de arte que guarnecem sua ‘garconiére’, último vestígio da passagem da opulência. A grande ideia seria instalar um cabaré na favela! Para turistas à cata de novas sensações e também para os habitantes da cidade. O capitalista seria o Sr. Palmeira – português capacitado e amante de crioulas -, e o Sr. Palmeira ficou encantado com a ideia. No morro, famosos, um dos rapazes experimenta a maior surpresa: encontrou ali, vivendo entre os humildes, ensinando a ler às crianças, Rosinha, uma princesinha encantada, rainha do morro e logo – como é uso nos filmes – por ela se apaixonou. Rosinha era amada pelos cantores de samba do morro e… que acontece então?…”

O filme foi produzido pela Brasil Vox Filme com produção de Carmem Santos.

Como não podemos assistir Favela dos meus amores, vamos ler mais sobre este emblemático filme de Humberto Mauro, na análise de Marcos Napolitano, Professor Doutor do Departamento de História da USP. Em seu artigo “O fantasma de um clássico”: recepção e reminiscências de Favela dos Meus Amores (H. Mauro, 1935), ele aborda: “1) o papel de “Favela…” na construção de uma nova identidade nacional e de uma nova cultura popular urbana, tendo como centro o Rio de Janeiro; 2) os aspectos ideológicos e estéticos da recepção crítica do filme; 3) Seu papel como objeto de memória da história cultural brasileira. A partir destes três eixos de análise pretendo mapear o impacto de “Favela…” na formatação de uma nova cultura “nacional popular” no Brasil, cujo sentido ideológico era disputado à esquerda e à direita”.

O fantasma de um clássico” recepção e reminiscências de Favela dos Meus Amores O fantasma de um clássico” recepção e reminiscências de Favela dos Meus Amores

Veja algumas notas sobre o filme publicadas na imprensa carioca.

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